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Texto publicado em 20/04/2010 - 04:31
A Francesa Messagerie Maritimes
por Laire José Giraud *

Recentemente, recebi do despachante aduaneiro e amigo Antonio Carlos Martins um antigo cartão-postal do navio de passageiros francês Brésil, adquirido numa feira de antiguidades na cidade holandesa de Amsterdã, durante recente viagem pela Europa.


Cartão-postal da volta ao mundo com os navios franceses e as
bandeiras de armadoras, sendo que a Messageries está à direita.
Acervo do autor.

Depois de examinar detalhadamente, o referido cartão-postal, o que aguçou sobremaneira a curiosidade de shiplover, resolvi procurar maiores informações sobre o navio e sua armadora, que foram encontradas nas obras “Navios e Portos do Brasil – Nos Cartões-postais e Álbuns de Lembranças”, dos autores João Emílio Gerodetti e Carlos Cornejo, editado pela Solaris Edições Culturais, em 2006, e “Rota de Ouro e Prata”, de José Carlos Rossini, lançado em 1995.

Diga-se de passagem, para os apreciadores dos paquetes de outrora, recomendo as duas obras, que além do agradável texto são recheadas de belas imagens de navios das principais armadoras nacionais e internacionais. Abaixo repasso texto e informações encontradas nos referidos livros.


Imagem do postal do Brésil, presenteado pelo amigo Antonio
Carlos Martins, que deu origem a este artigo sobre a legendária
armadora francesa.

A Compagnie de Services Maritimes dês Messagerie Nationales foi fundada em Paris, em 06 de agosto de 1851, pelo armador M. Rostand e o empresário Ernest Simons, tendo entre suas funções o serviço postal marítimo. Em 9 de setembro daquele ano, o Hellespont foi o primeiro navio da companhia.

Com o retorno da monarquia à França, em 1853, sua denominação passou a ser Compagnie dês Services Maritimes Imperiales e sua frota foi ampliada. Em 1857 tinha 57 navios. Nesse mesmo ano a companhia obteve concessão oficial dos serviços postais para América do Sul e estabeleceu uma linha regular para os portos do Brasil e Rio da Prata. Assim, encomendou a construção de sete unidades, entre elas o vapor La Guienne, que inaugurou em 1860 a rota para o Brasil. Sua primeira viagem foi entre Bordeaux e Rio de Janeiro, seguido dos navios Aunis e Saintonge.


O Brésil visto por boreste (lado direito), durante sua construção
recebeu a visita do Imperador Dom Pedro II, tinha capacidade para
1.014 passageiros, media 146 metros de comprimento, navegou pela América do Sul até 1902 quando passou a servir a linha da Austrália.
Acervo do autor.

Em 1871 após a Guerra Franco-Prusiana e a abolição da monarquia. A denominação da armadora passou a ser Compagnie dês Messageries Maritimes.

Já em 1866, a companhia possuía 58 vapores. Na linha da América do Sul os navios escalavam Portugal, Senegal, Brasil e Rio da Prata. Os navios que operavam nessa linha eram: Congo, Équateur, Orénoque, Niger, Sénegal, Girond, Médoc, Matapan e Ortégal.


O vapor Cordillère era semelhante ao Ernest Simons e ao Brésil, que começou a navegar em 1896. Acervo do autor.

A companhia mantinha linhas para Austrália e Nova Caledônia, Índia, China, Índia, Japão, Cingapura, Tonkim e Manilha, Meditrrâneio e Mar Negro.

Em 1887, entrou em serviço o vapor Portugal, de 5.540 toneladas, e capacidade para 915 passageiros, que serviu os portos brasileiros por dois anos. Foi substituído pelo navio Atlantique.


Embarque de passageiros com destio à América do Sul, em 1905 
no porto francês de Bordeaux. Acervo do autor.

A frota foi acrescida pelo Guadalquivir e o Guadiana, em 1888, seguidos pelos vapores, Adour, Charente, Dordogne, Douro, La Plata e Brésil, em 1889. O Brésil de 5.876 tons foi visitado durante a sua construção por Dom Pedro II. O Brésil media 146 metros de comprimento e podia transportar 1.014 passageiros. Em 1902 foi reformado e passou a ser o Dumbea, e foi utilizado na linha da Austrália.

Entre 1894 e 1896 entram em serviço três navios similares, o Ernest Simon, Chili e Cordillère.


