OS MIGRANTES
Assim como nas periferias de outros centros urbanos no Brasil a comunidade sofreu o impacto do que foi chamado Êxodo Rural. A partir da década de quarenta começou a fluir para a comunidade e em torno, um fluxo cada vez maior de migrantes de outras regiões impulsionados pelas dificuldades da vida no campo, e pela possibilidade de emprego e melhores condições de vida.

Vamos encontrar os primeiros migrantes (isso até o final da década de cinqüenta) como oriundos de diversos estados, com predominância dos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e mais fortemente do Paraná, além é claro dos próprios moradores da Baixada Santista que por motivo de fuga dos aluguéis dirigiu-se para a área.

 
 
 
Recorte do jornal “A Tribuna” de 20 de outubro de 1971, em que ainda havia uma praia de areia no Sítio Conceiçãozinha
 
Recorte do jornal “Cidade de Santos” de 23 de Novembro de 1979 que mostra a primeira construção documentada no Sítio Conceiçãozinha (1922
 
 
Nas décadas de sessenta, setenta e meados de oitenta serão os migrantes do êxodo rural que começarão a ocupar a região. Serão basicamente pessoas do norte e nordeste do Brasil que muitas vezes interromperão suas trajetórias e se fixarão na comunidade.

Até que finalmente, nas últimas ocupações o fato que vai ocorrer é basicamente a “mudança de bairro”. Moradores de outras áreas, para fugir do aluguel vão passar a ocupar a área.

“São pessoas desempregadas que vêm fugir do aluguel, são pessoas, principalmente de Vicente de Carvalho, diferentemente de até a década de 70, que eram pessoas do Nordeste, que fugiam pra cá, mas era uma mini-ocupação. De 90 pra cá, já é uma ocupação do próprio município ocasionada principalmente pela falta de dinheiro, e vão para as áreas de mata.”

ATIVIDADES POLITICAS
A atuação de militância política no Bairro vai influenciar muito a noção dos moradores de que a posse “de fato” seria deles.

“(..). começa com a vinda da Edméia Ladewig (assistente social), com o pessoal do Projeto Rondon. Ela começa a trabalhar com os pescadores, para transformar o Sítio Conceiçãozinha numa agrovila. Daí começam as discussões com a comunidade sobre a posse da terra, organização da pesca, e essas idéias ajudam na criação da Sociedade de Melhoramentos da Conceiçãozinha (SOMECON). Também nessa mesma época, a Edméia tenta formar junto com os pescadores uma associação de pescadores, para que pudessem entrar em contato com a sua cultura e que a pesca fizesse parte da renda familiar. Fundam a União dos pescadores (UNIPESC), mas que não estava juridicamente legalizada por falta de instrumentos e por ainda estar em período de Ditadura Militar. Freqüentemente a Base Aérea estava cadastrando as pessoas do Sítio, pois se dizia proprietária da área, e iam construir um aeroporto naquela área. Sendo assim a SOMECON conseguiu ser legalizada em 79/80, já a UNIPESC só foi legalizada em 1996” Newton Rafael Gonçalves, liderança comunitária.


Este texto foi tirado do Trabalho de Conclusão de Curso , 2002: Sítio Conceiçãozinha – O Impacto da Urbanização e Industrialização em uma Comunidade Tradicional Caiçara, do Professor Carlos Eduardo Vicente
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