Nesta semana, a série Portos do Brasil traz para o leitor do PortoGente os detalhes do Porto Fluvial de Pirapora, que fica em Minas Gerais, às margens do Rio São Francisco. Construído ao longo da década de 70 com objetivo de aumentar a movimentação de granéis sólidos e gipsita (matéria-prima para fabricação de gesso), as atividades no porto piraporense começaram oficialmente no dia 12 de junho de 1981.
A movimentação em Pirapora está integrada com a Hidrovia do Rio São Francisco, importante ferramenta de integração entre o Sudeste e Nordeste com seus mais de 2.800 km de extensão. Para falar mais sobre o porto fluvial e os rios que o cercam, conversamos com o superintendente da Administração da Hidrovia do São Francisco (Ahsfra), Sebastião José Marques de Oliveira.
PortoGente: Qual o perfil do Porto Fluvial de Pirapora?
Sebastião: O perfil do Porto Fluvial de Pirapora, é basicamente, o de granéis sólidos. Nosso objetivo é, por meio da estrutura da hidrovia do Rio São Francisco, da qual o Porto de Pirapora faz parte, fomentar o desenvolvimento econômico e a expansão de fronteiras agrícolas no interior do país.
PortoGente: O que é produzido e movimentado em Pirapora e ao longo da Hidrovia do São Francisco?
Sebastião: As principais cargas movimentadas são a gipsita, soja, farelo, milho, carvão e polpa de tomate. A gipsita é de extrema importância pois dela vem o gesso, que é usado em todas as obras espalhadas pelo Brasil. E nós escoamos este produto, interligando Sudeste e Nordeste por meio do comércio destas matérias-primas.
PortoGente: Qual o diferencial do porto e da hidrovia em relação as demais portas de exportação e importação do Brasil?
Sebastião: Eu destaco nossa maior peculiaridade, que é o entroncamento hidroferrorodoviário. A partir de Pirapora, os caminhoneiros têm acesso à três rodovias federais (BR 040, BR 496 e BR 135), as cargas podem ser transportadas por quatro ramais internos com 1.420 metros no total – ferrovias estas que ligam Pirapora à Belo Horizonte, sem contar que as cargas podem ser escoadas pela Hidrovia do Rio São Francisco. Estes vários modais vivem de reforma harmônica entre eles.
PortoGente: Que tipo de embarcações o Porto Fluvial de Pirapora recebe?
Sebastião: Aqui recebemos embarcações do tipo Franave, que são comboios formados por empurrador e seis chatas, com capacidade de 1.200 toneladas (120 m de comprimento, 16 m de largura e 1,5 m de profundidade) e do tipo Senaf, constituída de empurrador e quatro chatas, transportando até 2 mil toneladas (220 m de comprimento, 22 m de largura e 1,5 m de profundidade).
PortoGente: O que é feito para se manter a operacionalidade do Porto e, principalmente, da Hidrovia?
Sebastião: Nossa obrigação é manter porto e hidrovia em condições de navegação comercial. Com isso, trazemos segurança, agilidade e a confiabilidade deste modal de transporte. E não podemos falhar, pois nossas atividades são fiscalizadas pela Marinha do Brasil e pelo Ibama. A hidrovia do São Francisco, por exemplo, é navegável o ano todo, e temos que manter isso, para que no futuro novos parceiros invistam no modal hidroviário.
PortoGente: Qual o futuro do modal hidroviário?
Sebastião: A carga estimada com perfil hidroviário na área de influência da nossa hidrovia é de mais de quatro milhões de toneladas por ano. Ao incluir este modal no transporte desse volume de mercadorias, estima-se obter uma economia anual de 50 milhões de reais, em relação à matriz de transporte atualmente utilizada – quase exclusivamente rodoviária. Agora, é preciso divulgar mais as vantagens deste modal, para que mais empresas se sintam atraídas e dispensar os caminhões – por exemplo – para priorizar os rios espalhados pelo Brasil. É um transporte barato e usado no mundo todo.
Website: www.ahsfra.gov.br/portopira2.htm