
A reportagem do Portogente presenciou, nesta quarta-feira (11), o desdobramento de um trágico acidente no Terminal Portuário de Santa Catarina (Tesc), que arrenda dois berços do porto público de São Francisco do Sul, que acarretou a morte do estivador Álvaro da Silva Júnior e do arrumador Ismael de Oliveira Costa. Eles operavam na faina de descarga de soda em pó do navio italiano CS Caprice, no berço 301-B. Por volta das 9h50, a estrutura do funil do navio cedeu com 50 toneladas, prensando o estivador contra o navio e desabando em cima do arrumador, que ficou soterrado por três horas.
* Nota oficial do Tesc sobre acidente que matou dois portuários
* Morre segundo trabalhador no terminal de Santa Catarina
* Estivador morre e arrumador está soterrado em terminal portuário de SC
O sentimento dos colegas, amigos e familiares das vítimas era de revolta. Concentrados no portão do terminal, não se conformavam com a situação e aguardavam sem esperança notícias sobre Ismael. O irmão do arrumador, também aposentado do trabalho portuário por acidente de trabalho, Joel de Oliveira Costa, aguardava por notícias e desabafou: "são muitas leis e exigências do uso do equipamento de proteção, mas o principal que é a manutenção da estrutura do terminal não é feita, o serviço é bruto, improvisado, engembrado".
O presidente do Sindicato dos Arrumadores, Claudionor Marcelino, conta que acidentes normais são frequentes, mas com perda de vidas fazia bastante tempo. Para a direção do Sindicato, a tragédia era anunciada, pela falta de investimento na segurança e na prevenção. Ele explica que existe uma Comissão de Prevenção que recebe os alertas dos acidentes e cobrança dos equipamentos sem manutenção. "Recebem [os alertas], fazem de conta que te escutam, mas não resolvem", desabafa.
Sobre o acidente desta quarta-feira, o Sindicato vai exigir um laudo técnico que certifique as condições na área do acidente, bem como dos equipamentos. "Vamos pra cima do Ogmo [Órgão Gestor de Mão de Obra] e CPAT [Comissão de Prevenção de Acidente do Trabalho] para que sejam tomadas medidas que tragam efeitos para o trabalhador operar de forma segura, pois um aparelho daqueles de ferro podre se recupera, mas uma vida humana não”.
Já o presidente do Porto de São Francisco do Sul, Paulo Corsi, que faz a concessão para o Tesc, diz que o acidente foi um fato isolado. "Não foi falta de segurança nem de manutenção dos equipamentos, e sim um conjunto de fatores que somados levaram a esse lamentável episódio". Ele ressaltou que a operação portuária é feita com cautela e precaução para evitar acidentes, pois são grandes cargas e movimentos repetitivos que elevam os riscos.
Portogente procurou o Ogmo local, mas não conseguiu falar com o presidente Lierte Moreira.