Investir cada vez mais na movimentação de frutas, entrar com tudo no ramo de carne congelada e se transformar em um dos principais hub-ports (porto concentrador de cargas) do Brasil. Estes são os objetivos que o diretor de Desenvolvimento Comercial da CearáPortos, Mário Lima Júnior, elencou como prioritários para o futuro do Porto do Pecém. Em entrevista exclusiva ao PortoGente, ele falou também sobre o Terminal de Múltiplo Uso (Tmut), que ficará pronto até o final do ano.
"A característica hub-port se aplica aos portos geograficamente bem situados. No Norte e no Nordeste, hoje, somente Pecém e Suape assumem automaticamente esta característica”. No entanto, o Porto do Pecém não é só alegria. O diretor lembrou de um problema que, em sua opinião, atrapalha demais os empresários cearenses. “Em 2009 tivemos sérios problemas com as estradas federais no Ceará”. Acompanhe as principais respostas desta entrevista logo abaixo.
PortoGente - Quanto de cargas a mais o Porto do Pecém movimentará com o Tmut pronto no final do ano?
Mário Lima Júnior - O Tmut movimentará 500 mil TEUs, 450 mil toneladas de frutas e 3 milhões de toneladas de produtos siderúrgicos. Se somados os tempos de planejamento e licitação, estamos trabalhando neste projeto há cinco anos. Temos a vantagem de ser um porto estadualizado e, dessa forma, podermos dar respostas mais rápidas às decisões empresariais. Em estados com boa estrutura, como o Ceará, um porto estadual é muito importante na ótica do desenvolvimento.
PortoGente - É possível Pecém se transformar em um hub-port?
Mário Lima Júnior - Sim, é absolutamente possível e regionalmente indicado. A característica hub-port se aplica aos portos geograficamente bem situados. É neles que se viabilizam os transportes de longas distâncias em navios maiores para rotas de navios menores para portos de menor dimensão. No Norte e no Nordeste, somente Pecém e Suape assumem automaticamente esta característica.
PortoGente - No que será vantajoso para Pecém abrigar a Refinaria Premium II da Petrobras?
Mário Lima Júnior - Pecém será instrumento logístico fundamental para a Refinaria Premium II. É importante lembrar que juntamente com a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), a Refinaria foi a principal motivação empresarial para o estado do Ceará construir o porto. Acreditamos que os dois milhões de toneladas anuais atualmente movimentadas pelo Pecém se multipliquem por 10 vezes dentro de 10 anos. Claro que, no campo da logística, uma estrutura alavanca outra e os custos portuários cada vez serão menores por conta da escala e da diversidade de equipamentos envolvidos. A refinaria será muito vantajosa para nós.
PortoGente - Há algum gargalo logístico que preocupe a CearáPortos?
Mário Lima Júnior - Em 2009, tivemos sérios problemas com as estradas federais no Ceará. Particularmente nas artérias que nos ligam aos polos produtores de Aracatí, Mossoró, Petrolina e Juazeiro da Bahia. Cargas que chegam do Norte, do Piauí, do Tocantins e do Pará sofrem. O que houve é que o fluxo de transporte rodoviário e ferroviário com destino ao Porto do Pecém aumentou significativamente. Desse modo, tornou-se necessário o investimento. Uma coisa que precisa mudar é a velocidade dos trens. Hoje são muito lentos e isso tira a competitividade do modal ferroviário.
PortoGente - Por que Pecém aposta na exportação de carnes congeladas? Quais mercados podem ser conquistados assim?
Mário Lima Júnior - Nós apostamos na exportação de carne congelada, pois ela usa a mesma estrutura do pátio das frutas. São 1.008 tomadas frigoríficas no Porto do Pecém. No ano de 2009 exportamos 23.621 toneladas de carne do Tocantins e Pará. Os mercados russo e asiático são os grandes consumidores e, até mesmo por conta disso, preparamos uma câmara de inspeção para uso do Ministério da Agricultura. A exportação constante de carnes, frutas e pescados viabilizam a manutenção de linhas de longo curso e os volumes garantem as linhas.
PortoGente – Como explicar o fato das frutas serem a vedete do porto e os contêineres liderarem as estatísticas?
Mário Lima Júnior - O porto visa atender a comunidade econômica local e como vemos a vocação nordestina para frutas vem de décadas atrás, pois as condições climáticas e de solo são as melhores do mundo. Na realidade, a infraestrutura sempre parte na frente. Todo o crescimento do segmento fruticultor parte da premissa de boas estradas e bons portos.
PortoGente - Em ano de eleições, o que Pecém projeta para 2011? Algum projeto apresenta risco de não sair do papel caso mudem os governos?
Mário Lima Júnior - O Porto do Pecém continuará em ritmo normal com suas obras. O governador do Ceará [Cid Gomes (PSB)], em suas reuniões de orientação, nunca vinculou o calendário de obras ao calendário eleitoral. É um grande articulador nas esferas estadual, federal e municipal. Escolhe bem seus auxiliares, tem visão política econômica, define metas e cobra bem a realização das mesmas. Ou seja, o Porto do Pecém seguirá seu rumo normalmente.
Website: www.cearaportos.ce.gov.br