AVES OBSERVADAS NA ILHA DIANA
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Biguá
Garça-branca-gr
Garcinha
Socó-dorminhoco
Socózinho
Socó-grande
Urubu-cabeça-preta
Urubu-cabeça-verm
Carrapateiro
Martim-pescador
 
Tiê-sangue
Martim-pescador-pq
Saracura-sanã
Saracura-do-mato
Maçarico-pintado
 
ILHA DIANA
 
     
 
Localização da Ilha Diana
 
Situada no Rio Diana, no caminho de Bertioga para quem sai de Santos e contorna as instalações da Base Aérea, esta ilhota aos poucos incorporou o nome do rio e, de Ilha dos Pescadores no Rio Diana passou a Ilha do Diana e, para simplificar de vez, Ilha Diana.
Fica perto da área insular de Santos, mas longe o suficiente para raramente aparecer nos mapas e plantas da cidade. Por isso mesmo, quase esquecida, só começou a ser redescoberta, inclusive em termos de potencial turístico, no século XXI. O que, como costuma acontecer, pode significar uma redenção econômica para a comunidade que ali vive, mas ao mesmo tempo também pode significar o fim de uma era na cultura local.
 
Entrada da Ilha Diana
 

Tradição ameaçada

Na Ilha Diana, as famílias sobrevivem da pesca, embora alguns já procurem conciliar o trabalho diário em repartições públicas com a pescaria. Nessa comunidade, onde o acesso só é possível de barco, a invasão de turistas ou imobiliárias ainda não aconteceu, para a felicidade de todos. Mas essa não deixa de ser a maior preocupação dos habitantes da Ilha.
Vivendo praticamente numa comunidade fechada, moradores da Ilha Diana, localizada logo após a Base Aérea de Santos e em frente ao Monte Cabrão, apesar da falta de infra-estrutura, parecem não se preocupar com a situação. Quando muito, reclamam da falta de atenção da Prefeitura com relação aos atracadouros.
Durante anos, a Base Aérea funcionou como uma espécie de madrinha da Ilha Diana, atendendo a todos os reclamos das famílias que lá residem. Com o passar do tempo, a acomodação dos integrantes daquela comunidade - que vive um tanto quanto alheia aos problemas urbanos, uma vez que está separada deles pelo mar, embora fique bem próxima dos centros de Santos e Vicente de Carvalho -, fez com que o comando da Base Aérea mudasse seu comportamento para com a Ilha.

Cerca de 40 famílias residem na Ilha Diana, sendo que a maioria pertence à mesma árvore genealógica. Para os moradores, o maior problema da Ilha é a questão da saúde. Apesar de ter um ambulatório no local, raramente aparece um médico. Somente quando um problema se torna muito evidente, como as duas recentes mortes provocadas por tuberculose, aparece um médico para uma orientação.

     
 
Ilha Diana
Porto da Ilha
 

SAÍDA DE CAMPO

Em visita à Ilha Diana, pudemos constatar como vivem os últimos verdadeiros caiçaras de Santos. No entanto, a avifauna ali é notadamente pobre, talvez em função de a vegetação da ilha estar bastante alterada.
Nas margens da ilha ainda pode-se observar bosque maduros de mangue, porém logo atrás deles o que predomina é um capim marítimo (talvez Spartinna sp.), conhecido popularmente como capim praturá ou paraturá. Nesse capinzal, é possível ouvir as discretas saracuras-matracas (Rallus longirostris), saracura-sanã (Porzana albicolis) e saracura-do-mato (Aramides saracura).
 
 
Capim Spartina
Saracura-matraca
 

Na parte de trás da ilha, onde há menos habitações, encontra-se uma restinga em estágio inicial de recuperação. Ali encontramos o belíssimo tié-sangue (Ramphocelus bresilius), a saíra-canário (Thlypopsis sordida) e o tié-preto (Tachyphonus coronatus), sempre presentes nas matas do litoral.
Numa árvore de mangue, um jovem carcará (Caracará plancus) observa a mata. Esta espécies é bastante comum ao longo do Estuário de Santos, onde alimenta-se de praticamente tudo que encontra.
Nas árvores de mangue, casais de Martim-pescador-grande (Ceryle torquata), garças-brancas-grandes (Ardea Alba) e garças-brancas-pequenas (Egretta thulla) espreitavam cardumes de peixes. E em qualquer trecho do Rio Diana, é possível observar um tronco ornamentando com um biguá (Phalacrocorax brasilianus), sempre atento aos cardumes.

 
 
Caranguejo-aratu
Baiacu
 
 
Socó-grande
 
Bem à frente da Ilha Diana, na maré baixa, é possível avistar um largo banco de mexilhões, recobertos por algas verde (Ulva sp.). Ali muitas aves vão alimentar-se, com garças-azuis (Egretta caerulea), guarás-vermelhos (Eudocimus ruber), batuiruçus (Pluvialis dominica), batuíras-de-bando (Charadrius semipalmatus) e maçaricos-de-pernas-amarelas (Tringa flavipes).
Estas aves, sejam elas residentes ou migratórias, encontram ali um ponto de repouso e alimentação. Entre os mexilhões, elas encontram pequenos vermes marinhos e uma grande quantidade de outros invertebrados, que lhes darão energia para a longa viagem de volta.
Além da grande quantidade de aves, muitas tartarugas-verdes (Chelonia mydas) vêm alimentar-se das algas. Também os moradores da Ilha Diana procuram neste banco de mexilhões o seu sustento, indo na maré baixa raspar algumas ostras e mexilhões.
Porém, este banco que há tanto tempo sustenta homens e animais, está ameaçado pela construção de um terminal marítimo nas proximidades...
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

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OLMOS, F & SILVA, R.S. Guará-Ambiente, Fauna e Flora dos Manguezais de Santos-Cubatão. Ed. Empresa das Artes, SP 2003

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SOUZA, DEODATO: Todas as aves do Brasil. Editora DALL. 1998.