Undo-Kai 2007
     |     Santos ganha homenagem...    |     Tomie Ohtake
 Moeda em comemoração aos 100 anos da Imigração Japonesa
Tsuka Yamazaki e Tomie Ohtake

 

Undo-Kai 2007

 
 



Santos ganha homenagem de Tomie Ohtake

Em Santos Tomie teve a primeira imagem do Brasil, depois de passar 45 dias a bordo do navio que a trouxe do Japão. Mais tarde, por muitos anos, ela visitavou a cidade frequentemente com os filhos.
Para Tomie Ohtake, como para milhares de japoneses que entraram no Brasil pelo porto de Santos, talvez a referência primordial de Santos esteja ligada a essa “primeira imagem”, identificando Santos, como o ponto de partida da odisséia em terra estrangeira.

Assim, Santos se mantêm presente na trajetória desses estrangeiros, pois faz parte da história de cada um deles também.

Neste rumo ao Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, a cidade de Santos recebeu um presente, que ressalta sua importância neste acontecimento. A cidade de Santos ganhará uma escultura da artista plástica Tomie Ohtake, em comemoração ao Centenário da Imigração Japonesa.  

A artista recebeu em sua casa o prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa, e os diretores da Associação Japonesa de Santos, Hiroshi Endo e Shitiro Tanji. Na ocasião, ela entregou a maquete da escultura ao prefeito.


Maquete da escultura.
Fonte www.santos.sp.gov.br
 

Exposição da maquete no
Undo-kai 2007
 

A inauguração da obra será o ponto crucial para as comemorações do Centenário da Imigração Japonesa em Santos, em junho de 2008 (data do desembarque das primeiras famílias japonesas no Brasil).

A escultura será monumental: feita de aço, pintada de vermelho, terá 15m de altura, 20m de extensão e 2m de largura, e ficará na extremidade da plataforma do Emissário Submarino.

Apesar da boa notícia, a cidade de Santos ainda tem um grande desafio pela frente: tentar receber um membro da família imperial para a inauguração da escultura, já que ela deverá ser o marco das comemorações da região no centenário. A missão ficou a cargo da Associação Japonesa de Santos, que tentará trazer um dos membros da família imperial, que ainda não confirmou presença nos festejos de 2008 em Santos.

 


Referências

Diário oficial, 09 de Março de 2007.
Miranda, Ana. Tomie Cerejeiras na noite.Companhia das letras, 2006.
www.institutotomieohtake.org.br
www.santos.sp.gov.br

 


Tomie  Ohtake

Vida e obra

Nascida no Japão, na cidade de Kioto em 1913, Tomie era filha caçula de uma família de quatro filhos, única filha e como todas as famílias nipônicas, educada para se casar. E em 1934, veio para o Brasil e instalou-se na cidade de São Paulo. Mas de acordo com a tradição japonesa uma moça não poderia passar dos 25 anos solteira. Portanto, através de um de seus irmãos conheceu Ushio Ohtake, com quem casaria e teria dois filhos: Ruy e Ricardo Ohtake.

Desde a adolescência se interessava pela arte, mas não pode realizar esse tipo de atividade e, por muitos anos, Tomie só se dedicara aos afazeres domésticos, como uma boa esposa. Mas foi aos 40 anos que Tomie retoma seus sonhos, seu desejo pela arte.

Este desejo de ser artista reapareceu ao visitar uma exposição do artista plástico japonês Keisuke Sugano, em 1952. Tomie teve algumas aulas com o artista. No começo de sua carreira retratava paisagens, principalmente do bairro paulistano onde morava; pouco depois trocou a arte figurativa pela abstrata. Ano seguinte já participava do Salão Paulista de Arte Moderna e do Salão do Grupo Seibi, ao lado de Flávio-Shiró, Kaminagai, Manabu Mabe, Tikashi Fukushima, entre outros.

 Em 1969, começou a trabalhar com serigrafia e posteriormente executa litografias e gravuras em metal. Realiza diversas obras públicas, como o painel pintado no Edifício Santa Mônica, na Ladeira da Memória, em São Paulo; a escultura Estrela do Mar, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro; a escultura em homenagem aos oitenta anos da imigração japonesa no Brasil e painéis para o Memorial da América Latina. Em 2000, é lançado em São Paulo o Instituto Tomie Ohtake, idealizado e coordenado por Ricardo Ohtake e projetado por Ruy Ohtake.


Tomie em seu ateliê

Artista consagrada, aplaudida e reconhecida pela crítica, recebeu inúmeros e significativos prêmios: melhor pintor do ano em 1974, 1979 e 1983, e em 2001 o prêmio personalidade artística do ano da Associação Paulista de Críticos de Arte. Em 1995 conquistou o Prêmio Nacional de Artes Plásticas do Ministério da Cultura.

