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  • Repercussão faz Codesp suspender demissões
    Texto atualizado em 13 de Fevereiro de 2006 - 23h56
     
    Cláudia Dominguez
    jornalista*
     

    Após a divulgação com exclusividade pelo saite PortoGente da lista dos empregados de carreira que a diretoria da Codesp pretendia demitir (veja aqui), a estatal recuou e suspendeu a demissão. A matéria teve grande repercussão durante toda a semana, especialmente pela publicação dos nomes dos 252 funcionários aposentados que seriam demitidos e que foram listados pelo diretor de Administração e Finanças da Codesp, Mauro Marques (veja a lista).

    Em razão desta repercussão, o diretor presidente da Codesp, José Carlos Mello Rego, retirou o assunto de pauta para aprofundar os estudos acerca da proposta, conforme informou a assessoria de imprensa da estatal.

    O diretor de infra-estrutura da estatal, Arnaldo Barreto, que consta da lista, também declarou que as demissões foram suspensas. Ele informou que o levantamento dos funcionários aposentados foi feito a pedido do Conselho Fiscal e da Administração. Segundo ele, em caso de abertura de concurso público, uma listagem dos primeiros a serem demitidos já estaria pronta. Ele ainda garantiu que neste ano nenhum aposentado será demitido.

     Ouça aqui a declaração de Barreto

    "Esse ano é ano político, então na hora que entrou na diretoria, o presidente já puxou pra ele e nós vamos consultar Brasília. Então, esse negócio de demissão está suspenso". 

    Ele garante que os 252 funcionários não serão demitidos. E, sobre um possível concurso para a contratação de funcionários, ele afirma: "Até a gente preparar, contratar a fundação especializada que faz o concurso, vai demorar um tempão. Só depois que o concurso ficar pronto, for feito o concurso e tantas pessoas passarem é que nós vamos ver as pessoas que sairiam, mas isso é só para o ano que vem".

    Já o diretor de Administração e Finanças da Codesp, Mauro Marques, confirmou a recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU), da Advocacia Geral da União (AGU) e do Conselho de Administração da Codesp (Consad) para fazer um documento com a relação dos aposentados a ser entregue durante reunião da diretoria. "A responsabilidade disso está com o presidente, que vai fazer esse estudo e vamos ver na próxima reunião o que vai acontecer. A minha parte foi feita".

    Mauro Marques destacou que em paralelo está sendo feita a abertura do concurso público que vai definir quantas vagas serão disponíveis. "Estão fazendo a contratação da Fundação Carlos Chagas para fazer o concurso. Esses aposentados saindo, já são vagas novas para esse concurso".

    Mauro Marques parece não estar muito preocupado com o lado social dos trabalhadores. "Para mim, com a demissão, a Codesp vai ter um lucro enorme no caixa. Nós vamos ter uma folga de caixa. Nós estamos precisando de dinheiro. Estão muito caros esses aposentados".

    Sobre a demissão ser a melhor maneira de solucionar o problema financeiro, Marques afirma:

    Escute aqui o depoimento do diretor

    "Eu não parei para analisar a fundo se é a melhor maneira ou não. Eu estou cumprindo ordem. Se é melhor ou não... se for ver o aspecto jurídico, com certeza é a melhor maneira. Eu tenho algumas pessoas antigas, aposentados lá e hoje a empresa não roda juridicamente. Hoje nós tivemos outro bloqueio judicial de 12 milhões. Nós precisamos reciclar. Precisa mandar os advogados embora, tem que chamar os mais novos com vontade de trabalhar. Mas em outros cargos, motorista, toda a parte administrativa, eu não tenho essa informação, que é específica das áreas."

    O diretor-presidente da Codesp, José Carlos Mello Rego, não quis comentar pessoalmente o caso. Mas a assessoria de comunicação enviou nota oficial dizendo que o presidente Mello Rego "retirou o assunto de pauta para aprofundar os estudos acerca da proposta". A referida proposta é a do diretor Mauro Marques que visa renovar o quadro de empregados da empresa e abrir novas oportunidades para o mercado de trabalho na Baixada Santista.

    Parlamentares

    Procurados pela reportagem do saite PortoGente, os parlamentares da região se posicionaram diante da possível demissão dos aposentados.

    A deputada federal Mariângela Duarte (PT) disse que é preciso tomar cuidado com o futuro desses aposentados. E questiona a forma como os assuntos estão sendo tratados pela estatal. "Ultimamente, tem havido umas decisões controversas lá na Codesp. A questão dos advogados é um negócio complicado. Não é verdade que o corpo jurídico de carreira da Codesp não tenha condições. Eu achei as declarações do diretor financeiro muito complicadas. Feriu sem necessidade os brios dos profissionais advogados. A Codesp tem uma diretoria muito politizada, muito complicada porque são várias as tendências. Sem dúvida, é uma situação traumática, um ato terrível, inaceitável. Mexe com vidas humanas, quebra a rotina das pessoas. É desumano".

    Já a deputada federal Telma de Souza (PT), falou que é preciso ver caso a caso e que vai oficiar a Codesp para que seja cuidadosa na questão. "Gostaria de dizer às pessoas que têm o nome na lista, que procurem o seu sindicato".

    O deputado federal Vicente Cascione (PTB), procurado na última sexta-feira (10) por nossa reportagem afirmou não conhecer essa situação, porém comprometeu-se entrar em contato com o diretor de Infra-Estrutura da Codesp, Arnaldo Barreto, para tomar conhecimento do caso. Ontem (13), Vicente Cascione, já ciente da situação, solicitou que o saite entrasse diretamente em contato com Arnaldo Barreto, que acabou revelando a suspensão das demissões.

     

    Enviado por Humberto em 28/07/2010  (Santos)
    Concordo plenamente. O problema é conseguir jovens capacitados para desenvolver a altura os serviços prestados pelos funcionários concursados e conhecedores do porto. Na extinta CDS, quando alguém estava prestes a se aposentar, outro empregado concursado, era admitido com antecedencia para aprender e dar continuidade ao trabalho. Depois que o governo assumiu a CDS, virou uma baderna. Há a necessidade da continuidade dos antigos mesmo aposentados continuarem trabalhando. Como você mesmo disse, porém com uma resalva: Se os antigos sairem sem um sucessor, ai sim a empresa corre o risco de encerrar suas atividades. Mesmo com curso superior falta aos jovens experiência. Tem até catedrático que quando tenta entender o porto, chega a conclusão de que nada entende.
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