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  • Entrevista

  • Engenheiros da Petrobras alertam: pré-sal não pode cair nas mãos de estrangeiros
    Texto atualizado em 10 de Fevereiro de 2009 -
     
    Bruno Merlin
    reportagem
     

    A Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet) divulgou, recentemente, que o presidente norte-americano Barack Obama deseja que o governo brasileiro entregue o pré-sal para um consócio de empresas petrolíferas anglosaxônicas, sob liderança das empresas norte-americanas. Diante desse panorama, a reportagem de PortoGente procurou o presidente da Aepet, Fernando Leite Siqueira, para questionar um modo de evitar que a riqueza gerada pelo pré-sal vá parar nas mãos de estrangeiros.

     

     

    Atualmente, os royalties do petróleo são concedidos apenas para os

    estados e municípios localizados próximos das plataformas de extração

     

    Em entrevista que será publicada em duas partes, Siqueira ressalta que a Petrobras precisa se incumbir do desenvolvimento do pré-sal. Para ele, o Governo Federal tem obrigação de recomprar as ações vendidas na Bolsa de Nova Iorque e rever o marco regulatório do setor, que é extremamente prejudicial para o País.

     

    * O petróleo pré-sal é nosso

    * Acionistas da Petrobras com uma pulga atrás da orelha

     

    Para enfrentar as pressões internacionais, que querem tirar vantagem das descobertas brasileiras da camada pré-sal, o presidente da Aepet pede que a sociedade brasileira se mobilize na defesa desse patrimônio nacional. “Nas décadas de 40 e 50, quando o petróleo era apenas um sonho, se fez o maior movimento cívico deste País [’’O Petróleo é nosso’’]. Agora que este sonho virou realidade, acima de qualquer expectativa, há muito mais razão e motivação para se mobilizar o País na defesa desse imenso patrimônio”.

    A segunda parte da entrevista será veiculada na próxima terça-feira (17).

     Foto: www.averdade.org.br 

    PortoGente - Na sua avaliação, qual a melhor forma para administrar a camada pré-sal brasileira?

    Fernando Siqueira - A melhor forma seria entregar à Petrobras o desenvolvimento do pré-sal, com o Governo Federal recomprando as suas ações vendidas na Bolsa de Nova Iorque. O momento é oportuno porque as ações estão baratas. A empresa foi a responsável pela descoberta do pré-sal depois de estudá-lo por trinta anos, até que as novas tecnologias conseguiram superar as dificuldades e permitiram o acesso ao reservatório. O primeiro poço custou US$ 260 milhões pelo desconhecimento que havia da camada de sal. Portanto, a companhia correu todos os riscos e conhece todas as condições de explorar nessa profundidade.

     

    PortoGente – E o que é necessário para reverter essa situação?

    Siqueira - É preciso rever o marco regulatório, que é extremamente ruim para o Brasil. A Lei 9.478/97 tem três artigos (3º, 4º e 21) que obedecem a Constituição e estabelecem que as jazidas e o produto da lavra do petróleo pertencem à União Federal. Mas esta mesma lei tem um artigo 26, fruto do lobby internacional e da brecha deixado pelo governo FHC, que indica que quem produzir é dono do petróleo. Portanto, ela tem artigos que se contradizem e contrariam a Constituição. Outro ponto negativo é que o marco regulatório estabelece uma participação de apenas 0 a 40% (mais 5% de royalties) para a União na produção do petróleo. No mundo, os países exportadores recebem 84%, em média, de participação na produção. Os países da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) recebem 90%.

    PortoGente - Como o senhor vê a possível criação de uma estatal apenas para gerir esse segmento? O ventilado aumento da participação paga pelos concessionários em até 80% pode acontecer?

    Siqueira - Não é a melhor solução. Entretanto, se obedecidas as condições que o Ministro das Minas e Energia divulgou como sendo propostas do grupo de trabalho interministerial, que estuda a questão, seria um grande avanço. Ele mencionou, entre outras, as seguintes propostas: a) mudança no marco regulatório para garantir a propriedade do petróleo para a União, conforme manda o artigo 177 da Constituição Federal; b) mudança do contrato de concessão (que dá a propriedade a quem produz) para contrato de partilha da produção de forma que quem produzir receba um percentual em espécie ou em petróleo; c) converter os ativos do pré-sal, pertencentes à União, em ações da Petrobrás retomando a sua condição de empresa estatal brasileira, criada para assegurar a propriedade do petróleo para o povo brasileiro e abastecer o País aos menores custos.

