A Câmara dos Deputados aprovou em Brasília, na última semana, o limite de quatro horas ininterruptas de direção para os motoristas de ônibus e de caminhões nas estradas brasileiras. O texto segue agora para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O fato é que, de acordo com o projeto, o motorista deve descansar 30 minutos seguidos ou de forma descontínua ao longo de quatro horas dirigidas. E este foi o tema da Rádio PortoGente da semana. Na beira do cais, as opiniões estão divididas. Ouça abaixo as respostas e deixe sua opinião também.
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O caminhoneiro José Nilton da Silva possui 29 anos de experiência nas estradas e não vê com otimismo a aprovação deste projeto de lei. Ele acredita que o motorista possui discernimento suficiente para parar de dirigir quando está cansado e duvida da capacidade de fiscalização das autoridades. “É um projeto sem pé nem cabeça”.

O colega de José, Marcelo Xavier Leite, está só há um ano e meio ganhando a vida sobre quadro rodas. Por enquanto, ele não se arrisca a fazer viagens de grandes distâncias até por saber dos riscos. “Tem gente que dorme ao volante, pois junta o cansaço com a velocidade limitada para esse tipo de transporte. Aprovo a nova lei”.

O caminhoneiro Samuel Maduro defende a aprovação do projeto de lei, pois, segundo ele, o dono da carga impõe a chegada rápida da mercadoria ao destino final, pressionando muitas vezes o caminhoneiro. “Nós somos muito explorados e nos acostumamos a isso. Com uma fiscalização boa, a lei pode nos ajudar”.

“Eu sou pessimista. Limitar carga horária tira o rendimento de nossas mãos. Isso sem contar que falta organização logística. Muitos de nós viramos noites na estrada para pegar mais carga e para recuperar o tempo perdido em filas de terminais”, desabafa o caminhoneiro Rodrigo Aparecido Félix, profissional há três anos.
