COMPLEXO INDUSTRIAL NAVAL DE GUARUJÁ
As obras indiscriminadas de aterro, iniciadas em 1987, destruíram mais de 2 milhões de metros quadrados de manguezais (*). Somente a construção do sistema viário resultou no confinamento dessas florestas, impedindo as trocas realizadas pelo fluxo das marés necessário a este ecossistema, quebrando o ciclo ecológico.

Como conseqüências dessa devastação morreram mais de 150 mil metros quadrados de matas e toda a variada fauna que nela habitava, dos quais 70.500 metros quadrados deveriam ter sido integrados às áreas verdes previstas no projeto. Além disso, parte deste impacto poderia ter sido evitada ou minimizada pelo simples atendimento às legislações vigentes ou por alterações do sistema viário.

O material de aterro, proveniente da dragagem dos canais e, na maior parte, dos morros do Botelho (Pitiú) e Icanhema, provocou o represamento de água doce com a conseqüente instalação de uma vegetação paludosa, que atualmente abriga uma fauna bastante diversificada.


(*) Com base em informações contidas nos autos do processo e dados levantados na EMURG, foi elaborado um histórico resumido dos principais fatos relacionados à implantação do CING, efetuado pelo engenheiro agrônomo Sérgio Luis Pompéia no Laudo Técnico de 30 de Novembro de 1989.

Entre a listagem dos fatos encontramos que no dia de 15 de Março de 1982 houve fornecimento de Autorização de Desmatamento (Processo AS 56.80l/82) de uma área de 119 hectares de Capoeira na área do CING (autorização nº. URSA 56.801/82), emitida pelo engenheiro agrônomo Reginaldo Amaral, da Divisão de Proteção de Recursos Naturais.

CARACTERIZAÇÃO DO MANGUEZAL NO CING, 1989
Extraído do Laudo Técnico de Impacto Ambiental provocado pela implantação do CING.

De acordo com os pareceres técnicos da CETESB e da Dra. Yara Schäffer Novelli, a área do CING era ocupada por cerca de um milhão e 500 mil metros quadrados de manguezais formados por bosques, com altura estimada de sete a nove metros, caracterizando-se como um dos mais desenvolvidos do estuário de Santos.

Sua localização, em frente ao canal do Porto e bem próximo à Baia de Santos, confere a este manguezal o importante papel de estabilizar o fluxo de sedimentos provenientes dos morros Icanhema e Pitiú e dos terraços sedimentares circunvizinhos, crescentemente ocupados pela expansão urbana do Guarujá. Tais sedimentos poderiam (ou podem) contribuir significativamente para o assoreamento do canal do maior porto do país, gerando despesas de alto vulto para sua manutenção e dragagem. É importante salientar que este assoreamento, que vem se intensificando, se deve em grande parte à ocupação desordenada dos manguezais em toda a Baixada Santista, a exemplo do que ocorreu na área do CING.

O importante papel dos manguezais da Baixada Santista na contenção do assoreamento do Porto de Santos é amplamente tratado no relatório 7.443 do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), sob o título Estudos Geológicos e Sedimentológicos no Estuário Santista, emitido em 1974.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
A TRIBUNA. Santos: Domingo, 24 de Junho, 1979. Págs. 28/29.

AÇÃO CIVIL PÚBLICA do Ministério Público do Estado de São Paulo. Equipe regional de Proteção ao Meio Ambiente da Baixada Santista. Guarujá: 8 de Setembro, 1987.

POMPÉIA, Sérgio Luís. Laudo Técnico sobre Impacto Ambiental provocado pela implantação do Complexo Industrial e Naval de Guarujá-CING. São Paulo: 30 de Novembro, 1989. Pág. 02.