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  • Por onde andará o controle operário dos portuários?
    Texto publicado em 20 de Julho de 2010 -

    por Carla Diéguez *
     
     

    Aqueles que acompanham esta coluna sabem que estou cursando o doutorado, no qual realizo uma pesquisa sobre os trabalhadores portuários. Desta forma, venho me dedicando a leituras sobre trabalho e trabalhadores, aprendendo inúmeros conceitos necessários para a compreensão e entendimento do mundo do trabalho, entre os quais está o conceito de controle operário.

    Dois autores se destacam na conformação deste conceito: Jonathan Brown e David Montgomery. Para o primeiro, controle operário refere-se tanto ao controle dos trabalhadores sobre os meios de produção, como ao controle do trabalhador sobre a sua vida de trabalho, dando-o poder para controlar não apenas a sua vida no ambiente de trabalho, mas também fora dele.

    Já para David Montgomery, autor que consagrou este conceito, o controle operário está fundamentado em 3 elementos: a autonomia do trabalhador no processo de trabalho, normas sindicais que regulam o mercado de trabalho e o exercício do trabalho e o apoio mútuo entre os trabalhadores.

    A partir destas leituras realizei uma breve análise sobre os trabalhadores portuários e percebi que antes da modernização, estes trabalhadores foram detentores do controle operário, com seu domínio sobre o processo de trabalho, o controle do mercado pelo sistema de closed-shop e a solidariedade característica desta profissão. Entretanto, ao tentar identificar estes elementos na atualidade, não consegui encontrar. Desta forma, não busco respostas, apenas pergunto: este controle se esvaiu ou ainda vive em algum lugar? Se ele se foi, a quem cabe a sua perda: a lei, a automação ou as entidades sindicais? Coloco estas questões para que possamos refletir o que fomos, o que somos e o que queremos.

    Referências bibliográficas
    BROWN, Jonathan C. What is Worker’s Control? In Workers Control in Latin America, 1930-1979. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 1997. p. 1-15.

    MONTGOMERY, David. El control obrero en Estados Unidos: estudios sobre la historia del trabajo, la tecnología, e las luchas obreras. Madrid: Ministerio de Trabajo e Seguridad Social, 1985

     

    * Carla Regina Mota Alonso Diéguez é mestre em Sociologia pela USP (2007), com ênfase em sociologia do trabalho, e bacharel em Ciências Sociais pela Unesp (2001). Atualmente, é docente e pesquisadora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo com atuação nas linhas de pesquisa sociologia do desenvolvimento e sociologia do trabalho e doutoranda em Ciências Sociais pela Universidade de Campinas (Unicamp). E-mail: cadieguez@hotmail.com.
    Enviado por DEL em 20/07/2010  (Angra dos Reis)
    na teoria de dominação em Marx, podemos dizer que ela esta intimamente liagda ao ESTADO, pois este é um instrumento de dominação de classe Marx compreende o estado como relação entre a infra-estrutura e a seperestrutura. a infra-estrutura é a base economica o conjunto das relações de produção, superestrutura tem como parte principal o estado que é constituído pelas instituições juridicas e politicas e por determinadas formas de consciência social (ideologia). o controle operario dos portuarios certamente mexe com essas estruturas não existe nenhum estado neutro, este é sempre um instrumento de dominação da classe proprietaria sobre a classe trabalhadora. certamente o estado atraves do judiciario e as "Leis" vem acabando com o controle operarios dos portuarios, temos que resistir, a luta de classe esta latente.
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