
A administração do setor portuário nacional não conseguiu superar a barreira geopolítica existente nos portos brasileiros. Os gestores das Autoridades Portuárias no País não enxergam a cadeia logística nacional de forma holística e esquecem que os portos que não são comandados por eles, apesar de concorrentes, são peças fundamentais para o aumento da competitividade do Brasil no comércio internacional. Não há eixos claros para escoamento mais econômico e veloz para cada tipo de carga e isso diminui a competitividade do produto brasileiro no comércio internacional.
Os portos brasileiros ainda não aprenderam a trabalhar em conjunto e seus administradores não exploram a infraestrutura já existente em municípios ou estados vizinhos para adotar os melhores eixos para escoamento de cada carga. Resultado disso é o acúmulo de solicitações ao Governo Federal para ampliação ou criação de terminais, estradas e linhas férreas. Além de exigir altos investimentos, os projetos dessas obras se acumulam nos institutos ambientais.
Essa falta de sintonia entre os portos fica evidente na região Nordeste do Brasil. Portos do mesmo estado são administrados por governos diferentes e praticamente se ignoram. Em Pernambuco, o Porto de Suape, administrado pelo governo estadual de Eduardo Campos (PSB), não funciona de forma complementar ao Porto de Recife, sob comando do Governo Federal, investindo na movimentação de mercadorias que poderiam ser melhor comportadas em portos menores, como o da capital pernambucana ou de estados próximos.
No Sul do País, acontece outra falta de sintonia com os portos travestidos de terminais de uso privativo misto. É o caso do Porto de Navegantes, já em operação, e do Porto de Itapoá, ambos em Santa Catarina. Nesse festival de portos, falta apontar qual é o eixo de transporte mais econômico para o produtor escoar a sua carga e ser competitivo no comércio internacional.