AVES OBSERVADAS DURANTE NOSSA TRAVESSIA
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Jacuguaço
Beija-flor
Tucano
Pica-pau-anão
Saí-azul
         
Gaturamo
Tié-preto
Tié-sangue
Saira-7-cores
 
 
ATRAVESSANDO A MATA ATLÂNTICA
Vamos caminhar agora por uma das inúmeras trilhas que cortam a Mata Atlântica, na Serra do Mar. Num passado não muito distante, índios Tupis costumavam descer a serra nos meses de frio, vindos do planalto. Geralmente acompanhavam o curso de um riacho encachoeirado para não se perder, já que os rios vão para o mar. Diferentemente da grande quantidade de turistas que descem ao litoral nos meses de verão para passar as férias, os índios desciam a serra nos meses de inverno. Nessa época, faz muito frio no alto da serra e as tainhas e outros peixes estão entrando nos estuários para desovar entre as raízes do mangue. Por isso os índios vinham até as baixadas.

Algumas dessas antigas trilhas dos Tupis ainda existem até hoje. Inclusive, as estradas Imigrantes e Anchieta seguem mais ou menos o percurso dessas trilhas. Vamos então percorrer uma antiga trilha indígena, desvendando os mistérios da exuberante Mata Atlântica. Assim que você entra na mata, percebe que a luz do sol quase não toca o sol, por causa do emaranhado de cipós, galhos e folhas no alto das árvores que impede a passagem da luz solar.

 
 
 
Gigante da floresta
 
Sai-azul se alimentando
 
 
Ao caminhar sobre o solo recoberto por folhas em decomposição, não há como não se impressionar com a imponência de árvores gigantes, quase totalmente recobertas por trepadeiras, bromélias e orquídeas. São árvores centenárias, que viram muitas outras plantas e animais nascerem, crescerem e morrerem. Viram riachos mudarem de curso e suportaram muitos temporais de verão. Mais impressionante ainda é imaginar que o que alimenta essas gigantes soberanas da floresta é justamente a fina camada de folhas mortas sob seus pés.
 

Folhas, galhos, madeira e outros materiais em decomposição
 
Por muito tempo, se pensou que o solo das florestas tropicais era rico, por causa de grande diversidade de plantas e pelo porte das árvores. No entanto, quando se corta uma floresta e se retira a camada de folhas do solo, o local vira um deserto. Essa camada de folhas, galhos, madeira e outros materiais em decomposição, denominadas de serapilheira, é o verdadeiro adubo das florestas.

O que muitas pessoas comentam quando fazem uma trilha, é que apesar de imensa variedade de vida que ali existe, o máximo que elas conseguem ver é uma borboleta, e um ou outro passarinho. Isso porque para descobrir a espetacular vida da floresta, é preciso atenção, silêncio e paciência. De nada adianta entrarmos na mata falando alto, em grupos de trinta pessoas, e caminhando rápido.

Vamos fazer um teste. Por alguns minutos, vamos ficar sentados em uma pedra, às margens de um riacho, apenas contemplando a paisagem. O ideal é usar roupas leves e de cores discretas. Um bom binóculo também é indispensável para quem deseja observar a peculiar fauna da mata. Em instantes, você irá ouvir algo passando zunindo por perto. E então encontrará um agitado beija-flor-de-fronte-violeta (Thalurania glaucopis), endêmico de nosso país. Este belo beija-flor procura ativamente por néctar nas florestas de bromélias. Em seguida, ele pára para se banhar num remanso.

 
Tucano-de-bico-preto
Sanhaço-de-encontro
Surucuá-grande-de-barriga
 
Um agitado bando de saíras pousa nas copas, atrás de frutos. É um bando misto! Um espetacular fenômeno das florestas, onde espécies de aves diferentes juntam-se para procurar alimento. Como cada uma consome um tipo de alimento, não há competição. E em bando elas estão mais seguras contra predadores.

Você pode ver cintilantes saíras-sete-cores (Tangara seledon), um agitado casal de tié-preto (Tachyphonus coronatus), e um bando de agitados casais de saí-azul (Dacnis cayana). Ingerido uns frutinhos de trepadeira, um belíssimo macho de tié-sangue, “incendiando” a mata com seu vermelho “vibrante” contra o fundo verde. No alto de uma árvore, um gaturamo (Euphonia violacea), faz jus à sua fama de gozador, imitando todas muitas aves à sua volta. Um picapauzinho-verde-carijó (Veniliornis spilogaster) explora o tronco de uma árvore. Ao longo, você escuta bandos de tucanos-de-bico-verde-, numa algazarra que anima toda a floresta. Provavelmente estão avisando uns aos outros sobre a frutificação do palmito (Euterpe edulis). Logo, um bando de jacuguaçus (Penelope obscura) parte na direção dos tucanos, para também saborearem as tão desejadas sementes do palmito.

E ali, cercado pela imensidão e tomado pela energia da floresta, você percebe sua importância, não apenas para as aves, mas para todos nós.

Porém, a floresta que levou 80 milhões de anos para formar sua biodiversidade, agora se vê ameaçada por uma espécie nova, mas capaz de destruir o mundo em que vive.Você parte refeito de uma bela excursão pela mata, sabendo que este país é realmente muito rico, porém com a triste incerteza ...até quando?