     

    PortoGente – E por que a propriedade do petróleo tem de ser necessariamente da União?
    Siqueira
    - Porque o Governo pode usá-lo para obter contrapartidas dos países que importarem do Brasil; pois, tendo a propriedade, pode impedir produção predatória, ou seja, produzir mais do que a capacidade física da jazida permite. Isso ainda leva em conta a estratégia energética do País. Por exemplo, se a Agência Nacional do Petróleo (ANP) continuar fazendo os perniciosos leilões e vender todos os blocos, sem essa preocupação, o pré-sal pode acabar em treze anos. Se, todavia, a Petrobrás for a encarregada de produzir - e ela segue essa estratégia -, o pré-sal pode durar 40/50 anos.             

     

    PortoGente - Passada a celebração pelo descobrimento das grandes reservas petrolíferas na camada pré-sal em bacias como a de Santos, é hora de atentar para o modo como essa oportunidade será aproveitada. O que fazer para garantir que a população brasileira seja beneficiada?

    Siqueira - Além das mudanças urgentes já citadas, o Congresso Nacional tem que mudar a lei dos royalties. Hoje, os royalties são concedidos apenas para os estados e municípios que se acham próximos das instalações ou são por elas afetadas. No caso do pré-sal, que se acha a mais de 200 quilômetros da costa, não tem sentido esse critério. Além disto, como o volume financeiro envolvido é muito grande e dá para contemplar a todos, seria injusto premiar apenas uma minoria de estados e municípios. Entretanto, esses recursos dos royalties têm que ter sua verba carimbada, para uso somente em investimentos sociais, como saúde, educação, segurança, meio ambiente e infraestrutura. A própria sobrevivência dos royalties depende disto, pois nos países onde têm produção em águas profundas, eles foram extintos sobre os argumentos de que os investimentos e os riscos são elevados. Se forem concentrados apenas em meia dúzia de estados, os políticos dos demais estados votarão pela extinção. Mas se todos os estados receberem, muda tudo.   

    PortoGente – A própria Aepet divulgou recentemente que o presidente norte-americano Barack Obama deseja que o governo brasileiro entregue o pré-sal para um consócio de empresas  petrolíferas anglo-saxônicas, sob liderança das empresas norte-americanas. Como evitar que essa riqueza vá parar nas mãos de estrangeiros?

    Siqueira - Os poderes da República estão sob intensa pressão dos Estados Unidos, que consomem cerca de 10 bilhões de barris por ano (oito internamente e dois por suas bases militares e corporações no exterior) e só têm 19 bilhões deles de reservas. Por isto, as tropas invadiram o Iraque. Agora reativaram a quarta frota, na melhor das hipóteses, para pressionar psicologicamente o governo brasileiro. O cartel das sete irmãs, que por só terem, hoje, 3% das reservas mundiais, está fadado a desaparecer. Por outro lado, as “oito irmãs” estatais (Saudi Aramco, INOC, do Irã, Gazprom, da Rússia, Petronas, da Malásia, Petrochina, Pemex, do México, PDVSA, da Venezuela, e Petrobrás) detêm cerca de 65% das reservas mundiais. Ora, quem domina o setor há 150 anos, com todo tipo de atuações perniciosas, como suborno, assassinato e corrupção de governos, não vai morrer sem luta. Para contrapor essas pressões, é preciso que a sociedade e toda a população brasileira se mobilizem em defesa desse fantástico patrimônio. Nas décadas de 40 e 50, quando o petróleo era apenas um sonho, se fez o maior movimento cívico deste País. Agora que este sonho virou realidade, acima de qualquer expectativa, há muito mais razão e motivação para se mobilizar o País em defesa desse imenso patrimônio. Estamos trabalhando nesse sentido.

     

    Enviado por PAULO MATOS em 30/09/2009  (SANTOS)
    Site: jornalsantoshistoriapaulomatos.blogspot.com
    A exploração do petróleo e do gás da bacia de Santos deve durar vinte anos, tempo aquém do que se projeta o ”ouro negro” descoberto no século XIX na América do Norte e no século XX por aqui, respectivamente 1859 e 1939. Os Estados Unidos descobriram o petróleo 80 anos antes de nós, em 1859. Em 1927 tinham quase um milhão de poços. Em 15 anos, abrimos 65 poços, eles 380 mil. Foram 70 poços abertos por dia nos EU, nós quatro por ano. São dados do livro “O escândalo do petróleo e do ferro”, de Monteiro Lobato. “Tivessem um serviço geológico como o nosso... Paulo Matos
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