Existe uma grande diferença entre implantar um sistema de qualidade baseado na ISO 9000 e um sistema ambiental baseado na ISO 14000. Este último exige um cuidado maior face à falta de cultura e de ações ambientais nos diversos processos de cada empresa. São poucas as que incorporam a variável ambiental em seu planejamento estratégico.
* A gestão ambiental e o desenvolvimento sustentável
A questão ambiental ganhou importância na Europa do pós-guerra, durante os debates do Clube de Roma. Na década de 1970, a discussão das questões ambientais foi marcada pela Conferência de Estocolmo (1972), que foi a primeira em nível mundial.
Acidentes famosos, como o ocorrido em Bhopal (Índia), contribuíram para a mudança de políticas, legislações e de conceitos sobre o gerenciamento ambiental. Surgiram em vários países os partidos e os parlamentares verdes. No Brasil, foi publicada em 1986 a Resolução 1 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Infelizmente, nesta década, as pessoas que lutavam pela causa ambiental eram consideradas, por alguns, como radicais e, muitas vezes, denominadas "eco-chatas". Havia um constante atrito entre os defensores, fiscalizadores e o empresariado.
A globalização dos conceitos e da economia, uma maior conscientização do consumidor com a crescente exigência ambiental e uma preocupação com a vida planetária resultarão em transformações mercadológicas. O Ecomarketing já é uma realidade. Ele traz uma nova vertente do marketing convencional e uma vantagem competitiva
A questão ambiental trata diretamente a relação empresa, acionista, cliente, fornecedor, empregado e comunidade. A pressão deverá crescer e se tornar mais intensa. A empresa que não estiver consciente dessa nova realidade, e que não atue como uma empresa-cidadã, estará comprometendo o seu futuro. A comunidade é parte integrante de qualquer sistema que busca a qualidade total.
Exsite um crescimento organizado e fundamentado tecnicamente das ONGs (Organizações Não Governamentais) e de variados órgãos de meio ambiente. A fiscalização deverá ser descentralizada. Em nível empresarial, será necessária uma grande transformação. Há uma profunda necessidade de se conscientizar os empresários da nova realidade ambiental mundial. Não adianta falarmos em implantação de um sistema de gestão ambiental baseado na ISO 14000, se a diretoria da empresa não estiver realmente comprometida e decidida a fazer isto.
A busca de certificação de qualidade e ambiental não deverá ser, de forma alguma, a meta principal, mas sim uma conseqüência do processo de conquista da excelência nestas áreas. Não adianta ter um diploma ou certificado pregado na parede se o sistema implantado é falho.
Empresas que adotarem esta postura cairão na incredibilidade da comunidade e de órgãos fiscalizadores, o que as levará ao fracasso. A variável ambiental e, claro, da qualidade deverá, obrigatoriamente, fazer parte do planejamento estratégico de qualquer empresa.