Adaptado
de Camargo, JCC. 1972 1. Oceano Atlântico; 2. Praias; 3. Dunas (1º estágio da vegetação pioneira); 4. Dunas (2º estágio da vegetação pioneira); 5. Manguezais; 6. Mata de Restinga (Jundu); 7. Vegetação de Várzea; 8. Mata de planíce costeira; 9. Mata Atlântica de níveis baixos (100-200m); 10. Região agrícola; 11. Mata Atlântica de níveis altos (900). |
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ATRAVESSANDO A RESTINGA*
Vamos imaginar que acabamos de desembarcar numa praia deserta. Atravessando a praia e indo em direção a Serra do Mar que surge lá no horizonte, você irá passar pelas várias faces de uma vegetação muito interessante: a restinga. Assim que pisar na areia e começar a andar um pouco, a primeira vegetação que você verá são tufos de capim, e plantas de ramos muito finos e moles que se espalham pelo chão. É essa vegetação que segura a areia da praia a recebe a brisa e o sal marinho. Ela é chamada de vegetação de praias e dunas. Em
seguida, você irá parar em frente a uma grande quantidade
de moitas, cuja altura não passa dos dois metros. É preciso
um facão para abrir caminho em meio a essa vegetação
densa. Essas ervas e arbustos formam o chamado escrube ou vegetação
sobre cordões arenosos. |
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Saindo desta vegetação, você irá notar que
começam a aparecer árvores, porém não muito
altas. Muitas delas são frutíferas e atraem uma grande quantidade
de saíras, tiés, sanhaços e muitos outros pássaros.
Você percebe que o som das ondas do mar vai ficando para trás,
enquanto tenta caminhar no chão repleto de grandes bromélias
terrestres. É preciso tomar cuidado com seus espinhos! Esta é
a floresta baixa de restinga.
Logo você chega numa floresta de árvores altas, cujos troncos são recobertos por uma grande quantidade de trepadeiras, orquídeas e bromélias. O sol quase não chega no solo, pois as árvores possuem um dossel muito fechado. Você ouve muitas espécies de pássaros voando por entre as árvores ou procurando comida nos galhos. Muitas árvores são tão altas que chegam até vinte metros de altura. Por isso esta vegetação é chamada de floresta alta de restinga. |
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Com o tempo, você acaba se acostumando a floresta alta, e percebe
o quanto ela é rica em espécies animais e vegetais. São
muitas flores e frutos, e animais como macacos e tucanos enchem a floresta
com seus gritos animados. Sobre o solo recoberto de folhas vivem formigas,
besouros, lagartos e deslizam cobras venenosas.
Você continua andando em direção a serra, admirando a riqueza da floresta e de repente percebe que enfiou o pé num lamaçal, atolando até os joelhos. Você chegou num brejo. Eles são muito comuns nos locais onde o lençol freático aflora a superfície. Você se segura nas árvores de pequeno porte que surgem no brejo, e muitas vezes tem que se agarrar nos tufos de capim e tentar sair engatinhando. Continuando a caminhar, você chegará numa floresta onde o solo é mais raso e surgem rochas pelo caminho. As árvores são ainda mais altas, muitas vezes ultrapassando vinte metros de altura. É uma floresta densa, com características da própria mata atlântica. Possui uma diversidade imensa, maior do que em todas as vegetações que você acabou de passar. Logo o solo que era plano torna-se íngreme e você começará a subir. As florestas de restinga e mata atlântica começam a se fundir, numa magnífica combinação de diversidade. Você conseguiu. Chegou na floresta de transição restinga-encosta. UM JOVEM ECOSSISTEMA Entende-se por vegetação de restinga o conjunto das comunidades vegetais, fisionomicamente distintas, sob influência marinha e fluvio-marinha. Este é o termo técnico usual para designar o ecossistema que ocupa as planícies do litoral do Brasil, formadas por sedimentos de origem marinha. Este ecossistema apresenta um conjunto bastante diversificado de comunidades biológicas, que reflete a influência das condições do solo e do grau de exposição às brisas marinhas e ao sol. |
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As variações locais do ambiente das restingas* resultam
no desenvolvimento de um complexo de vegetações contendo
desde ervas especializadas em ocupar dunas mais próximas a praia,
tolerando o movimento das areias pelos ventos, até arvores de grande
porte que ocupam locais mais protegidos, com solo mais úmido e
fértil.
As planícies litorâneas, onde cresce a vegetação característica de restinga, são formadas por sedimentos arenosos depositados pelo mar. Isto se deve às variações ocorridas no nível dos oceanos, nos últimos milhares de anos, conhecidas como regressões e transgressões marinhas (rebaixamento e elevação do nível do mar relacionados, respectivamente, a períodos glaciais e interglaciais), que ocasionaram a formação de planícies sedimentares arenosas ao longo de toda a costa brasileira. Sobre essas formações geológicas, desenvolveu-se um ecossistema característico desses ambientes, o qual encontra-se bastante ameaçado especialmente pela no litoral. |
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Os ambientes de restinga são recentes do ponto de vista geológico,
apresentando idade aproximada de 8 mil anos. |
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*Restinga é o termo
comumente utilizado de duas formas distintas: geologicamente, significa
a parte física, próximo à praia onde ocorre acúmulo
de areia; biologicamente, esse termo é usado para caracterizar
a vegetação que recobre essa área.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
ARAÚJO, D. S. D. de & LACERDA, L. D. de. A natureza das restingas. Ciência Hoje. Rio de Janeiro, v.6, n.32, p.42-48, 1987. BACKES, P & IRGANG, B. Mata Atlântica: as árvores e a paisagem. Editora Paisagem do Sul. 2004. COUTO, O.S.Manual de reconhecimento de espécies vegetais da restinga do Estado de São Paulo. Secretaria do Meio Ambiente, Governo do Estado de São Paulo.São Paulo, 2005. DRUMMOND, J. A. Devastação e preservação ambiental - Os Parques Nacionais do Estado do Rio de Janeiro. Niterói : Eduff, 1997. HUECK, K. Plantas e formação organogênica das dunas do litoral paulista: parte I. São Paulo, Instituto de Botânica, 130p., il., 1955. LAMEGO, A.R. (1974) - O Homem e a Restinga. Rio de Janeiro: Editora Lidador (2ª Edição). 306 p. SAMPAIO, D et al. Árvores da Restinga – Guia de Identificação. Editora Neotrópica, 2005. |
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