Fotos: Divulgação Portonave
Os trabalhadores portuários do Brasil vivem em um ambiente de incertezas. Cada vez mais, portos e terminais optam pela vinculação de mão de obra e diminuem a participação dos avulsos nas operações portuárias. Um dos portos mais modernos do Brasil, o de Navegantes (SC), começou a operar em 2007 com um modelo de gestão voltado para a contratação vinculada. Os primeiros 250 funcionários foram contratados no mercado, sem requisição ao Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo). Para futuras contratações, entretanto, o diretor Superintendente Administrativo da Portonave – gestora de Navegantes -, Osmari de Castilho Ribas, garante estar negociando para dar preferência aos trabalhadores do sistema Ogmo. Mas, para isso, eles precisarão atender ao perfil estabelecido pela empresa.
A opção pelos vinculados em Navegantes é irreversível. Castilho aponta que o objetivo da empresa é criar uma identidade do trabalhador com o terminal. E isso, explica, não seria possível solicitando mão de obra avulsa. “Os avulsos precisam ‘rodar’. Para manter um alto padrão de eficiência na operação de equipamentos modernos, é preciso proporcionar um permanente treinamento, como fazemos. Fica muito difícil gerenciar uma mão de obra que ‘gira’”.
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A Portonave exige que todos os seus funcionários tenham, ao menos, o segundo grau completo. Além disso, o terminal privado oferece subsídio de 50% dos estudos de todos que ingressam no quadro de funcionários da empresa. Para Castilho, esse tipo de ação deixa os trabalhadores satisfeitos e contribui para um nível seguro e competitivo das atividades no terminal. Os operadores de transtêiner, por exemplo, precisam passar por 200 horas de treinamento e simulações para começar a atuar na prática.
O executivo lembra que a requisição de trabalhadores portuários avulsos (TPAs) tem até muitas vantagens. “Por um lado, [os vinculados] são um custo fixo. Nesse momento de dificuldade, temos mais custos, pois eles recebem todos os seus benefícios, como se o porto operasse normalmente. Há uma ociosidade de mão de obra, mas não demitimos e nem vamos demitir”. Entretanto, o alto índice de qualificação exigido para a operação dos equipamentos utilizados em Navegantes faz com que a vinculação seja mais recomendável, diz Castilho.
Caso o crescimento da movimentação de cargas em Navegantes cresça conforme a expectativa dos gestores da empresa, será preciso incorporar mais de 400 trabalhadores ao quadro do terminal. Nesse caso, Castilho afirma que as vagas serão anunciadas e que o Ogmo local deverá ser procurado para ceder trabalhadores pertencentes ao sistema portuário. “Vamos anunciar as vagas e as características necessárias para o trabalho. Os trabalhadores do Ogmo que se manifestarem irão participar do processo exclusivo de seleção da Portonave. Caso dê tudo certo, serão contratados. Se não preencherem [as características], iremos contratar no mercado tradicional”.
Crise particular
Questionado sobre os reflexos da crise financeira mundial nas operações no Porto de Navegantes, Castilho salienta que o fator que realmente reduziu a movimentação de cargas foi as fortes chuvas que castigaram o estado de Santa Catarina. “Nossa crise foi particular. Todo o Vale do Itajaí está muito concentrado na operação portuária e sofreu muito com as consequências das chuvas”.
Apesar de o canal de acesso ao Porto ter sido altamente prejudicado, a ponto de o coordenador dos trabalhos de dragagem no local, Octavio Bertacin, admitir ao PortoGente que o atual serviço é o mais complexo que viu em mais de 37 anos de carreira ligada ao segmento, o diretor Superintendente ressaltou que Navegantes teve operação satisfatória nos últimos meses de 2008, o suficiente para superar os números do tradicional Porto de Itajaí.