A atividade portuária tem especificidades, detalhes e segredos que a maioria das pessoas desconhece. Deputados e ex-deputados federais da nossa região contam, por exemplo, que é muito raro encontrar em Brasília um parlamentar da capital ou do interior paulista e de outros estados que tenha noção das necessidades de um porto, ou pelo menos de um porto com a dimensão do de Santos.
Mesmo aqui na Baixada Santista, onde é muito difícil encontrar alguma família que não tenha algum profissional vinculado ao Porto, as questões portuárias fogem da compreensão da maioria das pessoas. O tema é super-importante para as cidades daqui pelo peso que o embarque e o desembarque de cargas e as atividades ligadas a essa movimentação têm na economia regional. Mesmo assim, é muito difícil escrever reportagens e editoriais sobre esse assunto que provoquem interesse e levem compreensão ao cidadão leigo em coisas do porto.
Você que acompanha o PortoGente é a exceção que confirma essa regra. Escrever sobre porto para você ler é mais fácil. Você tem noção da logística da movimentação das cargas, da dinâmica do trabalho, dos percalços todos (incluindo os salteadores de estradas) que um motorista de caminhão enfrenta para trazer ou levar a carga daqui, dos contratos irregulares que loteiam a área do cais, essas coisas todas.
Mas será que são essas as preocupações da comunidade em relação ao porto?
Dia desses o novo presidente da Codesp, José Roberto Serra, respondeu ao vivo perguntas dos telespectadores num programa de televisão. É um exercício interessante acompanhar as perguntas que foram feitas a ele:
1. Leonardo, de Guarujá, fez uma pergunta política. Queria saber como o presidente da Codesp analisava as críticas da senadora Kátia Abreu ao novo marco regulatório da atividade portuária no Brasil;
2. Dirce, de Santos, perguntou se a Codesp oferece treinamento para o jovem que busca o primeiro emprego;
3. Valdomiro, também de Santos, queria saber se a ligação ferroviária Santos - Cubatão - Guarujá deveria ter controle estatal;
4. Deolinda, de São Vicente, pediu a opinião de Serra sobre a construção de uma ponte indo da avenida Nossa Senhora de Fátima até o Monte Cabrão, do outro lado do mar;
5. Uriel, de Santos, apresentou questões sobre as regras trabalhistas para o porto privado, a situação do fundo de pensão Portus (a Codesp tem dívida grande com ele) e a contribuição da Codesp e dos operadores, num cenário de duplicação da movimentação atual de cargas, para meio ambiente, trânsito e estacionamentos.
6. Marcos, de Vicente de Carvalho, pediu detalhes sobre a saída dos moradores de Conceiçãozinha para a construção de um terminal portuário lá.
Lógico que existem na comunidade outras dúvidas e preocupações em relação ao Porto de Santos, principal pólo gerador de emprego e renda na Baixada ao lado das indústrias de Cubatão e da atividade turística. Mas essa é uma amostragem que serve de referência.