Nesta segunda-feira (02/04) pela manhã fui procurado pela CBN para uma entrevista na condição de professor do curso de Lazer e Turismo da USP. O tema: nossa encrenca com a Espanha pelo tratamento que os brasileiros estão recebendo no Aeroporto de Barajas [foto].
O que disse, e gostaria de explicitar aqui, é que vale a pena pensar um pouco para que ninguém compre gato por lebre: a reciprocidade é uma tradição da prática diplomática brasileira e a aplicação deste princípio pode gerar resultados importantes para o Brasil em nossas disputas comerciais e políticas. No entanto, criar constrangimentos para a entrada de turistas no País é duplamente incorreto e apenas gera problemas para o Brasil.
Explico-me: os turistas que vêm a negócios e eventos dificilmente vão sofrer algum constrangimento, pois têm sobras de documentos e contatos para zelar por seus interesses. Os afetados serão majoritariamente os turistas que nos visitam pelas diversas modalidades de lazer, os quais, ao primeiro risco de verem "azedar” sua viagem mudarão de destino.
Independentemente da forma de aplicação, esta reciprocidade está equivocada, pois ao invés de atingir o estado ou a economia espanhola, constrange apenas cidadãos em viagem e, o que é pior, afeta a economia brasileira na medida em que afasta o ingresso de passageiros e moeda forte no País.
Melhor faria o Itamaraty se, ao aplicar o – repito – correto princípio da reciprocidade, voltasse suas energias para aqueles que realmente causam os problemas e procurasse enfrentá-los em seu próprio campo de batalha. Ao agir desta forma, restringindo a circulação de pessoas, não apenas criam-se embaraços para a economia, mas também para um bem intangível que leva-se muito mais tempo para consolidar: a imagem do Brasil, que há quase uma década vem sendo cuidadosamente reelaborada naquela região.
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