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  • Telemarketing: uma profissão que pode matar
    Texto publicado em 27 de Julho de 2010 - 01h50

    por Claudia Santiago *
     
     

    Todo mundo já recebeu um telefonema às 21 horas de um final de domingo oferecendo qualquer mercadoria ou serviço pelo qual não tem o mínimo interesse. A primeira atitude é se irritar e xingar o outro lado da linha. Mas, poucos sabem que o telemarketing é extremamente estressante para o infeliz ou a infeliz que nele trabalha. É uma máquina do grande sistema do comércio que, além do transtorno que gera às vítimas dos amaldiçoados telefonemas, faz outras vítimas muito mais fatais: os trabalhadores no serviço de telemarketing.

    A remuneração da imensa maioria é de um miserável salário mínimo. O piso profissional, quando existe, é alguns tostões acima do mínimo. Mas o pior está por vir. As condições de trabalho são parecidas com aquelas do início da Revolução Industrial, no começo do século XIX. Só para ter uma idéia: em muitas empresas não há como ir ao banheiro. É preciso esperar que um coringa, que quase nunca aparece, se digne a passar por perto para que, então, se tenha este direito.

    Por trabalharem em ritmo alucinante, estão sujeitos à LER. O nível de tensão por ter que responder o mais rápido possível a um cliente irritado e impaciente é enorme. E a cadeira contrária a qualquer norma ergonômica, na qual são condenados a ficar presos por longas seis horas, dentro de uma baia? E como ficam a voz, a garganta, as cordas vocais e os ouvidos? De acordo com médicos ouvidos pelos sindicatos de trabalhadores, em dois anos, o trabalhador vira um trapo. Sua saúde está condenada e nunca mais terá uma vida saudável.

    Agora, há uma pergunta inevitável a ser feita e respondida. Há alguma necessidade desta atividade produtiva ser assim? Não dá para contornar e superar estas situações que destroem vidas e sonhos de milhares de jovens? Estes trabalhadores e trabalhadoras no Brasil, hoje, já beiram os dois milhões. Para ser mais exatos: são um milhão e oitocentos mil.

    As informações contidas nesta coluna foram fornecidas pelos Sindicatos de Telefônicos do Distrito Federal e do Rio Grande do Sul. Para ler mais sobre o assunto, leia o livro Infoproletários – Degradação real do trabalho virtual, organizado por Ricardo Antunes (Unicamp) e Ruy Braga (USP); e o artigo de Leandro Uchoas para o Brasil de Fato.

     

    * Claudia Santiago é jornalista sindical há mais de 20 anos. Autora do livro “Comunicação Sindical: a arte de falar para milhões” e do caderno “Como fazer análise de conjuntura”. É editora do BoletimNPC e do jornal carioca Vozes das Comunidades. E-mail: santiagoclaudia@terra.com.br
    Enviado por Tata em 04/08/2010  (Rio de Janeiro)
    Site: Pulsarbrasil.org
    É verdade pode sim matar. Sempre falo que o telemarketing é o novo chão de fabrica. Antigamente os jovens iniciavam, melhor, arrumavam empregos em fabricas, agora é no telemarketing...EU fui operadora de telemarketing e a pressão do trabalho fez eu hoje te ruma doença permanente chamada fibromiolgia, que é uma dor cronica levada pela inflamação do tecido muscular. Com 25 anos tive que ser afastada pelo INSS, um realidade dura para alguém tão jovem, imagina vc com 25 anos, não ter força no braço para segurar uma garrafa d’água, sua cabeça dar mil voltas....O pior de tudo é que a empresa não queira me demitir porque sabia que eu poderia processar. o desespero era tanto que clamei para minha medica me liberar, para assim eu poder pedir demissão....porque eu queria era ficar livre daquilo, mesmo doente, mas longe dali. Hoje regularmente preciso realizar sessões de acupuntura para manter a doença controlada.
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