Todos os dias, milhões de brasileiros alimentam-se com um prato de arroz, um dos grãos mais consumidos em nosso País. No entanto, uma notícia ruim para quem gosta do produto: no Maranhão, uma visita de deputados estaduais ao Porto do Itaqui resultou na interdição, pela vigilância sanitária, da empresa Cereal Cereais Araguaia, que empacota arroz plantado no Suriname. Os parlamentares estiveram acompanhados do promotor de Defesa do Consumidor, Carlos Augusto Oliveira, e viram uma série de irregularidades no descarregamento e empacotamento do produto que chega de navio ao Estado.
Os deputados observaram as condições em que toneladas de arroz descascado e a granel são guardadas no galpão da empresa: no chão, sobre pedaços de plástico, com piso quebrado. A máquina que deveria fazer a lavagem do produto, segundo a vigilância, também não está fazendo o processamento adequado. De acordo com a chefia do Departamento Estadual de Vigilância Sanitária, a empresa tem prazo de 15 dias para se defender e se adequar às normas que serão exigidas pelo órgão.
Foto: www.arroz.agr.br
Em nota à imprensa, entretanto, a Cereal Cereais contesta as denúncias formuladas na Assembléia Legislativa pela deputada estadual Fátima Vieira (PP). Na nota, a direção da empresa rechaça as supostas irregularidades no processo de importação de arroz do Suriname, ressaltando que, como empresa importadora, cumpriu todas as exigências legais, pois os documentos foram apresentados às autoridades portuárias e o produto foi regularmente examinado e liberado, não apresentando qualquer problema quanto à documentação ou mesmo fitossanitário.
Ainda na nota, a direção da Cereal Cereais lembra que, ao receber o arroz em suas instalações, desencadeia todo um processo de industrialização do produto, utilizando-se de modernas máquinas, para seleção eletrônica dos grãos e empacotamento automático, sem contato manual.
Defesa do porto
Os parlamentares concluíram que há no Porto de Itaqui um quadro de negligência grave por parte dos órgãos federais, como a Anvisa e o Ministério da Agricultura, que deveriam fazer a fiscalização do arroz nos terminais locais. O arroz, descascado e a granel, é retirado dos navios por meio de equipamentos sujos de óleo e jogado, sem qualquer proteção, sobre caçambas que também são utilizadas para o transporte de areia.
O presidente interino da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), Antonio Carlos Lago - irmão do governador Jackson Lago -, disse à imprensa maranhense que o órgão não tem qualquer responsabilidade de fiscalizar os produtos que chegam de navios, pois a Emap apenas aluga os berços de atracação, ficando a cargo dos órgãos federais a parte de fiscalização alfandegária e vigilância sanitária.
Importância econômica
O impacto na economia maranhense é visível, pois o Suriname estará enviando só durante o mês de maio mais de 12 mil toneladas de arroz, o correspondente à metade da safra anual de arroz produzido no Estado, que é responsável, segundo o Ministério da Agricultura, por quase 65% da produção de arroz de todo o Nordeste.
Website: www.portodoitaqui.ma.gov.br