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  • Jornalista preserva, sozinho, história do Porto de Natal  
    Texto atualizado em 23 de Janeiro de 2009 s
    Bruno Merlin
    reportagem
     
    Um trabalho isolado e com mais de 35 anos de dedicação preserva a memória do Porto de Natal (RN) sem qualquer apoio oficial. Enfrentando a indiferença dos diretores da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) e das autoridades locais, o jornalista Aproniano César Fagundes Soares, de 49 anos, disponibiliza ao público mais de 800 peças e 20 mil recortes de jornais que contam a trajetória das operações no cais potiguar no Museu do Porto de Natal.

     

    O extenso acervo reflete a importância sócio-econômica e cultural do Porto para toda a região Nordeste do País. Os materiais e souvenires expostos foram colecionados por Aproniano desde sua adolescência. Em entrevista ao PortoGente, ele afirmou que a maior parte desses objetos foi doada por tripulantes de navios estrangeiros. Alguns outros foram encontrados completamente abandonados na região portuária. “O Museu é um esforço pessoal. O Porto, mesmo, não guardou sua história”.

     

    Fundado em 2004, o Museu está localizado em uma sala do Mercado Público de Petrópolis. Aproniano resolveu compartilhar sua paixão pelo Porto com a população e hoje recebe visitas de crianças, professores, portuários, políticos, exportadores e turistas. “Eu nasci na beira do cais. Desde jovem visitava o Porto e juntava souvenires e peças abandonadas. São peças que somem nas Docas, mas que levando para lá ao menos não somem. Tenho mais de cinco mil itens do Porto de Natal, mas o espaço é pequeno e composto de apenas 800 dessas peças, todas catalogadas”.

     

    Mercado da capital potiguar abriga museu administrado por Aproniano

     

    O jornalista precisa financiar as despesas geradas pelo funcionamento e pelas visitas efetuadas ao local. Apesar de ter solicitado apoio oficial da Codern em diversas ocasiões, ele nunca obteve sucesso, mesmo que os funcionários da Companhia considerem o espaço de grande importância e o visitem frequentemente. “Já tentei apoio com os diretores anteriores e com os atuais. Mas gente de cargo comissionado não tem o amor que eu tenho pelo Porto de Natal”. O máximo que o fundador do Museu recebeu da Codern foi uma placa em sua homenagem.

     

    Formado em 1978, Aproniano mantém uma coluna diária no Jornal de Hoje. Inteirado dos acontecimentos locais, ele pretende buscar apoio com a prefeita eleita no final do último ano, Micarla Araújo de Sousa Weber (PV). “Antes de assumir a Prefeitura, ela já era dona [desde 1998] da TV Ponta Negra, uma retransmissora local do SBT. Sempre que podia ela citava o Museu nos programas. Sempre deu uma grande força. Ela também nasceu na beira do cais e disse que iria ajudar. Vou esperar o Carnaval para sentar com ela e conseguir realizar melhorias”.

     

    Entre as melhorias desejadas pelo fundador do Museu está a implantação de um sistema de climatização. O jornalista aguarda, também, a possibilidade de transferi-lo para um local maior, mais atrativo e mais próximo de suas raízes, ou seja, do Porto de Natal.

     

    Acervo

    Aproniano fala com orgulho sobre algumas das peças mais requisitadas do Museu. Entre elas estão: uma fotografia que registra o encontro de Getúlio Vargas com o ex-presidente norte-americano Franklin Roosevelt a bordo de uma embarcação no Porto, na década de 1940 e o leme original do ‘Walsa’, o primeiro rebocador que operou nas águas potiguares.

     

    Outro objeto que desperta grande interesse nos visitantes é uma balança de 1952 que era utilizada para pesar algodão mococa, a peça mais antiga em exposição. Esse algodão garantia uma boa divisa para os produtores locais, já que era enviado para território norte-americano. O Museu conta, ainda, com uma maquete que simula o antigo transporte de mercadorias fabricadas no estado. O funcionamento indica como as operações ocorriam, desde a retirada do produto nos vagões de trem até o embarque dos contêineres nos navios.

     

    A coleta de objetos é um esforço pessoal de quem se diz apaixonado pelas atividades portuárias. Assim, algumas das principais fontes de pesquisa de Aproniano são profissionais gabaritados e experientes do ramo, como agentes marítimos que tiveram experiência na companhia de navegação Lloyd Brasileiro.

     

    Além de administrar o funcionamento do local, Aproniano organiza palestras a respeito da história do Porto, especialmente para escolas da região. Todas essas atividades, lamenta, consomem dinheiro e muito tempo para organização. O jornalista arca com as despesas de energia e teve que instalar um bebedouro com recursos do próprio bolso. “Não quero lucrar um real, quero estrutura, que façam molduras para um quadro, por exemplo. Gostaria também de distribuir pequenas lembranças para quem visita o Museu, mas com meu dinheiro não dá”.

     

    Entre seus principais desejos está informatizar as informações históricas do Porto. “Mas quem vai scannear os milhares de recortes de jornal, se eu sou assalariado e preciso trabalhar? Tento compartilhar a minha paixão com as pessoas, mas ninguém se interessa a ajudar”. Apesar dessa forte ligação, Aproniano jamais trabalhou em alguma função portuária.

     

    O Museu do Porto abre para visitação de segunda a sexta-feira. As terças e quintas, o horário de funcionamento é das 8h às 12 horas. Já as segundas, quartas e sextas, o local fica aberto das 13h às 17h. O endereço é Avenida Hermes da Fonseca, 407 – 1º andar. Quem quiser entrar em contato, deve ligar para (84) 3206-5768. Mas para Aproniano não há limites de datas ou horários. “Se me solicitarem, até no domingo vou lá para abrir e para que conheçam o lugar. Sou feliz, faço uma coisa de que gosto”.

     


    Website:
    www.codern.com.br

     
    Enviado por ceará em 26/07/2010  (natal/rn)
    Site: cearasantiago@hotmail.com
    o cesar é um profundo conhecedor da historia do nosso porto,digo isso porque convivemos bastante tempo na ¨beira do cais á espera de melhoras que foram muito áquem do que nosso porto merece,falta vontade politica não é mesmo grande cesar?voce é um grande lutador,abraço!
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