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  • A importância da cabotagem para Santa Catarina
    Texto publicado em 19 de Maio de 2009 -

    por Sílvio dos Santos *
     
     

    Caros leitores,

    Hoje, abordaremos a navegação de cabotagem em Santa Catarina que se constituía na única ligação do seu litoral com o resto do Brasil até o inicio da década de 70.

     

    *************************

     

    Naqueles longínquos tempos em que o transporte marítimo era o único existente para vencer grandes distâncias, a cidade de Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis, por ter o único porto seguro entre a Corte, no Rio de Janeiro, e Buenos Aires no Rio da Prata, tornou-se de grande importância para a manutenção do comércio no Sul.

     

    De fato, até 1971, ano de inauguração da BR-101, o litoral catarinense somente dispunha da cabotagem para todo o tipo de transporte, passageiros e carga, pois a ferrovia São Paulo – Rio Grande passava no Vale do Rio do Peixe, a 400 quilômetros no interior do Estado e as rodovias pavimentadas inexistiam.

     

     

    Ponte Hercílio Luz, com o navio Carl Hoepcke (anos 30) em navegação

     

    Foi o mar, também, que permitiu que pequenos navios chegassem até Laguna, Itajaí, Blumenau, São Francisco do Sul e Joinville, levando o comércio e viajantes, e desenvolver todo o litoral catarinense. Na segunda metade do século XIX o aumento do comércio devido ao crescimento das cidades e também pela economia estável com a chegada dos imigrantes, Santa Catarina necessitava de um maior número de escala dos navios de cabotagem. 

     

    Anúncio da Empresa Nacional de Navegação Hoepcke

     

    Dados relativos a 1883 indicavam, que em relação a alguns produtos, o frete entre o porto do Rio de Janeiro e o de Desterro era tão elevado, que seus valores eram equivalentes ao frete entre o Rio de Janeiro e a Europa. Nesse contexto, as empresas de Carl Hoepcke, que já atuavam nos setores industrial, comercial e financeiro, fundaram a Empresa Nacional de Navegação Hoepcke em 1895.

     

    O Carl Hoepcke deslocava 1.248 toneladas, tinha capacidade

    para transportar 720 toneladas de carga geral e recebia até

    210 passageiros (acervo Edson Lucas).

     

     

    Referências bibliográficas

    Navio Carl Hoepcke encerrou a carreira em Santos - coluna Recordar - Mirante Mundi, 23/12/2007, Laire José Giraud

     

    ‘Navios e Portos do Brasil’, de autoria de João Emílio Gerodetti e Carlos Cornejo,

     

    Carl Hoepcke - A marca de um pioneiro – Editora Insular - 1999

     

    * * Sílvio dos Santos foi gerente de Transportes Hidroviários e Marítimos da Secretaria de Infra-Estrutura de Santa Catarina e conselheiro dos CAPs dos portos de Imbituba, Itajaí e São Francisco do Sul. Mestre em engenharia pela UFSC, atualmente está cursando doutorado. Iniciou sua vida profissional como engenheiro da Cia. do Metropolitano de SP e trabalhou também na Ferrovias Paulistas S.A. (Fepasa), Ferrovia Norte Brasil (Ferronorte) e no Escritório Técnico Figueiredo Ferraz. Seus cursos de especialização em navegação fluvial, portos e ferrovias foram realizados na França com bolsa da ACTIM. Professor de Planejamento de Transportes na Poli-USP, no IME e na Universidade Católica de Santos, onde também lecionou a disciplinas Portos e Navegação Fluvial. Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi professor de Ferrovias e Portos, Rios e Canais, durante o estágio de docência. Na Única, em Florianópolis, lecionou a disciplina Transportes e Seguros do Curso de Administração em Comércio Exterior. Atualmente, é engenheiro do Laboratório de Transportes e Logística no convênio da Secretaria Especial de Portos (SEP) com a UFSC.
    E-mails: silvio@ecv.ufsc.br e silvio@labtrans.ufsc.br
    Enviado por Carlos em 25/05/2009  (São Francisco do Sul)
    Site: www.apsfs.sc.gov.br
    Sr. Sílvio dos Santos, nossos agradecimentos pela lembrança de uma história de muito sucesso e, que faz parte de nossa jornada no mundo portuário. Sucesso. Carlos Alberto - Porto de São Francisc do Sul -SC
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