Texto atualizado em
22 de
Setembro de
2009
Projeto do governo Serra pode gerar caos, alerta ambientalista
Redação
Portogente
O Governo do Estado de São Paulo quer ampliar o Porto de São Sebastião. A intenção é trazer para o complexo, no Litoral Norte paulista, o tipo de carga que mais gera lucros atualmente: os contêineres. O problema é que ambientalistas e políticos de São Sebastião e cidades vizinhas não concordam com a proposta. E no momento, um dos insatisfeitos é o advogado, integrante do Conselho de Meio Ambiente de São Paulo e mestre em Direito Ambiental, Eduardo Hipólito, que classifica o aterramento do mangue do Araçá como megalomaníaco.
* Expansão polêmica
* Camada pré-sal mudará rotina do Porto de São Sebastião
* Estado de São Paulo concentra 93% das cargas nas rodovias
Desde 2008, ele vem participando de debates, audiências públicas e reuniões com um só objetivo: discutir a expansão do Porto. E depois de tantos encontros, Hipólito se posiciona de forma contrária à proposta bancada pelo governo paulista. Ao PortoGente, o especialista ressaltou que os representantes da Companhia Docas de São Sebastião estão ouvindo a comunidade sobre o tema. Porém, eles não se mostram nem um pouco dispostos a acatar as reivindicações, o que cria um impasse no processo e preocupa os opositores.
“Estou há dois anos debruçado no assunto e na evolução do projeto, assim como os outros ambientalistas. Não somos contra a ampliação em si, mas contra o modelo de porto proposto pela Companhia Docas. O que mais nos incomoda é a inserção de uma vocação estranha ao porto: os contêineres. E eles não vêm sozinhos, exigem grandes pátios, uma necessária movimentação rodoviária e transtorno num local de raros espaços livres. E isso gerará o desaparecimento do último remanescente de mangue do Canal de São Sebastião por conta das obras de ampliação”.
Hoje, o Porto de São Sebastião ocupa 413 mil metros quadrados de área e possui quatro berços de atracação. Até 2007, movimentava em torno de 480 mil toneladas de cargas por ano. Em 2008, com radicais mudanças na administração, a criação da Companhia Docas de São Sebastião e a nomeação de Frederico Bussinger como novo presidente do órgão, a movimentação de cargas cresceu 70% e ultrapassou a marca de 833 mil toneladas. Porém, esse crescimento é ínfimo perto do que o Executivo paulista deseja. E é a velocidade de transformação que mais preocupa.
O projeto de ampliação prevê o aumento da área para mais de um milhão de metros quadrados, sendo que quase a metade da área surgirá com o aterramento de 420 mil metros quadrados do mangue do Araçá. O número de berços de atracação pulará para 18 e parte deles terá até 22 metros de profundidade. Cerca de 600 mil metros quadrados serão destinados à operação de contêineres. A meta da Docas é movimentar no local 25 milhões de toneladas de mercadoria e cerca de 1,5 milhão de contêineres por ano, aumentando em 42 vezes sua capacidade de operação.
“O apelo dos empregos é sempre lembrado, mas em um terminal de contêineres pouca gente trabalha. E as desvantagens são muitas. Transtorno urbano, colapsos viários, poluição visual pelo empilhamento de contêineres e guindastes, extinção do último criadouro de espécies marinhas do Canal, conflito com turismo e esportes náuticos, presença de espécies invasoras pela água de lastro, falsa expectativa de geração de empregos e o surgimento de viadutos e túneis no último trecho remanescente de Mata Atlântica na região central de São Sebastião”.
Para Eduardo Hipólito, as contas dos engenheiros envolvidos no projeto levam em conta o aspecto econômico, mas esquecem dos aspectos ambientais e sociais, apesar dos discursos das autoridades, em sua opinião, estarem afinados. O grande problema, na visão do especialista, é o processo ambiental brasileiro. “O órgão que vai licenciar não conta com funcionários capacitados para avaliar os impactos. A empresa que fez o EIA-Rima recebe bem para demonstrar vários pontos positivos e quem quiser contrapor precisa de muito dinheiro”.
