O Porto do Recife comemora verbas disponibilizadas pela Secretaria Especial de Portos (SEP), pelo governo pernambucano e pela iniciativa privada para, enfim, terminar com as longas filas de espera para atracação de navios durante a safra de açúcar e com a recepção precária aos turistas de todo o mundo. Em convênio assinado na última semana, com a presença do ministro-chefe da SEP, Pedro Brito, e do governador, Eduardo Campos (PSB), mais de R$ 30 milhões foram designados para obras no porto nordestino. O novo terminal marítimo, que ficará no armazém 7 do Porto, será viabilizado por R$ 2,8 milhões, enquanto a dragagem deve consumir cerca de R$ 24,4 milhões, buscando atingir a profundidade de 11 metros e meio em todo o canal de acesso. O diretor-presidente do Porto, Alexandre Catão, contabiliza, ainda, R$ 2,6 milhões da SEP e R$ 1,4 milhão do estado para a repavimentação interna e de acesso terrestre ao porto.
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O novo terminal de passageiros irá substituir a inativa instalação no cais de Recife, que não vem sendo utilizada no embarque e desembarque de turistas devido à falta de profundidade para atracação dos navios de cruzeiro. Na última temporada, o Porto recebeu 71 escalas e mais de 40 mil passageiros, todos atendidos sem infra-estrutura adequada. A previsão de Catão é de que, com a implantação do terminal, o número de turistas aumente em 30%. A iniciativa, há de se ressaltar, vai na contramão da atitude da Codesp, que em fevereiro deste ano restringiu a quantidade de cruzeiros marítimos que poderão atracar no Porto de Santos.
O diretor-presidente do porto recifense espera que as obras tenham início em agosto, com o término previsto para novembro, já buscando atender os turistas da próxima temporada. O terminal terá, inicialmente, dois mil metros quadrados em um único pavimento.
Em relação ao transporte de carga, Catão lamenta que, na última safra de açúcar – que acontece entre novembro e maio – as embarcações que transportavam a commoditie ficaram de 12 a 20 dias aguardando para atracar no cais de Recife, encarecendo o custo das operações. “Hoje o Porto só tem dois ou três berços em condições para operar os navios. E sendo 15 mil dólares por dia, no mínimo, de demurrage, imagina o quanto o pessoal teve que desembolsar”.
Pela sua localização estratégica na região Nordeste, o Porto do Recife – que completará 90 anos no dia 12 de setembro próximo - movimenta cerca de 700 mil toneladas de açúcar anualmente. A direção do complexo portuário conta com o início das obras para agosto, prevendo que a execução da dragagem deve levar cinco meses, o que, durante as obras, já garantiria alguns berços liberados para atracação de embarcações de grande porte durante a safra da mercadoria.
Além das verbas oriundas do poder público, Catão está buscando recursos da iniciativa privada para alavancar o Porto do Recife. Durante entrevista ao PortoGente, o diretor-presidente lembrou de matéria publicada há um ano, que apontava que o porto pernambucano estava “saindo do caixão”. “Saímos do caixão executando projetos que estavam paralisados e atraindo investidores. A instalação de dois grandes terminais deve ser anunciada em breve. Eles só estão esperando o lançamento do edital da dragagem para se manifestar”. Não autorizado a divulgar o nome das empresas, Catão adiantou apenas que um terminal é originário de São Paulo e o outro do sul do País.
Os recursos da iniciativa privada também irão garantir outra obra, que é um dos xodós de Catão. A revitalização das áreas abandonadas do cais recifense será integralmente bancada por verbas de empresários e está orçada, inicialmente, em R$ 70 milhões. O aproveitamento dos espaços para negócios, lazer e atividades turísticas, ressalta ele, renderá receita de arrendamento e durante operação para o Porto. “É um projeto de grande repercussão para toda a cidade do Recife, e também para todo o entorno e até para o estado, já que será uma grande atração turística”.
Catão alega que com as ações de sua gestão, o Porto do Recife já se encontra equilibrado financeiramente. “Saímos de um déficit de 3 milhões e 800 mil reais em 2006 e passamos para um prejuízo menor, de 600 mil reais em 2007. Creio que finalizaremos esse ano sem déficit. Com esse equilíbrio, buscaremos informatizar maciçamente todas as nossas atividades”.
Na solenidade em que atuou como anfitrião de Pedro Brito, o diretor-presidente enfatizou a necessidade dos gestores de portos terem visão de toda a cadeia logística. “Conversei isso com o ministro na ocasião. Acho que chegou a hora de acabar com essa nomeação de pessoas que não tenham noção do que significa um navio ficar esperando dias lá fora para atracar. Chega de quem está sentado na cadeira (da direção do Porto) ser um político que não entende nada disso. Precisa ter visão do contexto como um todo, estar preocupado com todos os modais e entender toda a logística operacional”.
Website: www.portodorecife.pe.gov.br