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cerca de 100 metros dali, a Vila Santo Antônio ainda guarda as marcas
de mais uma sobrecarga de detritos legados ao rio. Um trecho de mangue
próximo àquele bairro foi utilizado durante cerca de um
ano como depósito de lixo da Prefeitura, tendo uma área
de 70 mil metros quadrados sido recuperada pelo sistema de aterro sanitário,
ou seja, superposição alternada de detritos e areia. Em
contrapartida, o velho rio perdeu seus amborés (peixes de toca),
caranguejos, siris e maria-mulatas, sem falar nas gaivotas e socós,
que deram lugar a urubus, que até hoje sobrevoam a região,
um ano após a extinção do depósito. O lixão
contribuiu, ainda mais, para estreitar o leito do rio e eliminar os pequenos
córregos que formavam seu sistema de drenagem natural. |
Isso ocorreu na margem próxima à atual estação
rodoviária, onde também foi adotado um aterro sanitário
e onde o mangue perdeu parte de sua extensão. E o problema se estende
para as imediações da Estrada Cubatão-Piaçagüera,
onde foram aterradas áreas próximas ao curso de água,
visando à implantação de pátios de contêineres.
Violentam, também, o sistema natural de drenagem, os cerca de dois
quilômetros de favelas implantadas às suas margens, desde
aquela rodovia, até a região da Cachoeira.
NASCENTES
Somente a partir da Cachoeira, já distante da área urbana
de Guarujá, é que o Rio Santo Amaro está sendo menos
incomodado. Os pouco mais de três quilômetros que separam
aquele trecho das nascentes da Serra de Santo Amaro ainda abrigam aves,
crustáceos e peixes e a vegetação mantém a
maior parte de suas características. Mas, até quando?
O Santo Amaro, em seus primeiros quatro quilômetros recebe forte
influência do canal do Porto de Santos e, por isso, na maré
cheia, a correnteza é em direção ao interior da Ilha
de Santo Amaro, predominando a água salgada.
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Entretanto, na maré vazante ou estável, o curso se inverte,
ou por força do retorno da água do estuário, ou por
predominância do líquido proveniente da Serra de Santo Amaro,
onde há inúmeros mananciais, responsáveis pela alimentação
de diversos cursos e leitos de água, entre eles o lago denominado
Saco do Funil, na região da Cachoeira. Ali, então, passa
a predominar a água doce e a fauna e flora são diversificadas.
A presença humana nesse trecho, contudo, é pequena. O rio
apresenta inúmeras bifurcações, leito estreito e
muita vegetação superior que, em alguns casos, cobre todo
o leito, tornando problemática a navegação, que é
feita, a muito custo, com pequenas canoas.
A alimentação das nascentes da serra constitui pouca garantia
da sobrevivência do rio, já que seu maior volume de água
provém, mesmo, do mar. E o mar não está encontrando
tantas facilidades para escoar pelo velho leito, reduzido e assoreado
por aterros e lixos.
Durante 1980, o Departamento de Águas e Energia Elétrica
do Estado (DAEE), em um projeto visando a evitar enchentes na Vila Santo,
cogitou de promover obras de retificação e dragagem do Santo
Amaro, visando a torná-lo plenamente navegável, a partir
da Via Santos Dumont. Isso possibilitaria a criação de uma
hidrovia, a partir da estação rodoviária até
o estuário.
O projeto, de alto custo, não foi executado, a Vila Santo Antônio
até hoje é inundada e o Rio Santo Amaro continuou tendo
suas margens e leito violentados.
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