A Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba) encontrou uma saída para o impasse que atrapalha a expansão do Porto de Salvador e impede o aumento na quantidade de contêineres movimentados no empreendimento. Uma área de 32 mil m² que fica ao lado do Terminal de Contêineres (Tecon) será aditada e controlada pela empresa Wilson,Sons. E uma outra área no Porto será usada como berço público de atracação de navios com contêineres. No futuro, este berço será licitado. Secretaria Especial de Portos (SEP) e Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) aprovaram a proposta.
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Nos últimos meses, a Codeba passou a defender o aditamento da área disponível para a Wilson,Sons. Os dirigentes da estatal entendiam que esta seria a solução mais prática para atender uma necessidade: melhorar, de forma urgente, a infraestrutura aos contêineres em Salvador. No entanto, empresários e usuários do Porto reclamam, há anos, do monopólio da arrendatária do Tecon Salvador e exigiam a licitação da área de 32 mil m². Com a aprovação desta proposta, o presidente da Codeba, José Rebouças, espera ter achado uma solução definitiva para a comunidade portuária.
“Estabelecemos como meta apresentar um projeto de consenso. Procuramos a SEP e a Antaq com a proposta. Ressaltamos que o Tecon está saturado e apresenta riscos em suas operações. Aqui se empilha de seis a oito contêineres no pátio, por falta de espaço. É um risco que precisa ser cortado. Em vez de aditamento ou licitação, resolvemos conciliar tudo. Se licitássemos a área de 32 mil m², criaríamos um problema: navios modernos não conseguiriam atracar no local. Teríamos duas empresas operando com berços pequenos e mais gargalos”.

Esquema produzido pela Codeba esclarece intenções da estatal para o desenvolvimento do porto soteropolitano
A figura acima mostra que o Tecon Salvador possui dois berços de atracação com 250 metros de extensão cada. O problema é que muitos navios exigem pelo menos 300 metros de cais para descarregar. Sem aditamento e com licitação, tanto a Wilson,Sons quanto a empresa vencedora da hipotética licitação ficariam com berços pequenos para abrigar embarcações modernas. Na solução divulgada pela Codeba, tanto a atual arrendatária quanto o cais público terão 350 metros de extensão. Entretanto, é certo que o contrato com a Wilson,Sons será rediscutido, informou o presidente da Codeba.
“Voltaremos em Brasília dentro de, no máximo, 60 dias, com a proposta fechada no papel. Temos a licença ambiental para a área e o ministro dos Portos [Pedro Brito] nos garantiu que liberará o dinheiro. O novo berço público deve custar algo em torno de R$ 100 milhões. Não vou adiantar prazo para o fim da obra, mas ela começará em 2010. Na área aditada, caberá à Wilson,Sons fazer as melhorias. A empresa está sabendo, concordou com tudo. O Porto de Salvador atingiu em 2007 a movimentação de contêineres que se projetava para 2025. Por isso, o gargalo”.
José Rebouças não teme que o assunto seja discutido na Justiça e que alguém tente interromper o processo de expansão do porto soteropolitano. Para ele, “quem for contra tem que ter uma base legal muito consistente para isso e ninguém aceitará uma ação de quem é contra porque resolveu ser contra e acabou”. Como vem fazendo nas últimas quatro semanas, a reportagem do PortoGente procurou a empresa Wilson,Sons para comentar a expansão do Porto de Salvador, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
Website: www.codeba.com.br