Texto atualizado em 01/07/2008 - 00:23
A matriz de transporte de carga dos Estados Unidos da América
Caros leitores,
Hoje, vamos conhecer a distribuição das cargas entre os diversos meios de transporte, a denominada matriz de transporte, que ocorre nos Estados Unidos da América.
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Como foi visto no artigo anterior, a evolução dos meios de transporte nos Estados Unidos da América, existe uma predominância das rodovias, 70%, e gasodutos, 25%, quando é considerada a extensão desses meios de transporte.
Entretanto, em termos de tku, toneladas quilômetros úteis, a medida de produção de transporte, mostra que a ferrovia e a hidrovia têm papeis importantes nos deslocamentos de mercadorias nos Estados Unidos.
|
modal |
quilômetros |
milhões tku |
tonelada/km |
% |
|
aéreo |
- |
25.288 |
- |
0,4 |
|
rodoviário |
6.608.780 |
1.692.110 |
256.040 |
26,6 |
|
ferroviário |
158.503 |
2.731.244 |
17.231.517 |
42,8 |
|
hidroviário |
43.004 |
951.956 |
22.136.452 |
15,0 |
|
dutoviário |
2.641.458 |
965.356 |
365.463 |
15,2 |
|
|
Em termos de tku, a ferrovia representa o principal meio de transporte deslocando 42,8 % das cargas. A hidrovia 15,0 % somada aos dutos, 15,2%, estruturam um modelo econômico da matriz de transporte, pois 73% das cargas utilizam os meios cujos custos e impactos ambientais e urbanos são menores. A rodovia com os 26,6% tem uma função importante de integrar os modais fazendo as pontas rodoviárias, inclusive do transporte aéreo. Finalmente o transporte aéreo é importante para o transporte de produtos de alto valor agregado a grande distância, apesar de representar apenas 0,4 % da matriz de transporte.


Esse desempenho, da ferrovia e da hidrovia, é obtido pelo uso intenso dos grandes eixos de transporte com equipamentos, trens e comboios de barcaças de grande capacidade transportando em longas distâncias. É comum a utilização de vagões especializados de alta tonelagem e em trens pesados, os quais atingem até 5.000 toneladas. Na hidrovia os comboios com múltiplas barcaças podem transportar mais de 10.000 toneladas.


Comboio de empurra das hidrovias americanas de 10.000 toneladas
Esse bom aproveitamento das malhas ferroviária e hidroviária, 158.503 e 43.004 quilômetros respectivamente, resulta em uma alta densidade de carga por quilômetro, 17 milhões de toneladas por ano na ferrovia e 22 milhões na hidrovia, indicando um ótimo aproveitamento dessas malhas.
As baixas densidades das malhas de rodovias e de gasodutos indicam a função distribuidora das mesmas. Cabe aqui ressaltar que do total de dutos, 2.641.458 quilômetros, os oleodutos têm apenas 244.219 quilômetros com alta densidade de carga e também estão localizados nos grandes eixos de transportes a exemplo das ferrovias e hidrovias.

Sistema ferroviário da América do Norte (fonte AAR)
Referências bibliográficas
The American Canal and Transportation Center, The Best from American Canals II, Willian H. Shank, 1984.
BTS – Bureau of Transportation Statistical
http://www.bts.gov/publications/national_transportation_statistics/
* Sílvio dos Santos foi gerente de Transportes Hidroviários e Marítimos da Secretaria de Infraestrutura de Santa Catarina e conselheiro dos CAPs dos portos de Imbituba, Itajaí e São Francisco do Sul. É mestre em engenharia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Iniciou sua vida profissional como engenheiro da Cia. do Metropolitano de SP e trabalhou também na Ferrovias Paulistas S.A. (Fepasa), Ferrovia Norte Brasil (Ferronorte) e no Escritório Técnico Figueiredo Ferraz. Seus cursos de especialização em navegação fluvial, portos e ferrovias foram realizados na França com bolsa da ACTIM. Professor de Planejamento de Transportes na Poli-USP, no IME e na Universidade Católica de Santos, onde também lecionou a disciplinas Portos e Navegação Fluvial. Na UFSC foi professor de Ferrovias e Portos, Rios e Canais, durante o estágio de docência. Na Única, em Florianópolis, lecionou a disciplina Transportes e Seguros do Curso de Administração em Comércio Exterior. Atualmente, é engenheiro do Laboratório de Transportes e Logística no convênio da Secretaria de Portos (SEP) com a UFSC. Tem dois livros publicados pelo Cengage Learning: Qualidade e Produtividades nos Transportes - 2008 - co-autor e Transporte Ferroviários - história e técnica - 2011.