Caros leitores,
Hoje, abordaremos a navegação de cabotagem em Santa Catarina que se constituía na única ligação do seu litoral com o resto do Brasil até o inicio da década de 70.
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Naqueles longínquos tempos em que o transporte marítimo era o único existente para vencer grandes distâncias, a cidade de Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis, por ter o único porto seguro entre a Corte, no Rio de Janeiro, e Buenos Aires no Rio da Prata, tornou-se de grande importância para a manutenção do comércio no Sul.
De fato, até 1971, ano de inauguração da BR-101, o litoral catarinense somente dispunha da cabotagem para todo o tipo de transporte, passageiros e carga, pois a ferrovia São Paulo – Rio Grande passava no Vale do Rio do Peixe, a 400 quilômetros no interior do Estado e as rodovias pavimentadas inexistiam.
Ponte Hercílio Luz, com o navio Carl Hoepcke (anos 30) em navegação
Foi o mar, também, que permitiu que pequenos navios chegassem até Laguna, Itajaí, Blumenau, São Francisco do Sul e Joinville, levando o comércio e viajantes, e desenvolver todo o litoral catarinense. Na segunda metade do século XIX o aumento do comércio devido ao crescimento das cidades e também pela economia estável com a chegada dos imigrantes, Santa Catarina necessitava de um maior número de escala dos navios de cabotagem.

Anúncio da Empresa Nacional de Navegação Hoepcke
Dados relativos a 1883 indicavam, que em relação a alguns produtos, o frete entre o porto do Rio de Janeiro e o de Desterro era tão elevado, que seus valores eram equivalentes ao frete entre o Rio de Janeiro e a Europa. Nesse contexto, as empresas de Carl Hoepcke, que já atuavam nos setores industrial, comercial e financeiro, fundaram a Empresa Nacional de Navegação Hoepcke em 1895.

O Carl Hoepcke deslocava 1.248 toneladas, tinha capacidade
para transportar 720 toneladas de carga geral e recebia até
210 passageiros (acervo Edson Lucas).
Referências bibliográficas
Navio Carl Hoepcke encerrou a carreira em Santos - coluna Recordar - Mirante Mundi, 23/12/2007, Laire José Giraud
‘Navios e Portos do Brasil’, de autoria de João Emílio Gerodetti e Carlos Cornejo,
Carl Hoepcke - A marca de um pioneiro – Editora Insular - 1999