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  • Porto Sul

  • Impactos ambientais podem atrapalhar construção na Bahia
    Texto publicado em 18 de Novembro de 2008 -
     
    da Reportagem
    PortoGente
     

    Fotos: http://catucadas.blogspot.com  

    Vislumbrado pelo Governo da Bahia como um dos projetos mais importantes de logística e infra-estrutura para o Estado, a construção do Porto Sul pode sair mais tarde do que o planejado por causa dos impactos ambientais que a obra trará ao Litoral Sul baiano. A partir de comentários postados no PortoGente pelo internauta e trabalhador portuário avulso Jorge Haile, de Aratu, vamos mostrar nas próximas semanas um lado até agora pouco divulgado do porto previsto para funcionar até o final de 2011.

     

    O superintendente de Transportes do Governo da Bahia, Neville Barbosa, explicou de forma detalhada que o futuro complexo a ser instalado entre os Ilhéus e Itacaré envolverá porto, ferrovia, hidrovia, rodovia e aeroporto, tornando-se assim a solução definitiva para o gargalo existente nos três portos baianos – Salvador, Aratu e Ilhéus – no escoamento da produção do estado. No entanto, o ponto central da polêmica é justamente a área escolhida para se fazer isso tudo.

     

    Relatórios de organizações não-governamentais confirmam que o Porto Sul e seus agregados (orçados em inacreditáveis R$ 6,5 bilhões) farão desaparecer do mapa nos próximos anos cerca de 680 hectares de mata atlântica. Fazendo uma rápida comparação, é como se 680 estádios da Fonte Nova sumissem nos próximos anos na Bahia. A mata atlântica, vale lembrar, é uma formação vegetal tipicamente brasileira, mas em função do desmatamento, encontra-se extremamente reduzida.

     

    “A gente conversou com os ambientalistas, explicou que o novo porto vai mudar a economia da Bahia, dar uma reanimada na parte Sul do Estado, historicamente dependente do cacau, e eles pareceram concordar. Não queremos brigar com ninguém, até porque o governador Jaques Wagner nos deu essa ordem: prioridade máxima, mas sem danos ao meio ambiente”, disse Neville Barbosa, em entrevista publicada no mês de abril pelo PortoGente.

     

    De fato, no próprio documento de apresentação do projeto, o Governo do Estado afirma que investirá na formação de cinturões verdes com o cultivo de espécies nativas, para preservar o ecossistema. Outro trunfo é o fato do porto ser offshore, com as embarcações atracando a três quilômetros da faixa de areia da praia. Ainda está previsto também a reciclagem da água e da betonita que serão utilizadas na moagem do minério de ferro a ser transportado pelo minerioduto.

     

    Mas, os ambientalistas não acreditam em todas as promessas do Governo da Bahia. Eles questionam a necessidade de construção de mais um porto na região, sendo que Ilhéus já conta com um complexo portuário – administrado pela Companhia Docas da Bahia (Codeba) – desde 1971. Outro motivo de discórdia é o fato do Porto Sul inviabilizar, dentro de alguns anos, o turismo ecológico no local. Em entrevista à Rádio CBN, o ambientalista Rui Rocha resumiu o temor de muita gente.

     

    “O porto comprometerá uma grande faixa litorânea de praia que existe ao norte de Ilhéus e que hoje é uma praia extremamente bonita, bem conservada, e já tem vários empreendimentos turísticos criados ou que estão em fase de implantação. Mas isso tudo pode cair com esse projeto do porto. O assunto ainda não chegou na mesa do ministro do Meio Ambiente Carlos Minc e essa é uma preocupação nossa agora”.

     

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