Em entrevista ao PortoGente, Carlos Campos, coordenador de infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), atualiza o estudo coordenado por ele em 2005, em que analisava as perspectivas e obstáculos para a cabotagem. Apesar do crescimento significativo nos últimos cinco anos, o setor ainda tem muito a enfrentar para que se consolide no Brasil.
PortoGente – Quais foram os avanços da cabotagem de 2005 para 2010?
Carlos Campos - No momento em que nós fizemos o estudo, havia duas dificuldades. A indústria naval estava em momento de crise, o que dificultava encomenda de navio aqui dentro. E a legislação de cabotagem, que é assim no mundo todo, é muito restritiva quanto às exigências de navio de bandeira nacional e pessoal de bordo. Também faltavam contêineres por conta do comércio com a China. Eram dois problemas conjunturais que hoje já não existem. Tivemos o ressurgimento da indústria naval, temos novos estaleiros e o Brasil não fabricava contêiner nenhum, o que hoje já acontece.
PortoGente – O estudo sugere a implantação de um hub port (porto concentrador) no Brasil. Essa medida depende de uma iniciativa do governo ou dos empresários?
Carlos Campos – Evidente que se o governo faz a sua parte e investe em infraestrutura de acesso rodoviário e ferroviário ao porto, e aí escoar a carga fica mais fácil, se o governo faz a dragagem adequada e o porto tem um calado que permite navios maiores operarem, se o setor privado também faz a sua parte, tem equipamento moderno em seus terminais, isso é um dos aspectos que os empresários levam em conta. Evidentemente também levam em conta outros aspectos, tem que estar perto do mercado produtor e do mercado consumidor. Mas a decisão não é do governo. O governo deve fazer esses investimentos, porque se não fizer, o porto não tem chance nenhuma de ser escolhido, mas a decisão é do empresário. Quando nós formos trabalhar com o conceito de hub port não é o governo quem vai dizer, esse vai ser e esse não vai ser, quem vai dizer são os empresários.
PortoGente – Qual é a sua opinião sobre o Programa de Incentivo à Cabotagem (PIC)?
Carlos Campos – É um programa viável. Nós estamos muito atrasados na preocupação com os estímulos e incentivos à cabotagem. O próprio programa focado na questão da cabotagem com certeza é uma coisa muito alvissareira. O Brasil precisa estimular a cabotagem, as vantagens são enormes, nós vamos tirar caminhões das rodovias, são grandes vantagens, vantagens de custo, segurança, integridade da carga e impacto ambiental.
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