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Comércio Exterior

 
  • Exportações

  • Acesso à informação alavanca participação de pequenas empresas
    Texto atualizado em 31 de Outubro de 2008 -
     
    Bruno Merlin
    reportagem
     

    Embora ainda tímida, a participação das pequenas e médias empresas do Brasil no comércio internacional aumenta a cada ano. Com informações mais acessíveis sobre o trâmite de importação e exportação, descobre-se que participar dessa corrente global não é impossível. Essa é a avaliação de Fábio Campos Fatalla, engenheiro e diretor comercial da Interface Engenharia Aduaneira, a primeira empresa do País a receber a autorização do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) para atuar no segmento.

     

    Em entrevista exclusiva ao site PortoGente, Fatalla destacou que o comércio exterior “ainda é um bicho de sete cabeças para quem começa no ramo, mas isso está mudando”. Os empresários de menor porte, explica o diretor, não vêem mais pelo prisma de que é impossível importar ou exportar mercadorias. “Hoje se pensa que dá para trazer carga, dá para enviar ao exterior. A coisa está muito mais fácil, desde que se trabalhe passo-a-passo. Com a atual infra-estrutura do País, as pequenas empresas já têm linha de crédito e procurando profissionais do setor de classificação [dos produtos] vão obter orientação adequada. Já há onde encontrar as informações. Até uma pessoa física pode importar um carro com facilidade hoje. Antes era muito complicado”.

     

    Classificar a mercadoria importada ou exportada para a Receita Federal, por meio da Tarifa Externa Comum (TEC), é fator obrigatório para os atores do comércio exterior. Uma classificação incorreta pode ocasionar em perda de tempo e de recursos no processo de importação e exportação. “Todo documento que faltar ou for preenchido de forma incorreta poderá gerar multa e atraso no processo. Ou até apreensão da carga. Depende de como a Receita vai interpretar isso, se houve má-fé ou até intenção de burlar a Tarifa”. Movimentar carga não é, portanto, simplesmente colocar o equipamento em um contêiner e contratar o transporte.

     

    O trabalho da Interface, que atua em todo o País e tem sede em Santos, no litoral paulista, é o de fazer uma ponte entre seus clientes e a Receita Federal. Conforme detalha o diretor comercial, transformar o linguajar técnico de cada setor produtivo para o linguajar aduaneiro é essencial para que no processo de desembaraço seja possível transmitir as informações necessárias e corretas para o órgão federal. Entre os principais serviços especializados da empresa, Fatalla aponta a elaboração de laudos técnicos, avaliações para importação de equipamentos usados, classificação aduaneira e análises laboratoriais.

     

    Engenheiro avalia que, com os investimentos em infra-estrutura,

    Brasil caminha para ser a "bola da vez" do comércio internacional

     

    Com a grande vigilância da Receita nos portos brasileiros, Fatalla acredita que a tendência é que o contrabando e que a entrada de drogas diminua. Segundo ele, o controle da fiscalização e a interligação das informações pela rede do Siscomex Carga fazem com que seja muito mais difícil do que há alguns anos burlar as regras do comércio exterior. “Lembro de um caso que, através da classificação, descobriram que estava aumentando muito a quantidade de cachecol entrando no País. E esse é um produto estranho para chegar aqui em grande quantidade. Logo detectaram que não era cachecol. Com o sistema aberto, é muito difícil esconder informações”.

     

    Comunicação

    A comunicação precária entre as empresas exportadoras e importadoras, os prestadores de serviços e os órgãos federais é, de acordo com Fatalla, um gargalo do comércio exterior em todo o Brasil. Ele conta que no exterior, a primeira atitude que se recomenda a um empresário que pretenda exportar é procurar uma empresa de engenharia aduaneira e se orientar sobre o processo de exportação. “Aqui no Brasil são poucas as empresas que fazem esse serviço. Na maior parte [das vezes], é um profissional liberal que faz esse tipo de serviço, sem estrutura. Lá fora, é bem mais comum existir, apesar das facilidades de comércio internacional que eles têm. Não há tantos controles como temos aqui”. O diretor comercial lamenta, ainda, a falta de profissionais qualificados para lidarem com a TEC e possibilitarem um trâmite mais tranqüilo aos importadores e exportadores.

     

    Ele avalia ser essencial trabalhar a “questão preventiva” do processo da movimentação de mercadorias. “Se o empresário pensar ‘vou importar daqui a tanto tempo’, precisa se planejar para saber se traz o equipamento montado ou desmontado e até em questões como se pode pleitear redução tributária”. Para Fatalla, esse planejamento auxilia no rendimento das empresas. O que falta para isso deslanchar, opina, é uma mudança de paradigma e um trabalho de conscientização de que se trata de algo benéfico para os envolvidos.

     

    Crise financeira

    Atuando em um dos ramos mais sensíveis à economia, Fatalla avalia que a atual crise financeira mundial ainda não diminuiu os projetos de importação e exportação com que ele trabalha. No entanto, ele classifica que os empresários estão em compasso de espera. “Quando acontece um problema com as empresas, nós sentimos de imediato. Assim, posso dizer que os projetos que estavam andando não pararam e nem diminuíram. Mas comecei a sentir, não uma queda, mas um certo compasso de espera para ver o que vai acontecer com a economia. Não há pressa. Normalmente, quando um cliente aparece na empresa, já decidiu a estratégia, está desesperado e quer os laudos para ontem. No momento não há pressa: ‘vamos fazer com calma e ficar na espera’".

     

    Na próxima sexta-feira, PortoGente publicará a segunda parte da entrevista exclusiva com Fábio Fatalla. Nela, o engenheiro abordará o funcionamento do Siscomex Carga, a formação de mão-de-obra para setor e a atuação do governo federal nas questões do segmento. Não perca.

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    Enviado por JOSÉ em 21/04/2010  (recife)
    Site: porto gente
    Brasil tem um mérito de ser a bola da vez no comércio de importação e exportação de mercadorias, pequenos e grandes empreendedores vem ganhando participação extensa nesse mercado tão explorado, damos graças a nossa infraestrutura corpórea e imcorpórea de cada estado do país.
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