Aqueles que acompanham esta coluna sabem que estou cursando o doutorado, no qual realizo uma pesquisa sobre os trabalhadores portuários. Desta forma, venho me dedicando a leituras sobre trabalho e trabalhadores, aprendendo inúmeros conceitos necessários para a compreensão e entendimento do mundo do trabalho, entre os quais está o conceito de controle operário.
Dois autores se destacam na conformação deste conceito: Jonathan Brown e David Montgomery. Para o primeiro, controle operário refere-se tanto ao controle dos trabalhadores sobre os meios de produção, como ao controle do trabalhador sobre a sua vida de trabalho, dando-o poder para controlar não apenas a sua vida no ambiente de trabalho, mas também fora dele.
Já para David Montgomery, autor que consagrou este conceito, o controle operário está fundamentado em 3 elementos: a autonomia do trabalhador no processo de trabalho, normas sindicais que regulam o mercado de trabalho e o exercício do trabalho e o apoio mútuo entre os trabalhadores.
A partir destas leituras realizei uma breve análise sobre os trabalhadores portuários e percebi que antes da modernização, estes trabalhadores foram detentores do controle operário, com seu domínio sobre o processo de trabalho, o controle do mercado pelo sistema de closed-shop e a solidariedade característica desta profissão. Entretanto, ao tentar identificar estes elementos na atualidade, não consegui encontrar. Desta forma, não busco respostas, apenas pergunto: este controle se esvaiu ou ainda vive em algum lugar? Se ele se foi, a quem cabe a sua perda: a lei, a automação ou as entidades sindicais? Coloco estas questões para que possamos refletir o que fomos, o que somos e o que queremos.
Referências bibliográficas
BROWN, Jonathan C. What is Worker’s Control? In Workers Control in Latin America, 1930-1979. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 1997. p. 1-15.
MONTGOMERY, David. El control obrero en Estados Unidos: estudios sobre la historia del trabajo, la tecnología, e las luchas obreras. Madrid: Ministerio de Trabajo e Seguridad Social, 1985