E ele completa: “Na prática, está importando nessa ampliação do Porto o valor da construção da estrada e a megalomaníaca obra de lajeamento do mangue. Interesses políticos e econômicos estão escondidos nessa história. E no Brasil, há pouca conciliação de desenvolvimento e respeito ao meio ambiente. Estamos tentando inovar, propor alternativas para que isso saia do discurso ou da teoria acadêmica. Não imaginamos a transformação daquela região frágil ambientalmente e de belezas naturais únicas em uma Macaé da vida”.
Enviado por André Vinicius em
11/01/2010 (São Sebastião)
Ampliação do Porto ameaça todo o Litoral Norte
O projeto de ampliação do porto apresentado pela Companhia Docas de São Sebastião é um perfeito desastre, pois insignificantes são os benefícios a população perto dos transtornos que pode ocasionar em toda a região:
• Colapso no tráfego: 4.000 caminhões/dia, ou mais de 150 por hora trafegando por nossa única estrada (no meio de serras com curvas sinuosas e precipícios). Mesmo ampliadas, essas vias não suportarão a demanda de caminhões e veículos utilitários trafegando.
• Destruição da paisagem: gigantescos navios para até 9.000 contêineres, com altura de prédios de 10 andares, enterrando a luta de décadas contra a verticalização. Como será feito com o sucateamento dos containeres estragados/abandonados no terminal?
• Favelização e criminalidade: a migração de milhares de trabalhadores portuários poderão transformar a região em uma cidade-dormitório. O índice de criminalidade aumentará devido o fato de oferecer as condições ideais para criar-se uma nova Rota internacional do tráfico de drogas, haverá a instalação de quadrilhas especializadas, além de máfias do contrabando.
Receber investimento estadual na infra estrutura? Já existem projetos das prefeituras de recuperação das favelas de São Sebastião e Ilhabela em andamento e possuem condições suficientes para realizarem também a construção de novas escolas, saneamento básico, hospital regional, segurança, aterro sanitário, etc.
Enviado por Alexandre Carneiro em
04/10/2009 (Macae)
Não entendi quando você coloca o medo de transformar em uma Macaé da vida. Poderia explicar melhor? Você conhece Macaé? Você tem informações de que Macaé possui 3 APAs bem conservadas? Um arquepélogo com sua visitação bem controlada preservando o meio ambiente. Diferente do que vem ocorrendo em Ilhabela nos ultimos anos, onde áreas de preservação tem sido invadidas por belíssimas casas. Você já visitou algum condominio em Castelhano?
Acho muito válido colocar em discussão esse assunto, porém, falar de outro município como comparação, caberia um melhor conhecimento do tal. Ou pelo menos, a explicação deste município aqueles que estarão lendo essa coluna.
Me coloco a inteira disposição para apresentar Macaé e suas belezas naturais. Poderá notar que o desevenvolvimento econômico pode ocorrer de forma sustentável e pátio de containers são bem vindos em Macaé e muitos municípios do Brasil.
Um abraço, Alexandre
Enviado por Alexandre Carneiro em
04/10/2009 (Macae)
Não entendi quando você coloca o medo de transformar em uma Macaé da vida. Poderia explicar melhor? Você conhece Macaé? Você tem informações de que Macaé possui 3 APAs bem conservadas? Um arquepélogo com sua visitação bem controlada preservando o meio ambiente. Diferente do que vem ocorrendo em Ilhabela nos ultimos anos, onde áreas de preservação tem sido invadidas por belíssimas casas. Você já visitou algum condominio em Castelhano?
Acho muito válido colocar em discussão esse assunto, porém, falar de outro município como comparação, caberia um melhor conhecimento do tal. Ou pelo menos, a explicação deste município aqueles que estarão lendo essa coluna.
Me coloco a inteira disposição para apresentar Macaé e suas belezas naturais. Poderá notar que o desevenvolvimento econômico pode ocorrer de forma sustentável e pátio de containers são bem vindos em Macaé e muitos municípios do Brasil.
Um abraço, Alexandre
Enviado por S.O.C. em
29/09/2009 (São Paulo)
Vejo tanta crítica e penso não estarem certas. Não é possível mais montar empreendimentos no Brasil, não dá para conciliar o progresso e o bem estar da população dessas cidades?
