Texto publicado em 09/02/2010 - 02:09
Porto não pode ficar à mercê de decisão de uma empresa privada
por Redação *
O presidente da Federação Nacional dos Operadores Portuários (Fenop), Mauro Salgado, também dá sua opinião no debate “Portos – Problemas na Modernização”.
PortoGente – Qual a importância da gestão governamental no setor portuário?
Mauro Salgado – Não podemos, logicamente, avaliar a qualidade da gestão, agora quanto à importância é uma questão que vai além da nossa opinião. Na verdade, a gestão governamental no setor portuário é uma obrigação constitucional. A atividade portuária tem de ser regulada pelo Governo Federal. A importância é total. Por que é assim? Porque um porto não pode existir independentemente de uma rede muito complexa que atende a ele, de ferrovias, rodovias, empresas que dão suporte ao porto, no caso de contêineres, por exemplo, terminais retroportuários, que alimentam e fazem toda a logística do contêiner, em função disso o governo tem de estar presente porque um porto, por exemplo, não pode estar à mercê da capacidade de decisão ou da intenção de decisão de uma empresa privada. Hoje eu quero um porto, mas daqui a dez anos eu vou transformar esse porto num shopping center. Por isso, a importância da gestão governamental é total.
PortoGente – O Estado como gestor dos negócios portuários, responsável por regrar, limitar e fiscalizar os negócios portuários, ainda é o caminho ou cada vez mais o mercado deve ser o regulador do jogo?
Mauro Salgado - Há também aí uma correção a fazer. Nós estamos ouvindo muito ultimamente que o governo está mudando o marco regulatório de maneira não permitir mais que empresas privadas operem terminais privativos, e não é isso. Não houve mudança nenhuma, pelo contrário, o marco regulatório sempre foi isso, sempre foi o governo decidir onde vai haver portos e entregá-los sob a forma de concessão, e para concessão precisa de licitação. Sempre foi assim. O que houve recentemente foi uma distorção de interpretação por algumas empresas que entenderam que poderiam operar terminais privativos sem que fosse por licitação, pegando uma “carona” na definição legal da 8.630 que é a existência de terminais privativos de uso misto, tanto para cargas próprias como para cargas de terceiros. Pegando uma carona nisso aí algumas empresas entenderam, pode ter sido na melhor das boas intenções, de que era possível sem ter carga própria significativa operar um terminal privativo.
E assim duas ou três autorizações foram dadas, mas na verdade o que houve hoje com o decreto 6.620 é um retorno ao que foi definido constitucionalmente, o que foi definido na lei 8.630, o que foi decidido na Resolução 517 da Agência Nacional dos Transportes Aquaviários (Antaq) e o que foi que respaldou todas as autorizações que a Antaq deu até hoje, inclusive essas de terminais privativos que estão movimentando cargas de terceiros, foram dadas sob a égide, o conceito, de que aqueles terminais teriam carga própria. Então, na verdade, o marco regulatório é bom. A impressão ruim que se tem do marco regulatório, da presença do governo nas licitações, é que infelizmente até agora o governo tinha sido muito lento nas licitações, mas isso visivelmente mudou, como mudou toda a gestão portuária. Eu tenho absoluta certeza de que com esse novo ambiente as licitações as licitações também não serão mais lentas como eram antigamente.
Enviado por GP OTTONI em
09/02/2010 (Vitoria)
Acredito que, com o aumento das relações comerciais internacionais portuárias, o Governo Federal tende a fiscalizar com maior eficiência sua área portuária e aprimorar a Receita Federal, Polícia Federal e organizar, manter e equipar sua Guarda Portuária(que fazem o policiamento ostensivo e fiscalização de todas as mercadorias, pessoas e veiculos com suas respectivas documentações) para aumentar a segurança portuária e manter o Brasil fora das rotas de terrorismo, aumentando a confiabilidade de outrem paises e agências marítimas em terem seus navios atracados nos Portos Brasileiros.
Enviado por Deivid da Silva em
10/02/2010 (Imbituba, SC)
"Policiamento ostenciso", é óbvio por tratar-se de funções de guarda. Mas quanto a vincular a Guarda Portuária à "fiscalização de todas as mercadorias" relacionando "com suas respectivas documentações", analisando a complexidade deste processo, esta função é atribuida à SRFB — que possui demasiadas funções. Talvez você esteja se referindo ao controle de acesso/saída de Zonas Primárias.
Muitos portos brasileiros incumbem à Guarda Portuária funções de controle de operações, quando esta deveria prestar-se apenas à função de segurança (conforme ISPS Code etc.). E quanto a "manter o Brasil fora das rotas de terrorismo", você implicitamente refere-se ao ISPS Code (invenção norte-americana); o Brasil nunca esteve nas "rotas de terrorismo", porém, por tratar-se de uma exigência da IMO aprovada pelo SOLAS (do qual o Brasil é signatário), os portos brasileiros têm de adaptar-se ao código.
Os portos brasileiros precisam de investimentos — urgentes, aliás — em infraestrutura, modernização, capacitação profissional e logística.
Enviado por Fernando Antonio em
24/10/2011 (Fortaleza)
Realmente é importante que os Portos Brasileiros tenham a regulamentação Constitucional por ações do Governo ,mas todos sabemos que os governos nunca foram eficientes na gestão dos Bens Públicos ao longo dos anos e que o progresso só veio depois da abertura dos Portos e do comercio,onde a iniciativa privada aplica investimentos maçiços com bons exemplos de sucesso de gestão.
Enviado por Helena Francisco Rosa em
27/12/2011 (Santos)
Precisamos da modernização da Guarda portuária e de todo o envolvimento da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério dos Portos. Não podemos trabalhar no depois e sem na prevenção.
Enviado por Francisco de Carvalho em
02/08/2012 (Teresina - PI)
Sou um estudioso sobre logistica empresarial, e venho fazendo alguns cursos na área; o que tem contribuido para que eu aumente o meu interesse pelo assunto. Já até fiz um comentário no forum do curso, referindo-me sobre o atraso tecnológico dos nossos portos, tendo em vista a incapacidade do Governo Federal em investir em suas modernizações para tonrná-los mais competitivo em nivel mundial. Por outro lado, o corporativismo dos seus trabalhadores não permitem que isso aconteça, comedo de gerar desemprego. Assim também aconteceu e continua acontecendo com a indústria automobilistica. No entando, gostaria de saber se o porto que está sendo construido pelo Elke Batista, o porto de AÇU, o maior do Brasil, o mais moderno do Brasil e um dos grandes do Mundo. Será que tudo isso iria ou poderia acontecer se dependesse da vontade do Governo e dos trabalhadores dos nossos portos? Posso até assegurar, que o porto de AÇU, vai ser um porto moderno tecnologicamente, vai ser competitivo em nivel mundial e vai gerar muitos empregos. Só que a sua mão de obra vai ser bem mais especializada.
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