Devair desmontava o velho equipamento esperando um bom lucro com a venda da sucata. Encantou-se com o brilho emitido pelo pó que tinha lá dentro. Chamou familiares e amigos para ver o achado. Há 25 anos, em Goiânia, capital de Goiás, essa curiosidade fez centenas de vítimas, matando em poucos dias a esposa de Devair, a menina Leide, seu pai Ivo e funcionários da limpeza do local. Resultou em milhares de toneladas de resíduos que ficarão encapsulados por cerca de 180 anos! E olhe que eram menos de 20 gramas de Césio-137.
Foto: Adelano Lázaro/Wikipedia
Imagem mostra área que abrigava o ferro velho de onde partiu a contaminação
Isso aconteceu 84 anos depois de Marie e seu marido Pierre Curie ganharem um prêmio Nobel pelas descobertas no campo da radioatividade. Madame Curie morreu em 1936, possivelmente em decorrência da radiação à qual esteve exposta em seu processo investigativo. Paradoxalmente, o desconhecimento estava no cerne de ambos os casos citados.
Os romanos diziam nescentia necat, a ignorância mata. Apesar de negativa, a ignorância é um estado passível de modificação, pronta a ser suprimida pelo “batismo” do conhecimento, da informação. Devair ignorava que o brilho era fatal com terríveis consequências, dor, sofrimento e morte. Pierre e Madame Curie correram seu próprio risco para identificar propriedades e benefícios da radioatividade.
Centenas de milhares de japoneses de Hiroshima e Nagasaki, sem saber do que se tratava, foram sublimados, ou seja, mudaram do estado sólido para o gasoso em segundos. Apesar do termo, é claro que nada havia de sublime nisso. Hoje, o Japão está desativando usinas nucleares, revendo procedimentos de segurança pós-Fukushima.
É essencial buscar no conhecimento o caminho seguro. Afinal, “o acaso vai me proteger, enquanto eu andar distraído” só na bela canção dos Titãs que, por sinal, se chama epitáfio. É melhor prevenir-se.
Saudações seguras.