Ao completar seis anos de operações, o Porto do Pecém, no Ceará, ainda tem muito para crescer e desenvolver, principalmente se os três projetos de expansão de um dos complexos portuários mais novos do Brasil saírem do papel como planejados. Os novos espaços para terminais de cargas, gás natural e movimentação de produtos de múltiplo uso vão mudar a cara do porto caçula do Ceará a partir deste ano.
A garantia carregada de otimismo dada à reportagem do PortoGente vem dos diretores de Infra-Estrutura, Francisco Humberto Castelo Branco Araújo, e de Implantação e Expansão, Luiz Hernani Júnior. Animados com as recentes conversas junto ao ministro dos Portos, Pedro Brito, eles apostam em uma convivência harmônica com o tradicional Porto de Fortaleza para ganhar destaque no cenário nacional e atrair novos investidores.
“Não existia uma preocupação das autoridades estaduais e federais de unir os portos do Pecém e Fortaleza em uma só política portuária. Isso começou de dois anos para cá, o que melhorou nossa situação, certamente. E para os que acham desnecessário o Ceará ter dois portos, digo alguns números. Em 2001, Fortaleza movimentou 60 mil TEUs em contêineres. Agora, Fortaleza e Pecém, juntos, respondem por pelo menos 200 mil TEUs ao ano, um salto gigantesco”, frisa Humberto Castelo Branco.
O diretor de Implantação e Expansão da Ceará Portos, empresa responsável por administrar Pecém, Luiz Hernani Júnior, lembra que o sucesso do complexo vem da aposta em unir porto e complexo industrial em uma só área, mesmo conceito usados em projetos novos e arrojados, como os portos Brasil, Açu e Sul, em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, respectivamente. Há demanda para novos projetos no Ceará.
“Temos 15 metros de calado sem nenhuma dor de cabeça com dragagem. Podemos receber navios modernos, ainda mais com os novos terminais de cargas e de gás natural. Queremos atrair de tudo um pouco, pois temos uma área de 330 km². É muito terreno disponível. O Terminal de Múltiplo Uso (Tmut) deve estar com a licitação de construção publicada nas próximas semanas. Estamos trabalhando bastante para dar não perder a oportunidade de crescimento do setor”.
Oportunidade de ouro
No segundo semestre será feito o primeiro abastecimento de gás natural liqüefeito (GNL) ao terminal de regaseificação do Pecém. O fato histórico aconteceria em maio, mas mudou de data a pedido da Petrobras, que participa do programa. O GNL servirá, prioritariamente, para abastecer o mercado termelétrico, tudo a partir do Pecém. A intenção do Governo do Ceará é finalizar todas as expansões do porto até o ano de 2011 e explorar a cabotagem no Nordeste do Brasil.
“Pecém emprega hoje cerca de 500 pessoas, a maioria absoluta de São Gonçalo do Amarante. Mudou-se a cidade, que arrecada muito mais impostos hoje, e a mentalidade da população, que passou a freqüentar cursos profissionalizantes e universitários para ganhar espaço no setor e trabalhar em Pecém. E nossa equipe é profissional, sabe o que fazer para elevar o nome do Ceará e do porto”, arremata Castelo Branco.