Enviado por Beto Francine em
29/09/2009 (Ubatuba)
A busca pela modernização e tecnologias que façam este porto mais eficiente e "verde" são desejo de todos, porém não se tem consenso em relação a ampliação. Desejamos que se mantenha e melhore a qualidade do Manguezal do Araça. Abominamos a vinda de muitos caminhões transportando cargas e conteiners, pois gerarão uma expanção contraditória com a vocação turistica desta região. "Porto Sim mas Sem Conteiners"!
Enviado por Gilda Nunes em
24/09/2009 (Ilhabela)
Será que esta obra é tão necessária assim? Será que não existem outros locais mais apropriado com área de retroporto, melhores estradas e ferrovia????
É claro que sim, basta olhar para o lado e encontrarão locais muito mais apropriados para um porto de containeres, é evidente que o Porto de São Sebastião tem vocação natural ao granel líquido.
CONTAINER NÃO
Enviado por Juan Francisco de Oliveira em
23/09/2009 (São Sebastião SP)
Trabalho no porto de São Sebastião a 20 anos e nunca vi ou ouvi falar que o porto tenha paluido, diferente do terminal petrolífero que temos do lado, mas ninguem fala nada sobre isso, porque muitos desses ambientalistas são patrocinados por essa empresa petroleira dona do terminal. Fala-se muito sobre turismo em São Sebastião, São Sebastião é apenas passagem para os turistas que vão para Ilhabela e a costa sul ( Maresias ), poluindo a cidade com seus carrões, lixo, etc, causando enormes transtornos para a região como falta de agua, longos congestionamentos na fila da balça,etc.
Ninguem discute os benefícios que a ampliação pode trazer para a Cidade e a região, como desenvolvimento, emprego, renda, impostos, escolas , hospitais,etc. Poderia se discutir uma compensação par otras areas degradadas invasões nas areas de mata.
O meio ambiente é importante mas o desenvolvimento também é.
Enviado por Ricardo Anderaos em
23/09/2009 (Ilhabela)
O governo está sendo totalmente irresponsável ao forçar a aprovação de um porto separadamente das estradas que terão de ser ampliadas para escoar as cargas. E nem considera a possibilidade de construir uma ferrovia. Há muito mais em jogo do que simplesmente o porto, como os interesses políticos e das empreiteiras na ampliação da Tamoios. Quanto ao manguezal, só diz que ele está morto quem nunca andou por lá ou defende intereses econômicos. Quem quiser conferir dê uma olhada em http://www.youtube.com/watch?v=m3ZSb32EGps
Enviado por Uriel Villas Boas em
23/09/2009 (Santos)
O Governo Serra quer gastar, mostrar um serviço que repercuta na Imprensa e ele ganhe mais destaque para as próximas eleições. E que se dane o meio ambiente, as cidades. Não seria mais lógico que se ampliassem as instalações do Porto de Santos?É o estilo tucano de governar, com um sentido impositivo. É preciso reagir. O quanto antes.
Enviado por Roberto Severo Gama em
22/09/2009 (São Paulo)
É uma agressão à natureza absolutamente desnecessária e injustificável. Por que não investir em modernidade no Porto de Santos, onde é possível contornar melhor o meio ambiente? Escoar contêineres na serra por teleféricos; fazer um porto off-shore para operar grandes navios conteneiros e ligações rápidas com a sua hinterlândia.
São Sebastião e Ilha Bela não podem permitir a mutilação do seu manguezal nem tampouco perder a qualidade de vida urbana. Apenas para criar mais uma vinheta de campanha do governador Serra para presidente da República.
Enviado por Claudio Maciel em
22/09/2009 (São Sebastião)
Esse pseudo-mangue na verdade é um esgoto a céu aberto que há mais de 10 anos recebe esgoto sem tratamento do maior bairro de São Sebastião. Ao lado do tal mangue, existe uma estação de transbordo de lixo que contamina irremediavelmente esse mangue a anos. Parace novela da Globo gravada no Rio de Janeiro: Os ambientalistas passam horas a fio procurando um ângulo em que apareça uma garça ou um caranguejo sem que se veja o lixão e a imundície que eles chamam de mangue. E não adianta fazer discurso moralista pois esses problemas não tem a ver com a ampliação do porto que é necessária para a região e que tem um projeto moderno, diferente de tudo que já se fez nesse país e que prevê, sim, a manutenção de nossa qualidade de vida e as belezas naturais de São Sebastião.