AVES
OBSERVADAS NO CING
Clique nas imagens para abrir as janelas com as descrições
das aves
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Garça-azul |
Garça-branca-grande |
Garcinha |
Garça-vaqueira |
Socó-dorminhoco |
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Socozinho |
Socó-caranguejeiro |
Urubu |
Marreca-toucinho |
Irerê |
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Carrapateiro |
Caracará |
Quiriquiri |
Coruja-buraqueira |
Saracura-de-mato |
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Saracura-sanâ |
Turuturu |
Frango
d’água |
Jaçanã |
Quero-quero |
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Batuíra-do-bando |
Batuiruçu |
Maçarico |
Perni-longo |
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COMPLEXO INDUSTRIAL NAVAL DE GUARUJÁ
O CING possui uma triste história: nos idos de 1987, o que se planejava
fazer ali era um complexo naval, repleto de marinas, com a desculpa de
que aquilo seria um investimento não poluidor. No entanto, as obras
de aterro para tal empreendimento destruíram mais de 2 milhões
de metros quadrados de exuberantes manguezais, que além de serem
abrigo e alimento para uma infinidade de animais, estabilizavam o fluxo
de sedimentos vindos dos morros do Icanhema e Pitiú (estes ainda
recobertos por mata atlântica).
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Localização
do Complexo Industrial Naval de Guarujá |
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Originalmente, a área do CING era coberta em
praticamente toda sua extensão por manguezais cujo bom desenvolvimento
dos bosques indicava uma alta produtividade. Fato que, sem dúvida,
refletia numa contribuição significativa para a manutenção
dos organismos aquáticos que dão sustentação
à produção pesqueira regional e às atividades
extrativistas de subsistência da população local.
VISITAS
Foi em Junho de 2005 quando iniciamos as nossas visitas à região
conhecida como CING (Complexo Industrial e Naval do Guarujá). Passando
de carro pela rede viária que corta a região, observamos
uma vasta área aberta, transformada em pastagem. À direita
desta estrada, o que se via era um pequeno remanescente de manguezal.
Não pudemos deixar de contemplá-lo com uma certa tristeza...
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Área
descampada no CING atualmente
utilizada como pastagem |
Saindo
da Nobara pode se observar um remanescente de manguezal ao lado direito |
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Aqueles eram os últimos remanescentes dos manguezais
existentes na margem esquerda do Estuário de Santos. Este pode
ser considerado o mais trágico caso de impacto ambiental do litoral
de São Paulo, e não parece que tenhamos aprendido a lição...
Enquanto
passávamos pela rede viária, víamos como o aterro
aos poucos foi sufocando o manguezal, barrando o fluxo das águas
e o transporte de sedimento. È tristemente notório como
uma grande extensão de manguezal pôde ter simplesmente desaparecido.
Fizemos então o contorno em frente á Nobara e atravessando
uma área de capim alto e seco, ouvimos um canto diferente. Paramos
então o carro na beira da estrada a fim de escutar a provável
ave. E eis que pudemos constatar a vocalização de uma jaçanã
(Jacana jacana) vindo do outro lado do capinzal. Aquilo nos intrigou muito,
pois esta é uma espécie que vive em área alagadas.
Como poderia estar vivendo ali, naquelas pastagens estéreis?
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Remanescente de manguezal na margem do Rio do Meio |
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Embrenhamos-nos em meio ao capinzal na busca pela ave,
e afastando o capim, vimos algo que custamos a acreditar: uma larga extensão
de água espalhando-se por uma região com cerca do tamanho
de um campo de futebol. Aqui e ali, garças-brancas-grandes (Ardea
Alba) e garças-brancas-pequenas (Egretta thulla)
caminhavam pelas margens, lavadeiras-mascaradas (Fluvicola nengeta)
corriam pelo solo encharcado e sua parente próxima, a freirinha
(Arundinicola leucocephala) pousava nos juncos.
De repente,
um bando de marrecas-toucinho (Anas bahamensis) passou voando
em círculos sobre nós, para então pousar suavemente
sobre a superfície da água. Contamos 46 marrecas, que se
espalharam pela água alimentando-se de algas e plantinhas aquáticas.
A marreca-toucinho é uma espécie migratória, que
vem da Região Sul passar o inverno por aqui. Foi uma grande satisfação
encontrar um bom número dessa espécie naquela área.
Em seguida, observamos 8 indivíduos da marreca irerê (Dendrocygna
viduata), esta residente na região.
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O
brejo durante o mês de Junho de 2005 |
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Percebemos
então que aquela área era nada mais que um brejo, formado
pelo represamento da água na ocasião do aterro dos manguezais.
Ali se estabeleceram algumas algas, que servem de alimento a muitas aves.
Percebemos isso quando vimos cerca de 22 frangos d´água (Galinulla
chloropus) alimentando-se de algas nas partes mais rasas. Vimos então
uma avezinha pernalta esquisita, de pescoço branco com uma listra
preta acima dos olhos e de bico vermelho. Foi então que uma jaçanã
passou voando por cima de nós, indo juntar-se a avezinha, que na
verdade era o jovem da espécie. Ele é bem diferente do adulto
e chega mesmo a confundir. A jaçanã adulta então
vocalizou olhando em nossa direção, como uma firme constatação
que fizemos bem em tê-la “seguido”.
