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  • Barra do Riacho ainda lamenta não ter o seu porto público  
    Texto atualizado em 05 de Junho de 2007 s 06h43
    Bruno Rios
    reportagem
     

    Um velho ditado diz que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Talvez por isso, o Espírito Santo pode ter perdido um projeto de porto público que, se fosse implantado, mudaria a economia do Estado, vizinho de primos ricos como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A personagem desta reportagem é o Porto de Barra do Riacho, conhecido atualmente só pelo sucesso do seu terminal privado de celulose, o Portocel, que já investiu R$ 500 milhões em infra-estrutura.

     

    O projeto de porto público não saiu do papel. E tempo não faltou para isso, pois toda a proposta foi apresentada na década de 70, quando os militares ainda governavam o Brasil. A área da União era administrada pela Portobras e, com a extinção da antiga estatal e a oficialização de várias companhias docas, uma parte do terreno ficou com o Portocel. A outra foi transferida para a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa).

     

    Na época, a industrialização corria de vento em popa no território capixaba, com a instalação de grandes industrias num estado que sempre foi dependente da cafeicultura. Trinta anos depois, o projeto de construção de um grande complexo portuário continua empoeirado. Quatro módulos seriam erguidos, mas nada foi colocado em prática. Hoje, no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), há uma verba de R$ 1,4 bilhão para obras de dragagem em 15 portos. Só Barra do Riacho precisa de 10% do montante, R$ 140 milhões. O dinheiro está previsto, nas não garantido, pois o Ministério dos Transportes não recebeu até agora o projeto detalhado da dragagem. De quem é a culpa?

     

    Segundo o diretor de Comercialização e Fiscalização da Codesa, Danilo Queiroz, o excesso de burocracia é o principal responsável pela demora na implantação do Porto de Barra do Riacho. “Reconheço que o Espírito Santo perdeu muito tempo e dinheiro por causa do atraso de mais de 30 anos na construção do porto, mas a Codesa precisa tratar esta situação com muita cautela. Não podemos bolar um plano de dragagem de uma hora para outra”.

     

    Até o final de julho, a documentação deve ser encaminhada à Casa Civil da Presidência da República. Aí, resta aguardar a decisão da União de incluir, ou não, o Barra do Riacho no PAC. Caso a verba saia dos cofres, será agilizado o processo para a contratação dos estudos ambientais, com custo de R$ 1 milhão. No final do ano, deverá ser lançado o edital para a contratação da empresa que fará a dragagem.

     

    “Brasília não vai mais bancar o custo total de implantação do porto, cerca de R$ 1,3 bilhão. Teremos que caçar investidores na iniciativa privada. A licitação para a implantação dos terminais de contêineres e carga geral não acontecerá antes do segundo semestre de 2008”, estima Queiroz.

     

    E o interesse é grande para que este plano de dragagem seja efetuado o quanto antes. Com a decisão do presidente da Bolívia, Evo Morales, de nacionalizar as refinarias da Petrobras em território andino e suspender o fornecimento de gás, o Governo Federal finalmente olhou para o Espírito Santo e resolveu levar em frente a construção um terminal de granéis líquidos da Petrobras voltado para a movimentação de gás de petróleo liquefeito (GLP).

     

    O terminal tem investimento estimado em R$ 500 milhões e previsão de entrar em operação em dezembro de 2008. Para dispensar a licitação da área, sem dúvida a fase mais demorada, a Petrobras e a Codesa, duas empresas públicas, estudam a formação de uma parceria, com a docas capixaba cedendo a área e a estatal do petróleo e gás arcando com as despesas.

     

    Enquanto o terminal da Petrobras não se torna realidade, os contrastes entre Portocel e a área pública de Barra do Riacho são cada vez mais claros. O terminal de celulose já investiu cerca de R$ 500 milhões na construção de berços e armazéns, além da dragagem do canal de acesso e implantação de um terminal para barcaças.

     

    Só os investimentos em expansão somam R$ 156 milhões. Para este ano, nos dois berços em operação da Portocel, está previsto o embarque de 4,5 milhões de toneladas de celulose para Europa, Ásia e América do Norte. Atracarão no terminal particular 220 navios. E a partir do ano que vem, entrará em operação o terceiro berço para navios. Números impressionantes e que poderiam ser melhores caso as autoridades não tivessem dormido no ponto nos últimos 30 anos.


    Website
    :
    www.portocel.com.br

     
    Enviado por cida em 01/03/2010  (são paulo)
    gostaria de ter se possivél material do porto barra do riacho mais atualizada, preciso saber caracteristicas, principais produtos, exportação e importação e os projetos de desenvolvimentos, pode me ajudar.
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