A Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba) administra os portos de Aratu, Ilhéus e Salvador. Localizado na Baía de Todos os Santos, defronte à Ilha de Itaparica, o Porto de Salvador tem a maior movimentação de contêineres das regiões Norte e Nordeste, é o segundo maior exportador de frutas do país e ocupa a sétima posição no ranking portuário brasileiro em carga geral solta.
Desde maio deste ano, o diretor-presidente da Codeba é o administrador de empresas Geraldo Simões de Oliveira, de 52 anos. Natural de Itabuna, onde foi prefeito em duas gestões, é casado, tem quatro filhos e, nas poucas horas vagas, gosta de aproveitar a praia e uma boa leitura.
Ele concedeu entrevista para a série de reportagens Portos do Brasil.
PortoGente: A Codeba está investindo R$ 50 milhões nos portos de Aratu, Salvador e Ilhéus. O que será feito com esses recursos?
Geraldo Simões de Oliveira: Neste ano há uma previsão orçamentária de investimento na infra-estrutura portuária baiana de aproximadamente R$ 50 milhões, já inclusos os R$ 14 milhões da Agenda Portos. A Codeba tem como meta a agilidade na realização das obras que irão modernizar os portos baianos e torná-los mais eficientes e preparados para o crescimento e desenvolvimento econômico do Brasil. Com a aplicação dos recursos, os portos baianos terão a movimentação dobrada para aproximadamente 25 milhões de toneladas. Em Salvador serão investidos R$ 25 milhões para a implantação do ISPS Code, dragagem de manutenção, criação do Centro de Atendimento ao Usuário, início das obras de contenção no cais comercial e derrocagem do leito marinho, prolongamento do cais de Água dos Meninos, construção de dois berços de atracação com retroárea e uma instalação portuária fitossanitária.
PortoGente: Salvador tem a maior movimentação de contêineres da região. Qual é o volume e os principais destinos?
PortoGente: Como está a revitalização do porto?
Geraldo: Para a Codeba, reveste-se de grande prioridade o programa de Revitalização do Bairro do Comércio, onde está localizado o Porto de Salvador. O Conselho de Autoridade Portuária de Salvador e Aratu, com relação ao Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ), aprovou em 1996, a concessão dos armazéns 1 e 2 para a revitalização do bairro. Em 2000, condicionou a revitalização dos armazéns 3 a 8 à existência de novas áreas de armazenagem correspondentes às superfícies dos referidos armazéns, bem como estudo de viabilidade técnica e econômica. O projeto de revitalização do porto foi elaborado e encaminhado para o Ministério dos Transportes, em busca de recursos financeiros para sua implantação. As principais obras que objetivam ampliar o porto na extremidade norte do Cais de Água dos Meninos são: construção de dois berços de atracação, numa extensão de 543,47 metros; retroárea de 103.166,23 metros quadrados para estocagem; profundidade de 15 metros, que irá permitir a atracação de navios com calado de até 15 metros e 330 metros de comprimento; prolongamento do quebra-mar, para propiciar águas tranqüilas.
PortoGente: O que falta para Salvador se tornar o primeiro exportador de frutas do país?
Geraldo: Os Portos não crescem sozinhos. Eles refletem o crescimento econômico de uma região. Quando o pólo produtor de frutas, no Vale do Rio São Francisco, for o maior do Brasil, o Porto de Salvador também será o primeiro exportador de frutas.
PortoGente: A Codeba investe na qualificação do portuário?
Geraldo: A Codeba investe na qualificação dos seus funcionários através de treinamento, cursos e palestras. Há também o Órgão Gestor de Mão de Obra dos Portos de Salvador e Aratu (Ogmosa) que desenvolve, em parceria com a Codeba, ações voltadas para a melhoria constante dos serviços e das condições de vida dos trabalhadores portuários.
PortoGente: O ISPS Code já foi totalmente implantado?
Geraldo: As obras civis estão em execução, com previsão de conclusão para meados de novembro. A seguir passaremos para a instalação dos equipamentos, treinamento do pessoal e cadastramento. A certificação está prevista para março de 2006.
PortoGente: Como funciona o pregão eletrônico?
Geraldo: A Codeba implantou, a partir da segunda quinzena de setembro, o pregão eletrônico para a aquisição de bens e serviços. A instalação segue a uma determinação do Governo Federal e abrange todas as licitações da Codeba, à exceção de obras e serviços de engenharia de grande porte. As licitações são disponibilizadas no site www.codeba.com.br e permitem a participação de fornecedores de todo o país. O sistema é operacionalizado através de um convênio com o Banco do Brasil. O pregão eletrônico apresenta vantagens como rapidez, praticidade e absoluta transparência nas licitações. Além disso, a participação de um número maior de fornecedores possibilita a redução de preços.
PortoGente: A Codeba possui algum projeto social?
Geraldo: Como incentivo à melhoria da qualidade de vida e da produtividade, há na Codeba o coral Boca do Porto, formado por funcionários e regido por Elder Leite, maestro formado pela Universidade Federal da Bahia. A harmonia existente entre os 33 integrantes do coral valoriza a integração e o trabalho em equipe.
PortoGente: Como é feita a integração entre a comunidade portuária e a sociedade soteropolitana?