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  • De Santos para o mundo

  • O exportador das letras santistas
    Texto publicado em 27 de Maio de 2008 - 04h18

    por Alessandro Atanes *
     
     

    O produtivo – para não dizer verborrágico – Flávio Viegas Amoreira chega com nova obra literária, Sampoema, projeto que reúne a poesia do autor santista com xilogravuras de Moisés Edgar em uma belíssima homenagem São Paulo num volume da Tipografia Acaia, braço editorial do Instituto Acaia, que mantém oficinas de marcenaria, artes e biblioteca para 80 crianças, 120 adolescentes e 60 adultos da Favela da Linha, da Favela Japiaçu/Nove e do Cingapura Madeirite, nos arredores do Ceagesp, em São Paulo.

     

     

    Já publicado no Rio de Janeiro pela 7letras e em São Paulo pela Dulcinéia Catadora e agora pela Tipografia Acaia, percebemos na obra de Flávio Viegas Amoreira um projeto de exportação para o Brasil da poesia escrita às margens paulistas do mar, sob o que o autor chama de “sentimento atlântico do mundo”. Seus livros são contêineres carregados de letras, palavras e sentidos que saem do Porto de Santos em direção às sensibilidades de todo o País (e ainda tem gente que, por causa das posições críticas do autor, acha que ele fala muito e escreve pouco).

     

    E é da perspectiva do habitante do litoral que ele canta São Paulo:

     

    o Mar é longe / oceanos empoçam castelos
    de areia
    entro por grutas / grotas / elevadores
    capengam
    shoppings da babilônia: não existem
    ponte além de
    muretas guaritas tiras do ouro bandeirante
    nada insiste subsiste uma vista onde
    nunca se
    encaixa ao mesmo tempo ao todo se situa
    onde mora o deserto é menos só que na
    Augusta

     

    Ou em outro trecho, em que o fetiche de descanso do paulistano, a praia, toma o significado de local preferido:

     

    a Paulista é minha praia: ondas de pressa
    e cimento
    do Jaraguá vejo-te: cosmovo
    Sampa é o único mundo de quem perdi
    o medo
    Nu era o começo indistinto agora
    reconheço

    alamedas / janelas / quartos de estória
    em cada cômodo um coito / parto /
    falecimento
    águas pútridas / córregos em trânsito /
    pirajuçaras

     

    Trechos de Sampoema foram lidos pelo autor em Santos, no último sábado (24), no Espaço Corisco Mix, durante o Sarau Poemix, que contou também com leituras de Marcelo Ariel com o seu Tratado dos Anjos Afogados. Os dois foram acompanhados pela guitarra deste colunista, mas isto não vem ao caso. Na ocasião, os dois ainda leram textos que publicaram no mais recente número da revista Polichinelo, publicada em Belém.

     

    Referências

    Flávio Viegas Amoreira e Moisés Edgar. Sampoema. São Paulo: Tipografia Acaia, 2008.

     

    * Alessandro Atanes, jornalista, é mestre em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Servidor público de Cubatão, atua na assessoria de imprensa da prefeitura do município.
    alessandroatanes@correios.net.br
     
     
     
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