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  • França

  • Legislação territorial e a evolução dos portos
    Texto publicado em 13 de Outubro de 2009 -

    por Sílvio dos Santos *
     
     

    Caros leitores,
    Hoje, falaremos da evolução dos portos franceses e a legislação territorial criada pelo Código Napoleônico.

    ************************

    De acordo com o Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima, o aumento do comércio internacional, após a II Guerra Mundial, exigiu a construção de novos navios adaptados ao transporte de contêineres, uma vez que a movimentação de produtos industrializados em larga escala não poderia continuar a ser feita na forma antiga, com a carga solta sem proteção e num ritmo muito lento.

    Se os antigos cargueiros ficavam até 15 dias em uma escala para descarregar e carregar suas mercadorias, hoje o navio "full-container", faz cada escala em 15 horas, onde 2.000 à 3.000 contêineres são movimentados. A evolução dos navios petroleiros e graneleiros também ocorrida no pós guerra, tornaram as dimensões desses navios incompatíveis com a travessia dos canais de Suez e do Panamá, pois esses navios exigem: espaço, instalações e equipamentos pouco comuns nos portos tradicionais.

    Política portuária
    O crescimento do comércio internacional e a evolução dos navios tornaram os portos tradicionais, localizados junto aos centros urbanos, obsoletos e caros. Na Europa, U.S.A e Japão, durante os anos 70, grandes áreas com potencial portuário e longe das aglomerações urbanas foram selecionadas, planejadas e implantadas.

    Amplos terraplenos, com acessos rodoviários, ferroviários, hidroviários, que permitiram a atracação de embarcações grande porte, substituindo as antigas e tradicionais instalações portuárias, que durante séculos atenderam o comércio exterior.

    Na França, a legislação territorial criada através do Código Napoleônico propiciou a expansão e a ampliação de seus principais portos sem o tradicional conflito cidade x porto. Os portos de Marselha, Le Havre, Rouen e Dunquerque durante a década de 70 receberam investimentos que os tornaram modernos e ágeis para poderem receber as novas gerações de navios e equipamentos.


    Ordenamento territorial dos portos de Rouen e
    de Le Havre. Clique e veja em tamanho ampliado

    Grandes áreas livres de ocupação urbanas dotadas de excelentes acessos ferroviários, hidroviários e rodoviários puderam ser ocupadas sem nenhum conflito fundiário, pois todas as terras estavam cadastradas e seus proprietários identificados.

    Nessas condições ideais os novos portos foram construídos com calados adequados, no mínimo de 15 metros, amplos pátios para estocagem e feixes ferroviários que tornaram os deslocamentos dos grandes trens cargueiros rápidos, seguros e econômicos.
    Ao mesmo tempo, o "velho porto" não foi simplesmente abandonado, mas antes disso, restaurado e utilizado com objetivos social, cultural e educativo, integrando-o ao centro urbano ao qual sempre esteve ligado resgatando a arqueologia portuária.

    A Associação Internacional de Cidades e Portos congrega mais de 100 países reunindo associados, técnicos, artistas e entusiastas onde são divulgadas as realizações e noticias da preservação portuária. Leia mais em www.aivp.org.


    Cais, pátios e instalações modernas dos portos franceses

    Referências bibliográficas
    Histoire du droit : LE CODE DE NAPOLEON ET SON INFLUENCE (1804)

    LA POLITIQUE FONCIÈRE COLONIALE
    http://www.fao.org/DOCREP/003/Y0434T/Y0434t03.htm

    LE CADASTRE NAPOLEONIEN
    http://perso.orange.fr/cadastre/napo.htm

    LE CADASTRE PAR MASSES DE CULTURE DE 1802

    LE CADASTRE PARCELLAIRE DE 1807
    http://perso.orange.fr/cadastre/napo2.htm

    CÓDIGO CIVIL E O CADASTRO NAPOLEÔNICO, disciplina: Legislação Territorial – 2007/2, aluno: Sílvio dos Santos, professor: Jürgen Philips – Curso de Pós-graduação da UFSC.
    Reordenamento territorial, instrumento para realizar Projetos de Infra-estrutura

    Reordenamento Territorial Portuário, aluno: Sílvio dos Santos, professor: Jürgen Philips – Curso de Pós-graduação da UFSC.

     

    * * Sílvio dos Santos foi gerente de Transportes Hidroviários e Marítimos da Secretaria de Infra-Estrutura de Santa Catarina e conselheiro dos CAPs dos portos de Imbituba, Itajaí e São Francisco do Sul. Mestre em engenharia pela UFSC, atualmente está cursando doutorado. Iniciou sua vida profissional como engenheiro da Cia. do Metropolitano de SP e trabalhou também na Ferrovias Paulistas S.A. (Fepasa), Ferrovia Norte Brasil (Ferronorte) e no Escritório Técnico Figueiredo Ferraz. Seus cursos de especialização em navegação fluvial, portos e ferrovias foram realizados na França com bolsa da ACTIM. Professor de Planejamento de Transportes na Poli-USP, no IME e na Universidade Católica de Santos, onde também lecionou a disciplinas Portos e Navegação Fluvial. Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi professor de Ferrovias e Portos, Rios e Canais, durante o estágio de docência. Na Única, em Florianópolis, lecionou a disciplina Transportes e Seguros do Curso de Administração em Comércio Exterior. Atualmente, é engenheiro do Laboratório de Transportes e Logística no convênio da Secretaria Especial de Portos (SEP) com a UFSC.
    E-mails: silvio@ecv.ufsc.br e silvio@labtrans.ufsc.br
     
     
     
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