A administração do Porto Fluvial de Estrela, localizado no Vale do Taquari, Rio Grande do Sul, é vinculada à Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Seu administrador é o engenheiro civil José Luiz Fay de Azambuja, de 56 anos. Ele concedeu entrevista ao PortoGente.
PortoGente: Por que a administração do Porto de Estrela é vinculada à Codesp?
José Azambuja: Com a extinção da Portobrás diversas unidades da empresa foram transferidas para algumas Companhias Docas, através de convênios celebrados com o Ministério dos Transportes. No caso da Codesp, foram transferidas as administrações de hidrovias do Paraguai, Paraná e do Sul, assim como os portos de Estrela, Laguna e Itajaí, este último posteriormente transferido para o município.
PortoGente: Qual a posição do porto no ranking brasileiro?
José Azambuja: Dentre os portos fluviais pode-se afirmar que é um dos melhores do país. Em termos de movimentação, supera diversos portos marítimos, sendo que dentre os fluviais é superado apenas por Porto Velho, onde são escoados grandes volumes de soja comercializados pelo grupo Maggi.
PortoGente: Em 1987, o porto chegou a movimentar 1,3 milhão de toneladas. Qual é a situação atual?
José Azambuja: Atualmente o porto movimenta cerca de 600 mil t/ano. A redução em relação a 1987 deve-se, principalmente, às grandes quebras de safra verificadas nos últimos anos – motivadas por estiagens prolongadas – assim como, em determinadas ocasiões, às restrições nas condições de navegabilidade dos cursos d'água, bem como à indisponibilidade de embarcações para realizar o transporte. Quanto à movimentação de granéis agrícolas, possui silos e armazéns com capacidade estática de armazenagem de 90 mil toneladas.

PortoGente: O porto gera receitas que cubram os seus custos? Quem são os clientes? Eles recebem subsídios?
José Azambuja: Em situação normal o porto é superavitário. Quando há pouca movimentação as despesas são custeadas, em parte, pelo Governo Federal. Os principais clientes são as empresas exportadoras de soja e derivados, bem como alguns comerciantes de materiais de construção (areia e cascalho). Não há pagamento de subsídios no âmbito do porto.
PortoGente: Como é a operação de contêineres no porto?
José Azambuja: Os contêineres, principalmente de fumo, são movimentados através de equipamentos do porto (empilhadeira e guindaste) que foram transferidos de Santos para Estrela. O pátio armazena até 400 unidades.
PortoGente: Há investimento na infra-estrutura portuária?
José Azambuja: Os investimentos já foram realizados, sendo que atualmente não há necessidade de realização de investimentos em infra-estrutura.
PortoGente: Qual é a relação existente com o Mercosul?
José Azambuja: É muito importante na medida em que o porto de Estrela é um ponto chave no corredor multimodal Montevidéu–São Paulo, constituído pelo segmento rodoviário Montevidéu–Santa Vitória do Palmar (350 km), hidroviário Santa Vitória do Palmar–Estrela (750 km) e ferroviário Estrela–São Paulo (1.100 km).
PortoGente: Como é a relação entre o porto e o município de Estrela? O porto tem algum projeto social?
José Azambuja: A Prefeitura Municipal, através de seus poderes constituídos, mantém um excelente relacionamento com a administração do porto, havendo inclusive a possibilidade de uma futura municipalização do porto. O porto não desenvolve nenhum projeto social na região.
PortoGente: O que o sr. faz nas horas vagas? Como é o lazer em Estrela?
José Azambuja: Convivo com a minha família. O lazer em Estrela e arredores é típico de uma cidade de interior onde se dá muita importância para o contato com as pessoas e a vida ao ar livre.
Website: www.portodeestrela.com.br