“Devo à Codesa (Companhia Docas do Espírito Santo), ao seu corpo funcional e ao Espírito Santo o apoio que me permitiu fazer o trabalho que fiz e me tornar um profissional mais valorizado no mercado do que era antes. Tenho meu mérito, mas não nego a participação deles. Posso continuar no setor público, mas posso ir para o privado. Sou um andarilho. Não sou mais carioca, sou um brasileiro”.
As palavras são do economista Ângelo José Carvalho Baptista, hoje ex-presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), em entrevista exclusiva ao PortoGente. A saída de Baptista foi anunciada, em primeira mão, pelo site em de abril.
Depois de seis meses à frente da Emap, Baptista deixa o estado do Maranhão no próximo dia 31 de maio. Ele e membros da sua diretoria estão ajudando no processo de transição com a nova diretoria da Emap. “A gente tem responsabilidades com as coisas que resolvemos fazer e não podemos deixar de dar continuidade aos projetos. Temos compromisso com o Governo Federal”, referindo-se, especificamente, à Secretaria Especial de Portos (SEP) e à Casa Civil.
O executivo, que ocupou a presidência da Codesa de outubro de
Apesar da sua saída, Ângelo Baptista faz questão de ressaltar que a Emap continua sob a ‘batuta’ da SEP e que o novo presidente, o engenheiro de minas Hermes Luis Farias Ferreira, é um profissional altamente qualificado. O ex-presidente aguarda a orientação da SEP sobre o seu destino no setor portuário público. “No final do mês, com a volta do ministro da Ásia vou ver qual será minha próxima missão”.
Balanço de gestão
Ângelo Baptista faz um balanço do trabalho executado à frente da presidência da Emap, durante os últimos seis meses. Logo nos primeiros dias, Baptista detectou que alguns projetos, principalmente os que tinham investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), estavam atrasados e deu andamento aos trabalhos.
“Encontrei investimentos, aprovados no PAC, para obras – orçadas em R$ 250 milhões – que já haviam sido iniciadas e estavam paralisadas, pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Minha missão era retomar as obras de recuperação dos berços 101 e 102, no valor de R$100 milhões; a construção de outro berço (nº 100), no valor de R$100 milhões; e o restante (R$50 milhões), para a dragagem”.
Na sua gestão foram assinados aditivos contratuais com o TCU para os berços 101 e 102 e a retomada das obras foi acordada com os consórcios, e está programada para o próximo dia 31. “Do ponto de vista ‘formal’ está concluído, agora cabe à nova gestão acompanhar”.
A construção do berço 100, no entanto, depende de outra obra, a dragagem. O contrato para a dragagem, antes da gestão de Baptista, foi cancelado pelo não cumprimento de prazos. O problema foi resolvido junto à SEP com o compromisso do consórcio Camargo Correia, nesta semana, apresentar contrato onde consta a vinda de dragas do exterior para executar a obra no Porto do Itaqui. “Caso não apresente, deverá ser publicado edital para nova licitação. Isso estava acordado e a nova gestão vai definir”.
Outra obra que estava paralisada, também anterior à sua diretoria, por problemas no processo de licitação era o do Terminal de Grãos (Tegran), informa Baptista. “Decidimos revogar a licitação, por interesse público, porque identificamos falhas que poderiam gerar monopólio privado. Conversamos com os entes públicos e todos concordaram. Assim, mudaram o projeto. Mudamos o sistema de embarque das áreas que seriam arrendadas – no projeto inicial era tudo junto – e decidimos que a área é para construção de armazéns. A Emap vai comprar correias transportadoras e cais”.
Toda essa discussão melhorou a viabilidade econômica do projeto Tegran, conseguindo, inclusive, recursos do PAC na ordem de R$ 50 milhões. Isso tudo em seis meses de gestão, orgulha-se o ex-presidente da Emap.
Caixa e pessoal
Financeiramente, a Emap está, hoje, ainda mais equilibrada, dos R$ 12 milhões que Baptista recebeu em caixa, deixa, agora, R$ 25 milhões. “O faturamento no primeiro quadrimestre deste ano apresentou crescimento em mais de 60%, comparado a 2008. Espero que até 30 de maio chegue a R$ 33,5 milhões”. Baptista prevê que a empresa feche o caixa, até o fim de 2009, em torno de R$ 100 milhões, 30% acima que em 2008.
As despesas, destaca Ângelo Baptista, foram reduzidas. O quadro de pessoal próprio caiu 25%. Ele recebeu a Emap com 140 e entrega com 105. Quanto ao quadro de terceirizados não teve oportunidade de mexer muito, mas o número foi reduzido em 10%, era 360 agora é 330. “E vai reduzir ainda mais”.
Ainda sobre a área administrativa, Baptista reduziu de 54 cargos de chefia para 32, o que significou, defende Baptista, uma redução de 20% na folha de pagamento. O novo presidente da Emap assume com algumas ações importantes em andamento, ainda na área de pessoal, como a revisão de cargos e salários e um preparatório para a realização de concurso público, tudo para o segundo semestre deste ano.
Já a geração operacional de caixa, Baptista disse que em 2008 foi de R$ 18 milhões e que, somente no 1º trimestre deste ano já alcançou a casa dos R$9,5 milhões. O lucro líquido da Emap, em 2008, foi de R$4.900 milhões. Mas o 1º trimestre de 2009 ficou em R$ 5.700 milhões. “Neste quadrimestre deve chegar a R$7 milhões. A empresa já estava equilibrada e deixo melhor e num período de crise”.