Caros leitores,
Caros leitores, hoje falarei dos navios nos quais eu naveguei durante meus anos no mar.
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Maquete de meus navios
Tendo sido a minha turma de oficiais de 1958, a primeira do atual CIAGA, nosso estágio como Praticante foi no navio TRANSPORTE BARROSO PEREIRA da Marinha de Guerra.
Meu primeiro embarque como Segundo Piloto foi no navio-tanque SERGIPE, pertencente a Fronape da Petrobrás. Embarquei em Santos e fomos direto à Fortaleza.
Após escalas de volta para o Sul nosso destino foi a Lagoa dos Patos, onde carregávamos petróleo em Rio Grande, com destino à Canoas (Porto Alegre) e voltávamos vazio.
Depois de aproximadamente 3 meses nesta linha, não me adaptando com o cheiro do petróleo, e tendo em vista que minha intenção era navegação de longo curso, solicitei meu desembarque, o que aconteceu em Porto Alegre. Neste período ocorreu um fato muito triste na minha vida, que foi o falecimento de minha mãe no Rio de Janeiro. Para minha volta até Santos, viria de carona em um navio de cabotagem cujo comandante era meu tio Bráulio. Ainda em Porto Alegre, o navio ABELARDO CASTRO deu-me oportunidade de embarcar como Imediato, apesar de recém saído da escola. Quando menino ouvia falar em um navio chamado TAMBAÚ onde meus tios foram pilotos, imediatos, telegrafistas e mestre, isto é, todos ou quase todos parentes foram tripulantes deste navio.
Para minha surpresa, ao subir na ponte de comando, estava escrito no telégrafo das máquinas, planos, etc, o nome TAMBAÚ. Coincidência?
Como meu objetivo era navegar pelo Lloyd Brasileiro, finalmente eu consegui embarcar no RAUL SOARES.
Minha primeira viagem de longo curso, ainda como segundo piloto, foi no navio LLOYD VENEZUELA, da classe conhecida como “bomba”, navio de propulsão à turbina, com velocidade de 17 nós, que fazia a linha do Mar do Norte e Mediterrâneo.
Já como Primeiro Piloto, embarquei no MAUÁ, também navio misto, com passageiros somente de primeira classe, que fazia a linha de Manaus, aliás, esta foi a última viagem deste navio.
Em seguida embarquei no LLOYD URUGUAI, semelhante ao Venezuela, com a pequena diferença de ter sido construído no Canadá e apresentar costado com rebite. Foram 6 “bombas” construídas no Canadá e 14 nos Estados Unidos.
Meu próximo navio foi o PEREIRA CARNEIRO, construído na Verolme em Angra dos Reis. Também navio misto, para 12 passageiros, onde tive a oportunidade de acompanhar o final da construção e participar das provas de mar. Também fazia a linha do Mar dos Norte e Mediterrâneo, principalmente carregando café para a Itália e Líbano.
Neste navio aconteceu um fato importante para mim, pois ainda com a carta de primeiro piloto, fui promovido por merecimento à Imediato. Naquela época todos os imediatos teriam que ser Capitão de Longo Curso, ou no mínimo Capitão de Cabotagem.
O ex-Cisne-Branco, 'Rosa da Fonseca'
(Foto de Laire José Giraud)
Já com a carta de Capitão de Cabotagem, embarquei de Imediato no ROSA DA FONSECA, navio construído na Iugoslávia, com capacidade para 350 passageiros e 200 tripulantes, que fazia viagem de Cruzeiro pelo Caribe, Amazonas, Montevidéu e portos argentinos. Neste navio permaneci por aproximadamente 2 anos. Houve um período que fizemos a ponte marítima Rio/Santos, frota Cisne Branco, viajando todas as noites.
Em seguida embarquei no BARÃO DE RIO BRANCO na função de imediato, com viagem para Hamburgo, onde iria docar e fazer reparos. Aconteceram muitos contratempos nesta viagem, pois já na escala em Cabedelo houve avaria no motor principal e permanecemos por 40 dias aguardando uma engrenagem que viria da Alemanha para prosseguir viagem. Quando da travessia da Baía de Biscaya, local de muitos temporais, tivemos que voltar para a costa de Portugal, pois havia mar alto, pondo o navio em risco. Dois dias depois, na segunda tentativa, conseguimos precariamente alcançar o Canal da Mancha, com radar inoperante e muito tráfego de navios, mas finalmente chegamos a Dunquerque, Rotterdam e Hamburgo. No retorno desta viagem, me habilitei em 1970, a Capitão de Longo Curso. Meu primeiro navio como Comandante foi o CORINA, que fazia a linha de Mediterrâneo, onde permaneci por aproximadamente por 1 ano.
Serra Azul da Cia. de Navegação Aliança
Minha próxima companhia foi a Aliança onde comandei os seguintes navios: FRIGO TIETÊ, PETRÓPOLIS, RAFAEL LOTITO, SERRA AZUL, MARINGA, FLAMENGO E ALBERTO COCOZZA, que faziam linha do Mar do Norte, sendo que no ALBERTO COCOZZA, tive oportunidade de conhecer o famoso porto de Murmansk no Mar de Barrents, círculo polar ártico, no Norte da Rússia.
Quando ainda na Aliança, desenhei flâmulas de cada navio que eram confeccionadas em quantidades para serem ofertadas nos portos.