GENEBRA (SUÍÇA) – Apoio moral, coleira curta e nada de dinheiro por ora. Foi com palavras, e não com números, que a União Europeia se comprometeu ontem a ajudar a Grécia a conter sua crescente dívida pública, caso seja esse o modo de evitar uma moratória que afete outros países do bloco e coloque em risco o euro.
A declaração política que resultou da reunião em Bruxelas com os líderes dos 27 países-membros da UE visa, a um só tempo, aplacar o temor do mercado sobre a solvência de Atenas e colocar o governo grego na linha para reduzir já neste ano em quatro pontos seu deficit orçamentário de 12,7%.
Mas analistas questionaram sua efetividade após semanas de expectativas que derrubaram não só os títulos gregos, mas também a moeda comum, que já perdeu 5% ante o dólar no ano. A espera por maior definição na reunião dos ministros da Economia evaporou. O teste, dizem, virá em abril, quando começam a vencer US$ 28 bilhões em dívida soberana grega.
O texto lançado ontem afirma, no último de seus cinco parágrafos, que os Estados-membros da zona do euro tomarão medidas coordenadas e determinadas, caso seja necessário, para resguardar a estabilidade financeiro da zona do euro como um todo. E complementa: O governo grego não pediu apoio financeiro.
“Isso mantém a posição da Grécia ambígua. Mas os chefes de Estado da UE estão deixando claro que, na medida em que a pressão na Grécia transbordar para outros países ou instituições financeiras, ações serão tomadas”, escreveu David Mackie, do JP Morgan em Londres, a investidores.
Ou seja: a questão é o euro, não a Grécia. A Grécia é um país pequeno, que responde por 2,5% do PIB da UE, e o dinheiro para resolver essa crise existe. O problema é o efeito dominó, disse Cinzia Alcidi, do Centro para Estudos de Políticas Europeias (Bruxelas). Ela pode ser apenas a primeira peça numa cadeia.
Portugal e Espanha, assim como a Itália, estão em posição mais sólida, mas também lidam com déficits altos e desconfiança dos investidores.
Segundo os analistas, um ponto pacífico para os líderes europeus – sobretudo os dos 16 países do euro – é não servir de colchão para suicidas fiscais. “Mesmo pondo recursos, é preciso evitar passar aos países vulneráveis a mensagem de que, quando houver problema, sempre haverá alguém pronto a ajudar”, afirma Alcidi.
A falta de uma proposta concreta foi atribuída não só ao receio de abrir os cofres precipitadamente, mas também às divisões no grupo.
Fonte: Jornal do Commercio