SANTA CRUZ DOS NAVEGANTES
Pouca Farinha

Até pouco tempo era desconhecida até mesmo dos moradores da cidade. Com a abertura de uma estrada para o bairro, o turista acabou descobrindo um outro ponto turístico de Guarujá. A vila é de população carente, mas o segredo está na fortaleza da Barra Grande.
 

Nossa Senhora dos Navegantes (Pouca Farinha) visto do Canal de Santos
 

É uma área do Município de Guarujá, de Marinha, localizada entre o Estuário de Santos, Rio Iracema, Rio Missa e Morro dos Limões. Com uma extensão de 18.241,98 m2, abrange regiões de mangues e alagados, sujeitas à ação das marés e das chuvas.

Conhecida desde 1502, quando as primeiras expedições portuguesas começaram a aportar na Ilha de Santo Amaro, foi habitada até 1970 por caiçaras, pescadores artesanais, originários, principalmente, do Norte e Nordeste do país. No início dos anos 80, passou a ser habitada por pessoas de diferentes ocupações que necessitavam de lugar de baixo custo para moradia. Algumas famílias inteiras trabalham na pesca do marisco, principalmente as que moram perto do mangue. A população é de cerca de 20 mil pessoas.

A FORTALEZA DA BARRA GRANDE

Em 1584, por ordem régia de Felipe II, ergueu-se na embocadura do estuário de Santos a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, com projeto de Giovanni Battista Antonelli, arquiteto militar que acompanhava a esquadra espanhola do Almirante Diogo Flores Valdez. A esquadra com 16 navios, tinha por missão patrulhar a costa leste do Novo Mundo.

 

No centro a Fortaleza da Barra Grande, ao lado esquerda Pouca Farinha, ao lado direito a praia do Góes
 
A Fortaleza está localizada na região sudoeste da ilha de Santo Amaro entre as praias do Góes e Santa Cruz dos Navegantes, às margens do estuário santista. É um monumento histórico-militar edificado no século XVI (1583) durante o domínio espanhol com o objetivo de defender a Vila de Santos de ataques de corsários e piratas. São do século XVI as longas muralhas e cortinas de pedras em guaritas, portões de acesso, paiol, casamata, plataformas de pedras para canhões. Apesar das infiltrações e da constante ação de depredadores que agem no local, podem tais edificações serem ainda apreciadas.

A Fortaleza teve seu tombamento em 1969 pela Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e em 1981 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAT), órgão do Governo do Estado de São Paulo. Qualquer reforma precisa do aval da entidade.

 
 
O acesso pode ser feito por Santa Cruz dos Navegantes ou por barco
com saída pela Ponte dos Práticos em Santos.
 
A Fortaleza surgiu num lugar histórico, pois segundo os termos do diário de Pero Lopes, ali ancorou a esquadra colonizadora de Martin Afonso de Souza, em 1532 "antes de entrar na Barra do Rio São Vicente". Essa fortaleza serviu no século XVII como presídio político dos oposicionistas da Coroa Portuguesa e em 1885 foi restaurada. Foi desativada em 1911 e caiu em completo desuso e suas baterias foram transferidas para a Fortaleza do Itaipú, em Praia Grande.

A partir daí ficou abandonada, voltando a ser ocupada pelo Círculo Militar em 1960, época em que sofreu algumas modificações no piso, por exemplo, cobrindo a pedra com cerâmica. Daí em diante, nada se fez para a preservação desse monumento que foi se deteriorando não pela ação do tempo como também pela ação do homem.

Hoje pertence ao IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, braço realizador do Ministério da Cultura. No dia 2 de setembro de 1993, após um quardro de total abandono, o "mais importante conjunto arquitetônico-militar do Estado de São Paulo" encontrou o caminho para sua restauração, por meio da assinatura de um Protocolo de Intenções firmado entre o IPHAN a Prefeitura Municipal de Guarujá e a Universidade Católica de Santos.

Barra Grande está sendo restaurada (projeto do IPHAN) e tem tudo para se tornar o principal pólo cultural e turístico da Baixada Santista. Aos poucos, a sociedade local e a iniciativa privada percebem que a Fortaleza foi construída para durar uma eternidade e que ela necessita agora do reconhecimento à sua ação militar protetora exercida por mais de quatro séculos. Em troca, oferece sua imagem positiva aos meios de comunicação social, que, sem dúvida, saberão usá-la como excelente veículo de Marketing Cultural. (ELCIO ROGERIO SECOMANDI, Doutor em Aplicações, Planejamento e Estudos Militares, Universidade Católica de Santos/SP).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

ANDRADE, Wilma Therezinha F. de, A vila e a fé: a Ordem de São Bento em Santos, Séc. XVI ao XVIII. Dissertação de mestrado apresentada à FFLCH, da USP, 1980.

_____, Capela de Santo Amaro na Barra Grande. Folheto. Santos: Comissão Pró-Fortaleza da Barra, 21 de dezembro de 1997, ilust.

DE BIASI, Ana Maria Chamiso Silva. Monólogo de Santo Amaro: lá e cá. Jornal: Tribuna do Guarujá, 14 de dezembro de 1985.

JORNAL O Estado de São Paulo. Fortaleza começa a ser restaurada, 31 de março de 1993.

JORNAL A Tribuna. Capela exige um trabalho minucioso - data da assinatura do convênio entre IPBC e a PM Guarujá.

ARQUIVO HISTÓRICO DO EXÉRCITO. Rio de Janeiro. Palácio Duque de Caxias; Praça Duque de Caxias, 25, Centro.

ENTREVISTA com Eliete Pithágoras de Brito Maximino, diretora do IPARQ - Instituto de Pesquisas Arqueológicas da UniSantos, em 11 de junho de 1999.

RELATÓRIO do Tenente-coronel Lúcio Nunes Ramalho, datado de Santos, 24 de outubro de 1860. Original no AHEX Arquivo Histórico do Exército. Rio de Janeiro: Palácio Duque de Caxias. Praça Duque de Caxias, 25. Cópia no CDBS - Centro de Documentação da Baixada Santista da UniSantos.

RELATÓRIO apresentado à Assembléia Legislativa pelo Dr. Sebastião Pereira em 7 de fevereiro de 1887. Original no Arquivo Histórico do Exército, Rio de Janeiro. Cópia no CDBS.

RELATÓRIO do Comandante da Fortaleza da Barra Grande de Santos relativo ao ano de 1903. Cópia do original existente no Arquivo Histórico do Exército. Rio de Janeiro. Cópia no CDBS.

RELATÓRIOS do Arquivo Histórico do Exército.