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Texto atualizado em 15 de Novembro de 2011
Cabedelo sem navios

Bruno Rios
reportagem



O presidente do Sindicato dos Estivadores do Porto de Cabedelo (Paraíba), José Valentim de Moura, admitiu ao Portogente que a falta de navios no cais atrapalha a vida dos 75 estivadores paraibanos. Neste momento, fica difícil para eles conseguirem até mesmo pagar as contas em casa com o dinheiro obtido nas operações de carga e descarga de mercadorias. A maioria faz bicos em outras áreas para faturar.

 

“Hoje não dá para o estivador sobreviver com o dinheiro do porto. E o problema é simples: está falando navio para atracar aqui. Se não há mercadorias para nossa indústria despachar, a cabotagem ao menos poderia ser incentivada. Mas isso não acontece. E temos muitos estivadores, a maioria dos 75 homens, se virando como pedreiro, pintor e o que mais aparecer pela frente. Em novembro deve passar por aqui apenas um navio. Isso é muito ruim”.

 

Valentim explica que, em outubro, cinco embarcações atracaram no Porto de Cabedelo. “Foi um dos melhores meses por aqui. Deu para todo mundo faturar. Só que novembro dá mostras de que será igual a setembro, com um navio só. Assim a gente não consegue sobreviver apenas do trabalho no porto". A esperança é de que novas cargas possam desembarcar em Cabedelo a partir de dezembro. Mas nada de concreto garante a melhoria desta situação.

 

“Somos apenas estivadores doidos para trabalhar. Se algum porto do País precisar de homens para descarregar navios e quiser planejar um intercâmbio com a Estiva de Cabedelo, a gente vai correndo para ganhar dinheiro. Já tentamos algo similar no passado e quase fechamos uma parceria com o Porto do Recife, mas na hora “h” deu tudo errado e ficamos por aqui”.

 

Apesar da situação desanimadora do principal porto paraibano, o sindicalista diz que os anos de 2008 e 2009 foram ainda piores que o segundo semestre de 2011. “Naqueles tempos, tivemos vários meses com um navio só. O pior é que não temos o que fazer. Talvez se parassem de mudar a todo o momento os administradores do porto, poderíamos desenvolver um projeto para atrair mais cargas e ganhar mais dinheiro”.

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