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Texto atualizado em 22 de Janeiro de 2008
Pirataria nos rios amazônicos tem números assustadores

Bruno Rios
reportagem



Os números são assustadores. Nos últimos dois meses, a Polícia Fluvial do Pará registrou a ocorrência de sete assaltos praticados por piratas a embarcações que cruzam os rios do Estado levando e trazendo mercadorias dos portos paraenses e da Zona Franca de Manaus. A situação no Norte do Brasil chegou a tal ponto que o presidente do Sindicato dos Armadores do Estado do Pará (Sindarpa), Luiz Ivan Barbosa, precisou se encontrar com a governadora Ana Júlia Carepa (PT) para pedir pessoalmente o reforço no policiamento dessas rotas comerciais, evitando assim atrasos em entregas e maiores prejuízos.

 

“Agora está apalavrado que o governo do Pará disponibilizará mais quatro lanchas para o patrulhamento das rotas comerciais, pois não podemos perder a confiança de empresas que, apesar das dificuldades naturais, não deixam de investir no Estado. Para muitas, não é fácil transportar cargas por barcas, assim como as armadoras, passam a garantia de que o produto chegará inteiro no destino final, mas arcam com os prejuízos de ações de piratas”, destaca Luiz Barbosa, em conversa com a reportagem do PortoGente.

 

Ainda de acordo com o presidente do Sindicato dos Armadores, os ataques de piratas visam, principalmente, embarcações que saem da Zona Franca de Manaus, alimentado pelo porto da capital amazonense. As embarcações navegam carregadas de aparelhos eletrônicos e de informática, itens que vendidos no mercado paralelo trazem grandes lucros para os assaltantes. O quer mais o assustou e o motivou a conversar com a administração paraense foi descobrir que a estrutura desses piratas era mais organizada do que se imaginava.

 

“Eles atacam em bando e depenam o barco todo, se necessário, aumentando ainda mais nossos prejuízos. Não sobra nada nos barcos. Em um ou dois casos, eles chegaram a cercar uma balsa com vários barcos próprios e rádios de comunicação, parecia uma ação daquelas planejadas pela polícia nos cinemas. Mas senti muita confiança na governadora, que vai resolver essa questão para nós. Pedimos isso não só pelos armadores, mas para a manutenção da boa imagem do Pará”.

 

Segundo reportagem publicada no jornal O Liberal, de Belém, no último dia 11, por exemplo, uma quadrilha composta de mais de 20 homens, distribuídos em cinco embarcações, atacaram um comboio de balsa e empurradores da Companhia de Navegação da Amazônia (CNA). O bando estava fortemente armado e manteve a tripulação refém por mais de cinco horas. E nenhum dos piratas foi preso até o fechamento desta edição. Poucas mercadorias foram recuperadas.

 

Expectativa

O ano de 2008 começou a mil por hora com a série de assaltos nos rios do Pará, mas para o presidente do Sindarpa, a situação deve melhorar em todos os setores até o mês de dezembro. Luiz Ivan Barbosa está esperançoso de que a nova diretoria da Companhia Docas do Pará (CDP), por exemplo, se torne uma grata surpresa para o seu setor, investindo nos portos e garantindo, ao menos, portos seguros para os barcos que se arriscam ao levar mercadorias de Manaus e de Belém.

 

“Já conversei com Clythio [Raymond Speranza Backx Van Buggenhout, presidente da CDP] e senti nele uma vontade de resolver os maiores problemas. Pelo menos dessa vez a indicação pareceu ser técnica mesmo, pois as últimas nomeações políticas foram um desastre para nossa imagem no País todo [Barbosa refere-se aos dois ex-presidentes da CDP presos em 2006]. Infelizmente, sei que muita gente não quer o bem da CDP, mas isso vai mudar. A mineração vai mais uma vez alavancar nossa economia, junto coma exportação de gados vivos. Para os armadores, este deve ser um grande ano”.

 

Website: www.cdp.com.br

Comentários ( 3 )
Enviado por jose izidoro coser em 12/04/2009 (vitoria)

Na época dos Militares, assaltos, sequestros, não existiam, quem iniciou assaltos a bancos foram os derrotados da contra-revolução. Hoje virou terra de ninguém, casa de Mãe Joana. MST, Sem terra, Sem teto, Sem Vergonha, tudo comandado por Lula, demagogo, preguiçoso. Que saudade dos Militares: "O Brasil era feliz e não sabia".
Enviado por cesar augusto em 08/08/2008 (belem)

Os portuários lotados no porto de Belém estão preocupados com o futuro do porto de Belém, já que está obsoleto e sem nenhuma perspectiva de mudança ou de projetos de revitalização, precisamos de respostas, com ficarão os servidores loltados no porto de Belém?
Enviado por Cileno Borges em 08/08/2008 (Belém)

Faço minha a grande preocupação do companheiro César quanto ao futuro incerto que se avizinha para o porto de Belém, aliás, preocupação de todos os setores e entidades ligados ao mundo do trabalho e geração de renda advindos do setor portuário. São milhares de empregos que estão em jogo. O que será que está por trás desse abandono e sucateamento que está sendo dispensado a um porto que a tão pouco tempo era tão movimentado e, portanto, viável como os outros portos do Pará? E o nosso SINDICATO local que diante de tão preocupante quadro não chama a categoria para discutir e debater esse contexto e estabelecer estrategias de luta frente a tão angustiante e sombrio cenário que se avizinha. Avante classe trabalhadora mas, principalmente, AVANTE SINDICAL, pois os portuários do Pará andam insatisfeitos com muitas coisas, dentre elas congelamento dos salários, perdas de ganhos indiretos na Cia., falta de investimentos nos portos como Belém e Sotave, etc., e, comparativamente frente a admistrações passadas da estatal, uma sindical que vem dando muito tempo à Cia. para que apresente suas respostas quanto às interpelações daquela entidade de classe, interpelações estas que representam as angustias do dia a dia de cada trabalhador dessa área produtiva.
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