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  • Canal do Reno ao Danúbio (3)
    Texto publicado em 27 de Julho de 2010 -

    por Sílvio dos Santos *
     
     

    Caros leitores,
    Hoje, na sequência dos artigos sobre o Canal do Reno ao Danúbio abordaremos outros aspectos técnicos sobre essa importante obra para a navegação fluvial europeia.

    ********************************

    * Canal do Reno ao Danúbio (1)
    * Canal do Reno ao Danúbio (2)

    As obras do canal Reno ao Danúbio, que utilizaram os rios Main e Elsen para conectar as duas principais bacias europeias foram iniciadas em 1960 e finalizadas em 1992, consumindo o montante de 2,3 bilhões de marcos alemães, moeda germânica da época. O antigo canal ainda foi recuperado na década de 50 dos danos da 2ª Grande Guerra Mundial, mas tornou-se antieconômico, face ao desenvolvimento das modernas ferrovias alemãs.


    Eclusa de Riedenburg na vertente leste do Canal do Reno ao Danúbio

    O Canal  RMD (Rein-Main-Donau), como é denominado na Alemanha, tem a extensão de 171 km e transpõe o divisor de águas dos rios Main e Elsen através de 16 eclusas. 11 eclusas na vertente oeste do Main, as quais permitem subir 175,10 m e 7 na vertente leste do Elsen, que descem 67,80 m; sendo importante ressaltar que a eclusa na cota máxima de 406 m está contada 2 vezes.

    As barragens vencem alturas diferentes em função da localização relativa no Canal RMD e têm as eclusas padronizadas em 207 m de comprimento, para embarcações de 190 m, por 12 m de largura. A eclusa de Riedenburg, por exemplo, tem o desnível de 8,40 m  o qual é vencido na razão de 0,9 m/ minutos, isto é, 9,3 minutos de tempo para enchê-la ou esvaziá-la, consumindo  o volume de 21.170 m³ por eclusagem.


    Acesso à eclusa de Riedenburg onde se destacam o muro guia 
    à esquerda e as estacas-guias à direita.

    Apesar da grande obra do Canal RMD os rios, canais e lagos dessa região são utilizados para a navegação de recreio e por barcos de pesca esportiva, e na bela paisagem não se registra nenhum passivo ambiental. Isto é resultado do investimento de 20 %, do total de 2,3 bilhões de marcos alemães,  nas as obras e ações de mitigação do meio ambiente.


    Antigo canal do Reno ao Danúbio em Markt Essing cujas margens
    estão hoje ocupadas por residências e parques públicos


    Referência bibliográfica
    http://en.wikipedia.org/wiki/Rhine%E2%80%93Main%E2%80%93Danube_Canal

     

    * * Sílvio dos Santos foi gerente de Transportes Hidroviários e Marítimos da Secretaria de Infra-Estrutura de Santa Catarina e conselheiro dos CAPs dos portos de Imbituba, Itajaí e São Francisco do Sul. Mestre em engenharia pela UFSC, atualmente está cursando doutorado. Iniciou sua vida profissional como engenheiro da Cia. do Metropolitano de SP e trabalhou também na Ferrovias Paulistas S.A. (Fepasa), Ferrovia Norte Brasil (Ferronorte) e no Escritório Técnico Figueiredo Ferraz. Seus cursos de especialização em navegação fluvial, portos e ferrovias foram realizados na França com bolsa da ACTIM. Professor de Planejamento de Transportes na Poli-USP, no IME e na Universidade Católica de Santos, onde também lecionou a disciplinas Portos e Navegação Fluvial. Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi professor de Ferrovias e Portos, Rios e Canais, durante o estágio de docência. Na Única, em Florianópolis, lecionou a disciplina Transportes e Seguros do Curso de Administração em Comércio Exterior. Atualmente, é engenheiro do Laboratório de Transportes e Logística no convênio da Secretaria Especial de Portos (SEP) com a UFSC.
    E-mails: silvio@ecv.ufsc.br e silvio@labtrans.ufsc.br
     
     
     
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