Uma das conclusões do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) resultantes da análise do censo de 2010 é que 37,5% dos nordestinos dependem, para viver, de caridade ou de programas como o Bolsa Família. Em Alagoas, esta proporção chega a ser de 50%; na média do País não é muito menos: 32,7%.
Esse programa foi instituído no governo FHC como uma resposta imediata contra a fome e a miséria. Lula, que meteu o pau na época, não só manteve o plano como o aumentou em abrangência geográfica e número de assistidos. E mais: esse programa passou a ser uma de suas bandeiras.
Quando se lê que o índice de desemprego é de 6% só estão sendo considerados aqueles que tinham emprego e o perdem e aqueles que procuram emprego. Logo, não são computados a maioria daqueles que recebem a cesta básica.
No total devemos ter, no chute, mais de 20% da população apta a trabalhar desempregada. Este é um índice próximo daquele da Espanha onde a crise é avassaladora.
Enquanto o País todo, governo, entidades privadas e ONGs discutem a questão do meio ambiente, preocupados com desmatamento, poluição de rios e lagos, destruição do lençol freático, poluição atmosférica, todas questões absolutamente preocupantes, não se escuta qualquer voz levantando a questão de dar condições de vida a esse contingente humano sem emprego na região Nordeste.
Em sua maioria, estes estão nas caatingas, em terras improdutivas, secas, de sol castigante. Então, como conseguir trabalhar? Muitos se bandam para o sul ou capitais nordestinas aumentando favelas, mas continuando na pobreza ou na miserabilidade. E, consequentemente, aumentando a poluição de rios por descarte de esgoto a céu aberto, aumentando a quantidade de lixo e, portanto, maior necessidade de novas áreas de lixão, e por aí vai.
A solução, entretanto, está na própria região de origem. Como será que deputados possuem fazendas, verdadeiros oásis, no meio de terras desérticas no Nordeste?
Simplesmente pela abertura de poços e captura de água boa do subsolo. É caro?
Tenho certeza de que é mais barato do que as inúmeras mortes, do que o dinheiro que se gasta com bolsas família, do que os gastos com saúde ou com a falta dela.
Então, não dá para entender que ambientalistas de todas as raças e credos não falem de Áfricas espalhadas pelo mundo.
Então, pelo menos nós, sexta maior economia do mundo, devemos assumir que este também é um sério problema ambiental.
Criando condições ambientais razoáveis haverá atração de empresas e empregos. É inegável a capacidade de trabalho e a inteligência do povo nordestino. Entaão está na hora de dar-se oportunidades reais a eles.