Cartão-postal do belo paquete (navio de passageiros) Tonkim, 1902.
Acervo do autor.

Em 1912 expirou o contrato de serviço postal subvencionado pelo Governo da França e a linha para América do Sul foi suprimida, passando a ser servida por outra armadora a Sud-Atlantique pertencente à Chargeurs Reunis.

Em 1914 a frota era de 60 navios, mas durante a Primeira Guerra Mundial foram perdidos 22 navios, sendo 13 de passageiros. Os demais serviram como transporte de tropas e navios-hospitais.


Navio de passageiros francês típico dos anos 20.
Acervo do autor.

Em 1919, foi inaugurada a rota de volta ao mundo, sendo o El Kantara o primeiro navio francês a utilizar o Canal do Panamá. De 1929 a 1930 foi um período de progressos técnicos e luxo na decoração dos navios, como no caso dos transatlânticos Mariette Pacha e Felix Roussel.

Com a chegada da Segunda Guerra Mundial (1939/1945), a frota foi parcialmente dizimada, metade da qual foi perdida.


Cartão-postal do L´Atlantique, o mais
suntuoso transatlântico francês da
linha sul-americana. Sua viagem
inaugural se deu em 1931. O paquete
teve curta duração, pois sofreu incêndio
em 1933. Media 226,7 metros de
comprimento. Acervo do autor.

No pós-guerra novos navios foram incorporados e foram restabelecidas as linhas de navegação. Em 1949, entrou em serviço na linha do Extremo Oriente o La Marseillase, o primeiro navio construído depois da Grande Guerra.

Somente em 1962 foi retomada a linha da América do Sul, que passou a ser servida elos transatlânticos Laennec e Charles Tellier. Da extinta Sud-Atlantique. E Louis Lumière da Chargeurs Reunis. Em 1966 foi lançado ao mar o último transatlântico da armadora, o Pasteur. Mas, entre 1967 e 1972, a independência das colônias francesas e a popularização do transporte aéreo acabaram por determinar o fim da frota de navios de passageiros da armadora. Em 1977, a Messageries Maritimes e a Compagnie Générale Transatlantique, CGT, fundiram-se na nova Compagnie Générale Maritime.


Vista da chamada "Wall Street santista", a Rua XV de Novembro,
no reduto das agências de navegação, bancário e do comércio cafeeiro,
nos anos 20 do século passado, quando inúmeros navios franceses escalavam em Santos.
Acervo do autor.

Durante minhas pesquisas, consultei o livro “O Brasil na Rota da Navegação Francesa”, de autoria de Júlio Bandeira, o qual me foi oferecido pelo Grupo Rodrimar. Mostra claramente que sempre existiu um grande relacionamento entre o Brasil e a França, o que contribuiu com grande relevância na importação e na exportação para o desenvolvimento econômico brasileiro.

Merci et au revoir.


A Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro no início do século XX.
O Porto carioca era escala das armadoras francesas.


O paquete francês Cordillère, durante manobra de atracação no
Porto de Santos no início da primeira década do século XX, no Estuário, proximidades da Alfândega. Acervo do autor.


O último transatlântico da armadora, o
Pasteur, lançado em 1966. Acervo do autor.

* Laire José Giraud é despachante aduaneiro, colecionador de cartões-postais da cidade de Santos e de transatlânticos antigos. Colaborador da Revista de Marinha de Portugal. Publicou cinco livros, como autor e co-autor, sobre temas da Santos antiga.
Comentários ( 2 )
Enviado por walkiria em 07/05/2012 (santos)

Gostei muito dos comentarios sobre os navios no porto de santos. Gostaria de saber sobre o navio Matapan que veio de Bordeaux , chegou no porto de santos no dia 5 de abril de 1895. Seu que minha avó paterna chegou nesse navio, mas não consigo encontrar os registro da chegada. Se possivel gostaria que me auxiliasse para poder encontrar esses registros. grata walkiria
Enviado por Acacio em 10/08/2012 (Sao Paulo)

Ola Walkiria, entra no site do Memorial do Imigrate em Sao Paulo que voce vai encontra toda a informacao. www.memorialdoimigrante.org.br , voce podera fazer a pesquiza pelo nome e tambem pelo nome do barco, caso voce acha a informacao, com esta voce podera depir a certidao de desembarque. Com a informacao desta certidao, voce podera encontrar mais documentos de seus avos na Torre do Tombo em Portugal. Boa sorte.


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