O superintendente de Transportes da Bahia, Neville Barbosa, disse nesta semana ao PortoGente que está satisfeito com os novos rumos do Porto Sul, complexo portuário que o governo baiano quer construir em uma área de 17,7 milhões de metros quadrados, próxima à cidade de Ilhéus. A previsão é de que o empreendimento entre em operação até o final de 2011. A novidade é que o porto será licitado com base nas novas regras delimitadas pelo Decreto 6.620, que prevê a participação da iniciativa privada no projeto, sem que a empresa vencedora possua, necessariamente, carga própria para movimentar.
Quando pronto, o porto dará fim ao gargalo existente nos três portos baianos – Salvador, Aratu e Ilhéus – e acelerará o escoamento da produção do estado. O empreendimento movimentará mais de R$ 4 bilhões por ano em mercadorias e agilizará a exportação de minério de ferro, de grãos e de cargas conteinerizadas graças à construção de uma ferrovia de integração Oeste-Leste, ligando diretamente o litoral da Bahia aos estados de Mato Grosso, Goiás, Tocantins e o Distrito Federal.
“O porto até poderia ser construído pelo Governo da Bahia, mas inseri-lo nesta nova realidade portuária do País era a opção mais viável e natural após meses de negociações entre o governador Jacques Wagner e o ministro dos Portos, Pedro Brito. É bom ver que todas as esferas uniram esforços no sentido de viabilizar o Porto Sul e que já conseguimos licitar o levantamento topográfico do local, uma das etapas mais importantes”.
Em sua passagem por Santos, no final de outubro, Pedro Brito fez questão de elogiar o Porto Sul e frisar que ele foi escolhido por questões técnicas como um dos projetos pioneiros a ser licitado nos novos moldes do Decreto 6.620.
“A Bahia tem hoje três portos, sendo que Ilhéus é de porte pequeno, atendendo a uma dinâmica mais regional. A idéia do governo do estado é construir um porto perto deste para atender a demanda que será criada com a ferrovia Leste-Oeste e que escoará grãos e, principalmente, minério de ferro do oeste baiano. Esse é o projeto que será publicado já de acordo com a nova concepção da lei, de concessão via licitação pública. O governo da Bahia tornou um terreno de utilidade pública e é lá que faremos as primeiras concessões nos novos moldes”.
O Porto Sul será, em princípio, dependente da exploração e escoamento do minério de ferro na região de Caetité. Deixando-se de lado os R$ 2 bilhões de investimentos para o Porto Sul, o complexo de exploração de minério de ferro exigirá investimentos de até US$ 1,6 bilhão, a ser explorado pela empresa Bahia Mineração, tornando-se assim o terceiro maior produtor de minério de ferro do País, atrás de Carajás, no Pará, e do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais.
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