Para uma artista que começou a pintar aos 40 anos, Tomie Ohtake é protagonista de uma trajetória surpreendente no mundo da arte, onde a todo o momento fica marcada em sua obra, sua capacidade de inovação e reinvenção que tem sobre ela. A experimentação é fundamental. Atualmente Tomie é considerada uma das artistas mais influentes e ativos no campo da arte.

 Sobre esta trajetória, que teve mudanças radicais a partir dos anos 60, quando ela se naturalizava brasileira, pois é neste momento que sua arte passa por processos de maturação, que continuaria ao longo de sua carreira. Vale destacar a pintura que partia da abstração informal, que acaba desencadeando neste processo a substituição da imaterialidade aparente, pelo estado de relação entre forma e cor. Pinturas, gravuras e esculturas, definem todo este experimentalismo incomum, o que torna sua obra de um estilo ímpar. Entre formas ovais, retangulares, cruciformes, quadrados - sugerindo a forma perfeita, a figura geométrica ou talvez de um signo, ou não. Uma carreira consagrada, construída ao longo dos últimos cinqüenta anos. Sempre incansável, aos 93 anos, Tomie continua fazendo arte e inspirando novos e consagrados artistas com suas cores e formas.


Referências

Diário oficial, 09 de Março de 2007.
Miranda, Ana. Tomie Cerejeiras na noite.Companhia das letras, 2006.
www.institutotomieohtake.org.br
www.santos.sp.gov.br


Moeda em comemoração aos 100 anos da Imigração Japonesa

Segundo a imprensa japonesa, o Ministério das finanças do Japão informou que emitirá uma moeda em comemoração aos 100 anos de Imigração Japonesa no Brasil. A moeda terá o valor de 500 yens, sendo que uma das faces aparecerá a imagem da escultura de uma família japonesa que pertence ao jardim da praia de Santos. A outra face mostrará um desenho de flores de cerejeira e grãos de café, como símbolo dos dois países, respectivamente.

O valor da moeda será o de sua denominação (U$ 4, 19) o seu tamanho será de 26,5 mm, sendo sua composição de bronze, zinco e níquel. A data prevista para o seu lançamento é em março de 2008 e as mesmas serão vendidas nas Instituições financeiras do Japão.
 

 

Um pouco sobre a escultura do imigrante japonês em Santos - À terra natal...

Em uma busca para a preservação das lembranças de uma relação da cidade de Santos com os imigrantes japoneses, que fora iniciada a partir do desembarque desses primeiros imigrantes em 1908, foi inaugurado do dia 21 de Junho de 1998, o monumento em comemoração às essas lembranças. Este monumento está localizado em frente à Avenida Conselheiro Nébias no bairro do Boqueirão e é composto por três estátuas de bronze, o pai, a mãe e o filho e apontam para o interior do país. Esta escultura tem aproximadamente 5 m de altura e foi esculpida pela artista plástica Cláudia Fernandes. O projeto do monumento foi coordenado pela Prefeitura de Santos em parceira com a Prefeitura de Kobe, no Japão.  Foi construída e implantada, dois anos depois, outra escultura idêntica a existente aqui, em Kobe, sendo que a de lá aponta para o destino dos primeiros imigrantes, o Brasil, especificamente o porto de Santos.

 

Referências

Sobre a moeda:
www.ipcdigital.com
Acesso dia 22/05/2007

Sobre o monumento:
A Tribuna/ dia 14/06/1998.
Diário Oficial de Santos/ dia 15/06/2000

 


Tsuka Yamazaki e Tomie  Ohtake

Próximo de se comemorar o centenário da imigração japonesa em Santos a cineasta Tsuka Yamazaki irá produzir um documentário sobre o processo da produção da escultura em homenagem ao centenário, doada pela artista Tomie Ohtake a Santos, que fará parte do projeto de reurbanização da plataforma do Emissário Submarino.

A cineasta é famosa por realizar trabalhos referentes à presença japonesa no Brasil, como o filme “Gaijin”, um de seus trabalhos mais reconhecidos e premiados nacional e internacionalmente.

Tsuka promete que o documentário trará uma visualidade sutil da cidade, sobre o olhar de Tomie, para a concretização de sua obra. Explica que o documentário terá duração de mais ou menos 30 minutos e será denominado “Caminhos que se cruzam”.


Tsuka Yamazaki



Projeto para Plataforma do Emissário Submarino de Santos
com a escultura de Tomie Ohtake


Referências

"Jornal da Orla", de 26 de agosto de 2007.