TERÇA-FEIRA
09 de Fevereiro de 2010
Relógio Mundial
boletim >

arquivo >

 
> Portos entram na campanha eleitoral
> Quem tem medo do Decreto 6.620?
Como garantir que a reformulação dos PDZs dos portos brasileiros atenda à comunidade portuária?
 Colunas
 Carlos Pimentel
Que tal? Um navio... vertical
 Porto Ciência
O Master Plan
de Santos
 Hermann Marx
Ponto de
inflexão
 Transporte Modal
O Canal do
Panamá (2)
 Porto-Cidade
Expansão e carnaval
 Porto Literário
Letras entre Calixtos
 Recordar
Memória: o
Cap Polonio
Em que páginas você mais gosta de navegar no PortoGente?
Notícias e reportagens
Serviços
Editorial e opinião
Colunas
 
 

Cotidiano

 
  • Sentimentos

  • Inveja
    Texto atualizado em 18 de Julho de 2006

    por Claudia Floresta *
     
     

    Ele chega ao trabalho todo feliz. O fim de semana tinha sido perfeito. Saíra para o escritório em seu horário normal, pegara seu carro novo na garagem, sentindo-se muito bem consigo mesmo, uma gostosa satisfação ao entrar no carro e sentir ainda o cheiro de novinho. Havia escolhido o carro com o maior carinho, modelo, cor, acessórios, todos os detalhes. Nem mesmo o transito conseguira tirar-lhe o bom humor.

    Sua vida chegara ao ponto no qual tanto queria. Não sem muita luta, não sem passar noites acordado estudando para as provas da faculdade, não sem muitas vezes deixar de passar o “feriadão” na praia com a galera, porque tinha que ou estudar ou trabalhar, não sem ter sido “abandonado” pela namorada que se sentia preterida.

    Enfim, depois de ralar muito, ter tido um emprego “mais ou menos”, de dormir pouco, de estudar muito, de enfrentar muito trânsito dentro de um ônibus, nem sempre sentado, depois as baldeações com o metrô, estava ele ali, voltando do seu fim-de-semana, passado com os amigos no seu apartamento novo, decorado com extremo bom gosto. Por isso mesmo tinha até iniciado um romance gostoso com uma sua ex-colega de faculdade, mulher sensível e mãe de um garotinho adorável, recém-separada, mas com os pés no chão e a mente aberta, encantadora.

    Na empresa, finalmente, seus anos de labuta foram devidamente reconhecidos, e, agora, quando muitos poderiam considerá-lo um solteirão, quase “velho”, ele se via como um vencedor! Tinha alcançado o almejado cargo e sua equipe era-lhe fiel e respeitosa, muitos o conheciam muito bem e sabiam reconhecer-lhe a liderança.

    A vida era, agora para ele, o resultado de todo um esforço que fora feito e ele se sentia muito feliz!

    Até que, ao sentar-se em sua cadeira, passa a mão pelo pescoço, virando-se de lado, para fora de sua sala, e se depara com um olhar até então desconhecido naquele seu amigo. Devolve-lhe uma expressão interrogativa e o chama até a sua sala.

    Começam a conversar sobre banalidades enquanto o olhar do amigo, pouco a pouco, vai se modificando. Mas resta, ainda no fundo, um “que” daquele anterior. Até que ele sente que é o momento de tocar no assunto, pois o amigo já tinha relaxado o suficiente e sua expressão havia suavizado o bastante. Então, como quem não quer nada, lhe diz que depois do final de semana, havia feito um balanço de tudo que vivera até ali, e lhe faz o relato, em linhas gerais. Não sem deixar de ressaltar as grandes dificuldades vividas, cuidando de, no entanto, não parecer dar a si mesmo ares de mártir. Apenas expõe os fatos de forma a mostrar ao amigo que, se alcançara a situação atual, era por mérito, por ter batalhado, por sua competência.

    Quase ao final da conversa ele revela ter notado o olhar incomum que o amigo lhe dera. E confessa ter reconhecido naquele olhar, o mesmo que já tivera, tempos atrás. Diz que via no amigo aquilo que um dia, ele mesmo, tinha sido e que a inveja, ou a cobiça, eram sentimentos difíceis de controlar.

    Expõe ao amigo que sabia ser essa a ocasião de lhe falar mais sobre sua vida, e deixar que o outro avaliasse por si mesmo, agora conhecedor de todos os seus desafios para atingir o objetivo que o levou a ocupar tal posição.

    Ao final o amigo lhe sorri, estende a mão dando-lhe razão e revela que o que há pouco era motivo de inveja agora lhe servia de modelo, e se transformava em admiração.  E lhe agradece.

    Ambos sorriem para o outro e partem para mais um dia de trabalho.

     

    * Claudia Floresta é estudante de direito, apaixonada pela vida, por todos os conceitos que geram os conflitos e pelos acontecimentos do cotidiano das pessoas em geral.
    c.floresta@uol.com.br
    Enviado por Dácio Jaegger em 11/08/2006 
    Site: http://gk.jaegger.blog.uol.com.br
    Desculpando-me pelo atraso no comentar, porque lido o excelente texto já o havia, achei a história muito bonita como forma de se dissertar com suavidade sobre um tema assaz complicado. Beijo querida Claudinha
    (9)
     
     
     
    14/11 |  2:03 
      Saudosismo
    30/10 |  23:33 
     
    16/10 |  23:20 
      Música
    12/09 |  1:39 
      Pequenos milagres
    29/08 |  2:17 
      Pessoas desaparecidas
     
     
     

     
    RSS PortoGente Siga o PortoGente no Twitter
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    Porto de Santos
         
     www.portogente.com.br © Todos os direitos reservados