Enquanto
observávamos uma garça-azul (Egretta caerulea)
pescando nas margens lodosas e um bando de asa-branca (Patagioenas
picazuro) passava voando sobre nós, um ágil quiriquiri
(Falco sparverius) sobrevoando o brejo, à procura de pequenas
aves.
Durante
o mês de Novembro de 2005 encontramos o brejo praticamente seco.
Portanto, aquela água não vinha de um afloramento do lençol
freático, e sim da chuva. Agora o que se via era uma área
lodosa, com alguns bancos de algas. Mas as aves estavam lá. Além
das costumeiras aves aquáticas, vimos três aves pernaltas.
Tratava-se do pernilongo (Himantopus melanurus), uma ave pouco
comum aqui na Baixada Santista, observada poucas vezes. Pelas margens,
corriam bandos de batuíras-de-bando (Charadrius semipalmatus),
pequena e simpática ave migratória que vem do Alasca passar
o inverno no Brasil. Também vimos bandos de maçaricos-de-pernas-amarelas
(Tringa flavipes), outro visitante boreal. Foi muito bom saber
que haviam espécies migratórias alimentando-se e descansando
ali naquele brejo. Enfim, a vida continuava e não observamos grandes
mudanças durante as nossas visitas.
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O brejo
durante o mês de Junho de 2005 |
O brejo
durante o mês de junho de 2006 |
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No mês de Janeiro de 2006 o que era brejo havia se tornado uma área
repleta de taboas e juncos. Onde antes havia água, agora se estabelecera
uma vegetação rasteira. Pensamos que as aves aquáticas
haviam todas ido embora. Enfim, é a sucessão ecológica.
Os brejos são ambientes passageiros e logo se transformam em terra
firme. De fato, não vimos mais ali uma quantidade sem fim de garças,
maçaricos, marrecas ou batuíras. A região parecia mais
silenciosa...
No
entanto, não nos demos por contente e pusemos o “play-back”
para funcionar. Trata-se da técnica de reproduzir o canto das aves,
para que possamos atraí-las. E logo uma avezinha se fez notar,
cantando escondida em meio ao capinzal. Era uma saracura-sanã (Pardirallus
nigricans). Logo outro indivíduo da mesma espécie veio fazer-lhe
dueto.
Tocando
o som de outros ralídeos, ou seja, outros parentes da saracura,
um turuturu (Porzana albicolis) respondeu prontamente ao play-back de
sua voz. Muito legal descobrir este misterioso ralídeo por ali.
E antes mesmo que fosse feito o play-back, uma saracura-três-potes
iniciou seu canto, na região onde o brejo unia-se com a mata de
encosta do morro do Icanhema.
Não
províamos de muitos cantos, mas ficamos de voltar para aquela região,
pois iremos acompanhar todo o processo de sucessão ecológica
do brejo, e ver que aves se sobrepõem por ali, na medida em que
o ambiente se transforma.
Afinal,
a velha frase já diz que na natureza nada se perde, nada se cria,
tudo se transforma. A não ser, é claro que o homem resolva
interferir...
Quer
saber mais?
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OUTRAS AVES
Asa-branca (Patagioenas picazuro), Lavadeira-mascarada (Fluvicola
nengeta) Freirinha (Arundinicola leucocephala), Suiriri-cavaleiro
(Machetornis rixosus), Bentivi (Pitangus sulphuratus),
Tangará-dançarino (Chiroxiphia caudata). Beija-flor-tesouro
(Eupetomena macroura), Bico-de-lacre (Estrilda astrild)
Pardal (Passer domesticus).
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRAFICAS
BRETAS,
E. & SIGRIST, T: Desenho Científico de Aves. Anais do V Congresso
Brasileiro de Ornitologia, UNICAMP, Campinas, 1996.
CAMARGO,
H: Sobre uma pequena coleção de aves de Boracéia
e do Varjão do Guaratuba (Estado de São Paulo). Papéis
Avulsos do Departamento de Zoologia, SP, 7(11): 143-164, 1946.
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J.T: South American Land Birds. A Photographic Aid to Identification.
Harrowood Books. Pennsylvania . Newton Square. 364 pp. 1985.
HÖFLING,
ELIZABETH-ALMEIDA DE CAMARGO, HÉLIO F: Aves no Campus – Edusp.
São Paulo (3ª Edição), 1999.
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F & SILVA, R.S. Guará – Ambiente, Flora e Fauna dos manguezais
de Santos-Cubatão. 2003. Editora Empresa das Artes. 216p.
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PABLO: Brasileiros Torturados, Galileu, Editora Globo S.A - Pág.
24-33, 2002.
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Ltd. London, 1988.
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HOWARD R, A:. A complete checklist of te birds of the world. 2. ed. London,
Academic Press. 622 p. 1991.
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AUGUSTO: Aves do Brasil – Editora Rios, São Paulo, 1981.
SCHAUENSEE, R.M: A Guide to the Birds of South America. ICBP, 498 p.,
1982.
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